Guerra do Vietnã
English: Vietnam War

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Guerra do Vietnã
Parte da Guerras na Indochina e da Guerra Fria
VietnamMural.jpg
Da esquerda para a direita e de cima para baixo: Ofensiva do Tet; Fuzileiros embarcam nos helicópteros Huey na frente de combate; Massacre de civis em My Lai; Soldados incendeiam vilarejo vietnamita.
Data1 de novembro de 195530 de abril de 1975
LocalVietnã do Sul, Vietnã do Norte, Camboja, Laos, Mar da China Meridional e Golfo da Tailândia
DesfechoVitória do Vietnã do Norte
Beligerantes
 Vietnã do Sul
 Estados Unidos
Flag of the Khmer Republic.svg República Khmer
Flag of Laos (1952-1975).svg Reino do Laos
 Coreia do Sul
 Austrália
 Nova Zelândia
Filipinas
 Tailândia

Apoio:
Taiwan
Flag of Spain (1945–1977).svg Espanha[1][2]
Alemanha Alemanha Ocidental
 Canadá
Flag of Japan (1870–1999).svg Japão
State flag of the Imperial State of Iran (with standardized lion and sun).svg Irã
 Malásia
Vietname Vietnã do Norte
FNL Flag.svg Viet Cong
Flag of Democratic Kampuchea.svg Khmer Vermelho
Flag of Laos.svg Pathet Lao
 China
Coreia do Norte



Apoio:
 União Soviética
 Cuba
Flag of the Czech Republic.svg Tchecoslovaquia
Polónia Polônia
Flag of Hungary (1949-1956).svg Hungria
Flag of the German Democratic Republic.svg Alemanha Oriental
Flag of Bulgaria (1971 – 1990).svg Bulgária
Comandantes
Vietname do Sul Nguyen Van Thieu
Vietname do Sul Ngo Dinh Diem
Vietname do Sul Nguyen Cao Ky
Vietname do Sul Ngo Quang Truong
Vietname do Sul Lam Quang Thi
Estados Unidos John Kennedy
Estados Unidos Lyndon Johnson
Estados Unidos Richard Nixon
Estados Unidos Gerald Ford
Estados Unidos Robert McNamara
Estados Unidos William Westmoreland
Estados Unidos Creighton Abrams
Coreia do Sul Park Chung-hee
Coreia do Sul Chae Myung-shin
Tailândia Thanom Kittikachorn
Vietname Le Duc Tho
Vietname Ho Chi Minh
Vietname Vo Nguyen Giap
Vietname Lê Duẩn
FNL Flag.svg Tran Van Tra
FNL Flag.svg Hoang Van Thai
FNL Flag.svg Nguyen Van Linh
FNL Flag.svg Nguyen Huu Tho
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Leonid Brejnev
China Mao Tse-Tung
Forças
~ 1 420 000 (1968)
Vietnã do Sul: 850 000
Estados Unidos: 536 100 (1969)
Coreia do Sul: 50 000
Nova Zelândia: 552
Tailândia e Filipinas: 10 450
Austrália: 7 672
~ 860 000 (1967)
Vietnã do Norte: 690 000 (janeiro de 1967, incluindo exército e Viet congs)
China: 170 000 (1969)
União Soviética: 3 000
Coreia do Norte: 300 - 600
Baixas
Militares:
Vietname do Sul 220 357 - 316 000 mortos e 1 170 000 feridos
Estados Unidos 58 220 mortos, 1 687 desaparecidos e 303 635 feridos
Coreia do Sul 5 099 mortos, 4 desaparecidos e 10 962 feridos
Austrália 521 mortos e 3 000 feridos
Nova Zelândia 37 mortos e 187 feridos
Militares:
borda‎ borda‎ 1 176 000 mortos ou desaparecidos e 600 000+ feridos
China 1 446 mortos e 4 200 feridos
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas 16 mortos
Civis:
borda‎ borda‎ 627 000 –
2 000 000 milhões (Civis mortos no Vietnã tem fontes diversas e díspares)
Camboja 200 000 - 300 000*
Laos 20 000 - 200 000*
*=nºaproximado

A Guerra do Vietnã (pt-BR) ou Guerra do Vietname (pt), (em Vietnamita: Chiến tranh Việt Nam; em inglês: Vietnam War), também conhecido como Segunda Guerra da Indochina,[3] chamada no Vietnã de Guerra de Resistência contra a América (em vietnamita: Kháng chiến chống Mỹ) ou simplesmente Guerra Americana, foi um grande conflito armado que aconteceu no Vietnã, Laos e Camboja de 1 de novembro de 1955 até a queda de Saigon em 30 de abril de 1975. Foi a segunda das Guerras da Indochina e foi oficialmente travada entre o Vietnã do Norte e o governo do Vietnã do Sul. O exército norte-vietnamita era apoiado pela União Soviética, China e outros aliados comunistas, enquanto os sul-vietnamitas eram apoiados pelos Estados Unidos, Coreia do Sul, Austrália, Tailândia, e outras nações anti-comunistas pelo Mundo.[4] Neste cenário, o conflito no Vietnã é descrito como uma guerra por procuração no auge da Guerra Fria.[5]

Os Viet Cong (também conhecidos como Frente Nacional de Libertação, ou FNL), uma organização comunista apoiada pelo Norte, travavam uma guerrilha contra o governo do Sul e outras forças anti-comunistas da região, enquanto o exército norte-vietnamita (conhecido também pela sigla em inglês NVA) travava uma luta mais convencional, ocasionalmente travando grandes batalhas tradicionais. Conforme a guerra progredia, as ações militares dos guerrilheiros Viet Congs foram perdendo força, enquanto as tropas do NVA se engajavam mais. Os exércitos dos Estados Unidos e do Vietnã do Sul tinham, notavelmente, maior poder de fogo, apoiados principalmente por sua supremacia aérea e tecnológica, contando com operações de procurar e destruir (search and destroy), envolvendo maciças unidades terrestres, de artilharia e avassaladores ataques aéreos. No curso da guerra, os Estados Unidos conduziram sistemáticas campanhas de bombardeio estratégico contra cidades do Vietnã do Norte, causando enorme devastação.

O governo do Vietnã do Norte e os Viet Congs estavam lutando para unificar o país. Eles viam o conflito como parte de uma guerra colonial e uma continuação direta da Primeira Guerra da Indochina, contra as forças da França e depois dos Estados Unidos. Já o governo americano lutava para evitar que o Vietnã do Sul se tornasse mais uma nação comunista. Isso fazia parte da chamada teoria do dominó e da mais abrangente política de contenção, com o objetivo final de deter o comunismo pelo mundo.[6]

No começo da década de 1950, conselheiros militares americanos foram enviados para a então Indochina Francesa.[7] O envolvimento dos Estados Unidos nos conflitos da região aumentou nos anos 60, com o número de tropas estacionadas no Vietnã triplicando de tamanho em 1961 e de novo em 1962.[8] Após o Incidente do Golfo de Tonkin, em 1964, onde um contratorpedeiro americano foi supostamente atacado por embarcações norte-vietnamitas, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução que deu autorização ao presidente americano para aumentar a presença militar do país no Vietnã e escalar o conflito. Unidades de combate americanas começaram a chegar em peso no país em 1965. A guerra rapidamente se expandiu, atingindo o Laos e o Camboja, que passaram a ser intensamente bombardeados pela força aérea dos Estados Unidos a partir de 1968, o mesmo ano que os comunistas lançaram a grande Ofensiva do Tet. Esta ofensiva falhou no seu objetivo de derrubar o governo sul-vietnamita e iniciar uma revolução socialista por lá, mas é considerado o ponto de virada da guerra, já que a população americana passou a questionar se uma vitória militar seria possível, com o inimigo capaz de lançar grandes ataques mesmo após anos de derramamento de sangue. Havia uma grande disparidade entre o que a imprensa americana e o governo falavam, com os dados apresentados por ambos geralmente contrastando. Nos Estados Unidos e no Ocidente, a partir do final dos anos 60, começou um forte sentimento de oposição a guerra como parte de um grande movimento de contracultura. A guerra mudou a dinâmica das relações entre os blocos Leste e Oeste, também alterando as divisões norte-sul do mundo.[9]

A partir de 1969, os Estados Unidos começaram o processo de "Vietnamização", que visava melhorar a capacidade militar do Vietnã do Sul de lutar a guerra por si só, sem apoio externo. Os americanos esperavam assim poder reduzir sua participação no conflito sem ter que comprometer o objetivo estratégico máximo de impedir a expansão do comunismo na região, transferindo a responsabilidade de lutar para os próprios sul-vietnamitas. Assim, no começo dos anos 70, os Estados Unidos começaram a retirar suas tropas do Vietnã. O que se seguiu, em janeiro de 1973, foi assinatura do Acordos de Paz de Paris, porém isso não significou o fim das hostilidades.

Envolvimento militar americano direto na Guerra do Vietnã foi encerrado formalmente em 15 de agosto de 1973. Não demorou muito tempo e na primavera de 1975, os norte-vietnamitas iniciaram uma grande ofensiva para anexar o Sul de uma vez por todas. Em abril de 1975, Saigon foi conquistada pelos comunistas, marcando o fim da guerra, com o Norte e o Sul do Vietnã sendo formalmente unificados no ano seguinte. O custo em vidas da guerra foi extremamente alto. O total de vietnamitas mortos, civis ou militares, varia de 966 000[10] a 3,8 milhões. Entre 240 000 e 300 000 cambojanos,[11][12] e 20 000 a 62 000 laocianos perderam a vida também. Já os americanos estimam suas perdas em 58 000 soldados mortos, mais de 300 mil feridos e 1 626 ainda desaparecidos em 1975. Para os Estados Unidos, a Guerra do Vietnã resultou numa das maiores confrontações armadas em que o país já se viu envolvido, e a derrota provocou a "Síndrome do Vietnã" em seus cidadãos e sua sociedade, causando profundos reflexos na sua cultura, na indústria cinematográfica e grande mudança na sua política exterior, até a eleição de Ronald Reagan, em 1980.[13]

Nomes para a guerra

Ver artigo principal: Terminologia da Guerra do Vietnã

Vários nomes foram aplicados ao conflito. Guerra do Vietnã é o nome mais comumente usado. Também tem sido chamado de Segunda Guerra da Indochina[14] e Conflito do Vietnã.

Como houve vários conflitos na Indochina, este conflito particular é conhecido pelos nomes de seus principais protagonistas para distingui-lo dos outros.[15] Em vietnamita, a guerra é geralmente conhecida como Kháng chiến chống Mỹ (Guerra de Resistência Contra a América), mas menos formalmente como 'Cuộc chiến tranh Mỹ' (A Guerra Americana). É também chamado de Chiến tranh Việt Nam (A Guerra do Vietnã).[16]

As principais organizações militares envolvidas na guerra foram, de um lado, o Exército da República do Vietnã (ARVN) e as Forças Armadas dos EUA, e, por outro lado, o Exército Popular do Vietnã (PAVN) (mais comumente chamado de Exército do Vietnã do Norte), e a Frente Nacional para a Libertação do Vietnã do Sul (FNL mais conhecido como Viet Cong em fontes da língua inglesa), uma força de guerrilha comunista do Vietnã do Sul.[17]