Guerra na Idade Média

A Guerra Medieval foi evoluindo ao longo do tempo, forçada por mudanças nas estruturas sociais, na tecnologia, cultura e infraestrutura política das nações-Estado. Desde o período clássico, houve uma grande evolução em táticas militares, como no papel da cavalaria e artilharia. As fortificações na Idade Média foram também mudando, com castelos se espalhando pela Europa e depois para a Ásia Ocidental. O advento dos canhões, perto do fim da era medieval, foi tornando os castelos inúteis, assim como a aparição de armas de fogo menores mais práticas acabou tornando obsoleta a armadura clássica medieval já no século XVI.[1][2]

Recrutamento

Vestimentas militares utilizados por homens de armas poloneses no século XV.

No começo da Idade Média era obrigação de cada nobre responder ao chamado para a batalha com seu próprio equipamento, arqueiros e infantaria. Esse sistema descentralizado era necessário devido a ordem social da época, o que levava a forças heterogêneas com qualidade de treinamento, equipamento e habilidades variadas. Quanto mais recursos um nobre tinha acesso, melhor suas tropas seriam, tipicamente.[3]

Normalmente, os exércitos feudais tinham sua base formada por cavaleiros altamente treinados e as tropas de suas terras, mercenários contratados para campanhas militares e recrutas cumprindo suas obrigações feudais (que tipicamente tinham pouca ou nenhuma qualidade). Normalmente as cidades eram protegidas por milícias locais.[4]

Com o crescimento dos governos centralizados, um retorno para os exércitos civis e de mercenários do período clássico começou, com o recrutamento entre os camponeses crescendo em importância. Acredita-se que os melhores soldados de infantaria eram os filhos de yeomans com terras, como os arqueiros ingleses e os lanceiros suíços. A Inglaterra tinha um dos Estados mais centralizados perto do final da idade média e seus exércitos que lutaram durante a Guerra dos Cem Anos eram, na sua maioria, formados por profissionais pagos.[5]

Em teoria, cada homem inglês deveria cumprir suas obrigações militares feudais por quarenta dias. Esse tempo não era o suficiente para a maioria das campanhas militares, especialmente aquelas no continente. A jugada (uma especie de tributo pago em bens agrícolas) foi introduzida, onde a maioria dos ingleses pagavam para pular o serviço militar e o dinheiro arrecadado era gasto para recrutar mercenários. De fato, durante o período da Alta Idade Média, a noção de "exército nacional" era quase que inexistente, com a esmagadora maioria das tropas (especialmente da infantaria) sendo formadas por mercenários pagos. Assim, o mercado de mercenários na Europa era extremamente lucrativo graças a grande procura, especialmente a partir do século XII.[6]

Na Itália medieval, as cidades da península itálica (especialmente no norte) dependiam de forças mercenárias para lutar, ao invés das milícias locais. Devido aos conflitos constantes, os mercenários se tornaram soldados profissionais com um pagamento regular. Mercenários tendiam a ser eficientes soldados, especialmente quando combinado com forças permanentes, mas na Itália eles formavam quase todo o corpo dos exércitos da região. Isso se provaria problemático; em tempos de guerra, mercenários tendiam a ser mais confiáveis do que tropas regulares, mas em tempos de paz eles representavam uma ameaça, na maioria dos casos, com risco de se voltarem contra seus contratantes. Com as cidades-estado italianas se baseando apenas em mercenários para lutar por eles, os condotieros eram considerados bem eficientes para fazer guerra contra a maioria dos inimigos.[3]

Foi somente a partir do século XVI que a noção de "exércitos nacionais", recrutado entre a massa camponesa, ganhou força, embora o uso de mercenários nunca tenha caído em desuso. Manter tropas permanentes no final da Idade Média foi ficando mais fácil, especialmente devido a melhor burocracia estatal, avanços no sistema de coleta de impostos e governos mais centralizados e eficientes.[3]