Guerras bizantino-árabes

Guerras bizantino-árabes
Greekfire-madridskylitzes1.jpg
Iluminura do século XII mostrando a marinha bizantina a usar fogo grego contra o rebelde Tomás, o Eslavo, aliado dos Abássidas.
Data6341180
LocalAnatólia, Levante, Síria, Egito, Norte de África, Creta, Sicília, sul de Itália
DesfechoEm geral, os Árabes tiveram mais vitórias, apesar do Império Bizantino se ter refeito em larga medida
Mudanças
territoriais
O Levante, a Mesopotâmia e o Norte de África foram conquistados pelos Árabes
Combatentes
Império Bizantino[nt 1]

Império Búlgaro
Estados cruzados
Gassânidas[1]
Cidades-estado italianas

Califado Ortodoxo

Califado Omíada
Califado Abássida
Emirado Aglábida
Emirado de Bari
Emirado de Creta
Hamdanidas de Alepo
Califado Fatímida
Mirdássidas de Alepo

Líderes e comandantes
Heráclio

Teodoro Tritírio
Gregório de Cartago
Constante II
Constantino IV
Justiniano II
Leão III, o Isauro
Constantino V
Leão V, o Arménio
Teófilo
Nicetas Orifa
João Curcuas
Himério
Nicéforo II Focas
João I Tzimisces
Miguel Burtzes
Basílio II Bulgaróctono
Nicéforo Urano
Jorge Maniaces
Andrónico Contostefano

Zayd ibn Harithah

Calide ibne Ualide
Abu Baquir
Omar
Abu Ubaidá ibne Aljarrá
Amir ibne Alas
Xurabil ibne Haçana
Iázide ibne Abi Sufiane
Zubair ibn al-Awwam
Abdulá ibne Saade
Iázide I
Moáuia I
Moáuia ibne Hixam
Solimão ibne Hixam
Maslama ibne Abdal
Harune Arraxide
Almamune
Leão de Trípoli
Damião de Tarso
Ceife Aldaulá

As guerras bizantino-árabes foram uma série de conflitos armados entre os califados árabes e o Império Bizantino (ou Império Romano do Oriente) que ocorreram entre os séculos VII e XII. Foram iniciadas durante as primeiras conquistas muçulmanas do expansionismo dos califados Ortodoxo e Omíada e continuaram na forma de disputas fronteiriças persistentes até ao início das Cruzadas. Em consequência destas guerras, os Bizantinos, a quem os Árabes chamavam Rûm ou Rumes (Romanos), perderam uma parte considerável do seu império, nomeadamente todos os territórios do Levante e Norte de África e inclusivamente uma parte considerável da Anatólia. A capital bizantina, Constantinopla chegou a ser cercada em duas ocasiões, a primeira em 674 e a segunda em 717.

O conflito inicial ocorreu entre 634 e 718, terminando no segundo cerco árabe a Constantinopla, que marcou a rápida expansão árabe na Anatólia. No entanto, a região continuou a ser ocasionalmente fustigada por razias árabes e os conflitos reacenderam-se no final do século VIII, continuando nos séculos seguintes e só terminando em 1169. A ocupação do sul de Itália pelos Abássidas no século IX e X não teve tanto êxito como a da ocupação da Sicília.

Durante a dinastia macedónica, entre os séculos IX e XI, os Bizantinos recuperaram territórios no Levante, chegando os exércitos bizantinos a ameaçar a reconquista de Jerusalém. O Emirado de Alepo e os estados vizinhos tornaram-se nessa altura vassalos dos Bizantinos. A maior ameaça a leste era então o Califado Fatímida do Egito, o que só mudaria com a ascensão dos Turcos seljúcidas e da criação do Sultanato de Rum por estes, que conquistou os territórios que tinham sido recuperados e expandiu os territórios abássidas até interior da Anatólia.

A expansão islâmica do final do século XI, então protagonizada pelos povos turcos levou o imperador Aleixo I Comneno (r. 1081–1118) a pedir desesperadamente ajuda militar ao Papa Urbano II (r. 1088–1099) no Concílio de Placência que decorreu em 1095, um dos eventos frequentemente apontado como precursor da Primeira Cruzada.

Antecedentes

As prolongadas guerras bizantino-sassânidas dos séculos VI e VII deixaram ambos os impérios exaustos e vulneráveis à emergência súbita e expansão dos Árabes. A últimas dessas guerras acabou com a vitória dos Bizantinos: o imperador Heráclio reconquistou todos os territórios anteriormente perdidos e levou novamente a Vera Cruz para Jerusalém em 630.[2][3][4][5][6] No entanto, além do império não conseguido recuperar, poucos anos depois foi atacado violentamente pelos Árabes, recentemente unidos pelo Islão, os quais, nas palavras de Howard-Johnston «só podem ser comparados a um tsunami humano».[7][8] De acordo com George Liska «o conflito bizantino-persa desnecessariamente prolongado abriu o caminho para o Islão».[9]

No final da década de 620, Maomé já tinha conseguido conquistar e unificar a Arábia sob o governo muçulmano, e foi sob a sua liderança que as primeiras escaramuças tiveram lugar. Apenas uns meses depois de Heráclio e o general persa Sarbaro terem acordado os termos da retirada das tropas sassânidas que ocupavam as províncias orientais bizantinas, em 629 houve um confronto entre tropas árabes e bizantinas em Batalha de Mu'tah.[10] Maomé morreu em 632 e foi sucedido na liderança dos muçulmanos por pelo primeiro califa, Abu Baquir (r. 632–634), que ganhou o controle indisputado de toda a Arábia depois da vitória nas Guerras Ridda, consolidando um poderoso estado muçulmano na península.[11]