Guerra do Prata

Guerra do Prata
Parte da(o) Questão do Prata
Plate war 1851 52.JPG
Compilação de imagens da Guerra do Prata
Data18 de agosto de 1851-3 de fevereiro de 1852
LocalUruguai, Nordeste argentino e Rio da Prata
DesfechoVitória da Aliança liderada pelo Brasil
  • Fim do governo de Juan Manuel de Rosas
  • Hegemonia brasileira na Bacia do Prata
  • Manutenção da estabilidade na região
Combatentes
Flag of Brazil (1870–1889).svg Império do Brasil
Flag of Uruguay (Rivera).svg Gobierno de la Defesa
 Uruguai
Flag of Colorado Party (Uruguay).svg Colorados

Rebeldes Argentinos

Apoiados por:
Flag of Paraguay (1842-1954).svg Paraguai
Flag of Bolivia.svg Bolívia

Flag of the Argentine Confederation.svg Confederação Argentina
Flag of Uruguay (Oribe).svg Gobierno del Cerrito (Apenas em 1851)
Flag of Artigas.svg Federalistas
Flag of the National Party (Uruguay).svg Blancos
Principais líderes
Flag of Brazil (1870–1889).svg Pedro II
Flag of Brazil (1870–1889).svg Conde de Caxias
Flag of Brazil (1870–1889).svg John Pascoe Grenfell
Flag of Brazil (1870–1889).svg Manuel Marques de Sousa
Flag of Entre Rios (1820-1821).svg Justo José de Urquiza
Uruguai Eugenio Garzón
Uruguai José Miguel Galán
Flag of Unitarian Party (exiled).svg Bartolomé Mitre
Flag of the Argentine Confederation.svg Juan Manuel de Rosas
Flag of the Argentine Confederation.svg Ángel Pacheco
Flag of the Argentine Confederation.svg Lucio Norberto Mansilla
Flag of the National Party (Uruguay).svg Manuel Oribe
Flag of the National Party (Uruguay).svg Servando Gómez
Forças
+20 000 brasileiros,
+20 000 argentinos
2000 uruguaios
Total: 42.000 soldados
43 500 rosistas
Total:
43 500 soldados
Vítimas
600+ soldados[1]1200+ soldados[1]
7.000+ capturados

A Guerra do Prata,[2] também conhecida como Guerra contra Oribe e Rosas,[3] foi um episódio numa longa disputa entre Argentina, Uruguai e Brasil pela influência do Paraguai e hegemonia na região do Rio da Prata. A guerra foi travada no Uruguai, Rio da Prata e nordeste argentino de agosto de 1851 a fevereiro de 1852, entre as forças da Confederação Argentina e as forças da aliança formada pelo Império do Brasil, Uruguai e províncias rebeldes argentinas de Entre Rios e Corrientes.

A ascensão de Juan Manuel de Rosas como ditador argentino e a guerra civil no Uruguai após sua independência do Brasil geraram instabilidade na região do Prata, devido ao desejo argentino de ter Uruguai e Paraguai em sua esfera de influência, e posteriormente recriar o antigo Vice-reinado do Prata. Esses objetivos eram contrários à soberania brasileira, uma vez que o antigo vice-reinado era formado por terras pertencentes à província do Rio Grande do Sul, e aos interesses brasileiros de influência na região, que já haviam gerado a Guerra da Cisplatina e instigariam ainda outras duas guerras.

A Guerra do Prata terminou com a vitória aliada na Batalha de Monte Caseros em 1852, estabelecendo a hegemonia brasileira na região do Prata e gerando estabilidade política e econômica no Império do Brasil. Porém, a instabilidade nos outros países da região permaneceria, com as disputas internas entre partidos no Uruguai e uma guerra civil na Argentina pós-Rosas. Este conflito faz parte das chamadas Questões Platinas na História das Relações Internacionais do Brasil e como parte integrante da Guerra Grande nos países hispanófonos.[4]

Antecedentes

A ditadura de Juan Manuel de Rosas

Após um breve período de anarquia interna seguinte à Guerra da Cisplatina, Juan Manuel de Rosas foi eleito governador de Buenos Aires.[5] Conquanto Rosas detivesse, de jure tanto poder quanto os governadores das demais províncias, era o governante de facto da Confederação Argentina. Apesar de seus laços com os federalistas, uma facção que demandava maior autonomia para as províncias, Rosas manteve controle sobre as demais províncias argentinas através de negociações, subornos e pressões militares.[6] Isso foi possível uma vez que Buenos Aires era a província mais rica e populosa, e além disso, todo o carregamento comercial internacional das outras províncias tinha que passar por seu porto. Com a exceção de um curto período de 1832 até 1835, governou o país como um verdadeiro ditador[5] e, à medida que o tempo passava, seu governo tornava-se mais corrupto e despótico, agravando a situação interna e levando a uma emigração em massa de cerca de 14 000 unitaristas, adversários políticos que desejavam centralizar o país em Buenos Aires, para o Uruguai em uma tentativa de escapar das repressões.[7]

Rosas, assim como muitos de seus conterrâneos, desejava recriar o antigo Vice-Reino do Rio da Prata e tornar a Argentina a principal potência na América do Sul.[8][9][10][11] Para tanto, precisaria conquistar três nações soberanas: a Bolívia, o Uruguai e o Paraguai, além da maior parte da região sul do Brasil. Para atingir tal objetivo, o caudilho buscou possíveis aliados nos países vizinhos que pudessem colaborar com seus planos, envolvendo-se na política interna e econômica, financiando rebeliões e guerras civis.[12]

Para os argentinos, o Paraguai era somente uma província rebelde, apesar do mesmo considerar-se independente desde 1811, porém sem reconhecimento de nenhum outro país. O ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia considerava que a melhor forma de manter sua ditadura e também a independência do Paraguai frente à Argentina era isolar completamente o país de qualquer tipo de contato com o mundo exterior. Por esta razão, até 1840, o Paraguai não possuía contatos diplomáticos com nenhuma nação.[13] Com a morte de Francia, seu sucessor, Carlos Antonio López, assinou dois tratados em julho de 1841: um de Amizade, Comércio e Navegação e outro de Limites com a província argentina de Corrientes, que havia se sublevado contra o governo de Rosas. O ditador argentino procurou impedir o contato do Paraguai com o exterior para assim submetê-lo. Além da recusa em reconhecer a independência paraguaia, ele também criou entraves a seu comércio uma vez que controlava a navegação do Rio Paraná.[14]

A Guerra Grande

Ver artigo principal: Guerra Grande

A antiga província brasileira Cisplatina passou a chamar-se oficialmente de República Oriental do Uruguai após a promulgação de sua constituição em 1830. Logo em seguida, Fructuoso Rivera foi eleito como seu primeiro presidente. Rivera tinha um rival chamado Juan Antonio Lavalleja, conhecido por ter declarado a independência da província Cisplatina com o apoio dos chamados "Trinta e Três Orientais". Da rivalidade entre ambos os caudilhos surgiram dois partidos no Uruguai: o Blanco, agrupando os correligionários de Lavalleja, e o Colorado, os partidários de Rivera. A tensão entre os dois líderes uruguaios chegou ao ápice quando Lavalleja se rebelou na tentativa de tomar o poder à força de seu rival. O revoltoso logo descobriu que o ditador do país vizinho, Juan Manuel de Rosas, estaria interessado em ajudá-lo financeiramente e militarmente.[5]

Em 1832, Lavalleja passou a receber contribuição[15] do estancieiro rio-grandense Bento Gonçalves e ambos invadiram o Uruguai onde praticaram saques e assassinatos.[16] Gonçalves havia sido convencido por Rosas a se rebelar contra o governo brasileiro e deixar a província do Rio Grande do Sul ser anexada pela Argentina onde poderia governá-la como ditador.[17][18]

Rivera cumpriu seu mandato presidencial e Manuel Oribe, do partido Blanco, foi eleito em março de 1835 para sucedê-lo.[16][19] No início, o novo presidente se opôs à anarquia causada por Bento Gonçalves e Lavalleja, mas três anos depois viria a se aliar aos revoltosos.[17] Rivera também rebelou-se, mas acabou sendo derrotado militarmente, e partiu para o Rio Grande do Sul, onde se aliou aos farrapos, até então aliados de Rosas.[20] Eles invadiram o Uruguai e conquistaram a maior parte do país, com a exceção da capital Montevidéu. Derrotado, Oribe partiu para a Argentina após renunciar à sua posição como presidente uruguaio.[21] Rivera foi reeleito presidente em 1838 e como represália Rosas enviou um exército liderado por Lavalleja que foi rapidamente derrotado. Após essa frustrada ação, Lavalleja retirou-se definitivamente do conflito, não mais participando da guerra civil de seu país.[22]

O ditador argentino enviou um outro exército, formado por tropas argentinas e uruguaias sob o comando de Oribe,[19] que derrotaram as forças de Rivera e decapitaram os vencidos. Rivera foi um dos únicos que conseguiu escapar do massacre[23] e partiu para o exílio no Rio de Janeiro.[24][25] O governo uruguaio elegeu Joaquín Suárez para sucedê-lo como presidente e resistiu ao cerco da capital.[22] Os aliados de Oribe assassinaram mais de 17 000 uruguaios e 15 000 argentinos.[26] Com a quase totalidade do território uruguaio em seu poder, Oribe permitiu que seus aliados invadissem o sul do Brasil, roubando gado, assaltando estâncias e assassinando cidadãos brasileiros.[25] Mais de 188 fazendas brasileiras foram atacadas, enquanto 814 000 bois e 16 950 cavalos foram roubados.[27] Francisco Pedro de Abreu, o barão de Jacuí, decidiu por conta própria realizar represálias contra o Uruguai organizando investidas que se tornaram conhecidas como califórnias[28][29] em homenagem à lucrativa corrida do ouro na Califórnia ,[4] ou à violência que aconteceu nos Estados Unidos durante sua expansão ao oeste.[30] O apoio de Rosas aos Blancos contra os Colorados e a instabilidade decorrente na região levou as duas maiores potências da época, França e Grã-Bretanha, a declararem guerra à Argentina. Por repetidas vezes Buenos Aires sofreu o ataque das esquadras anglo-francesas e teve seu porto bloqueado em várias ocasiões. O governo argentino foi capaz de resistir, forçando as duas potências a assinarem um acordo de paz em 1849.[10]

Pronunciamento de Urquiza

Ver artigo principal: Pronunciamento de Urquiza

Com o crescimento das tensões entre Entre Ríos e a província de Buenos Aires, o caudilho Justo José de Urquiza fez um pronunciamento contra o governo de Rosas e pedindo sua renúncia, este ato foi considerado uma declaração de guerra pelo governo de Rosas. O governador de Corrientes, Benjamín Virasoro, aceitou e apoiou a declaração de Urquiza, se tornando assim, mais um inimigo de Rosas.

Reação do Império do Brasil

O Império do Brasil era o país mais rico e poderoso da América Latina[31] e, ao contrário das outras nações latinas, não sofria nas mãos de caudilhos, ditadores ou golpes de estado. Durante a menoridade do imperador Dom Pedro II, atravessou um período de rebeliões internas causadas pelas disputas por poder entre facções regionais em algumas províncias.[32] Uma destas, a Guerra dos Farrapos liderada por Bento Gonçalves, iniciou-se como mais uma disputa entre grupos políticos na província de Rio Grande do Sul, mas logo evoluiu para uma rebelião separatista financiada por Rosas. Entretanto, a maior parte da sua população, assim como as maiores e mais prósperas cidades, permaneceram leais ao Império.[33] Pedro II foi capaz de restaurar a ordem, perdoando os rebeldes e pacificando a nação. Até mesmo o rebelde derrotado Bento Gonçalves, ele próprio um monarquista convicto,[34] jurou lealdade ao Imperador em pessoa quando este último visitou a província do sul do Brasil em 1845.[35]

Os membros do Gabinete Nacional não chegaram a um acordo sobre o que fazer com Rosas, alguns ministros defendendo uma solução pacífica a todo custo e outros que acreditavam que só restava a alternativa militar. Para o Brasil, um vizinho republicano poderoso na região, como a Argentina poderia se tornar caso conseguisse cumprir seus planos, era visto como uma ameaça à soberania do Paraguai e Uruguai. A manutenção da independência de ambos os países era vital para o Império, que temia uma possível nacionalização dos rios platinos por parte da Argentina, o que impossibilitaria a comunicação entre a província do Mato Grosso com a capital brasileira.[36][37] Também não interessava ao Império a ampliação da fronteira com a Argentina, pois acreditava que isso facilitaria uma eventual agressão por parte de Rosas.[36][38]

Em 1849, o Presidente do Conselho de Ministros, o antigo regente e inflexível partidário da paz a qualquer custo, Pedro de Araújo Lima, futuro marquês de Olinda, temia a guerra, pois acreditava que o Brasil não estava preparado e uma possível derrota poderia vir a abalar a própria monarquia. Ele acreditava que se o Brasil entrasse em uma guerra contra a Argentina, poderia levar a uma situação similar àquela ocorrida vinte anos antes, quando a perda da Cisplatina contribuiu como uma das causas para a abdicação de Dom Pedro I. Sabendo que havia se tornado um estorvo não só para os demais ministros, mas também para o próprio Imperador, Lima pediu demissão. Um novo gabinete foi formado, sendo presidido por José da Costa Carvalho, futuro marquês de Monte Alegre e para a pasta de Negócios Estrangeiros, foi nomeado Paulino de Souza, futuro visconde do Uruguai, que era decididamente a favor da guerra contra a Argentina.[39]

O novo Conselho de Ministros optou por uma alternativa arriscada a fim de resolver a complicada situação na região platina. Ao invés de fortalecer o Exército Brasileiro através de conscrição e recrutamento geral, preferiu enviar um contingente razoável para o sul. O Brasil possuía a vantagem de uma marinha poderosa e moderna, e exército profissional sólido e com experiência suficiente devido aos anos de guerras internas e externas.[40] Nenhum outro país na América do Sul tinha marinhas reais ou exércitos regulares até então.[41] As tropas argentinas de Rosas e os uruguaios de Oribe foram formados quase em sua totalidade por assassinos dos caudilhos que os apoiavam. Entretanto, havia o fato do Brasil ter recentemente saído de um período turbulento e não estar em condições de assumir a responsabilidade pela luta de uma guerra. Então, preferia usar as táticas do inimigo e financiar oponentes, para enfraquecê-lo interna e externamente.[9][42]

A aliança contra Rosas

Justo José de Urquiza, governante da província argentina de Entre Rios, rebelou-se contra a concentração do poder em Buenos Aires por Rosas.

O governo brasileiro enviou uma embaixada à região liderada por Honório Hermeto Carneiro Leão, futuro marquês do Paraná, e assistida por José Maria da Silva Paranhos, futuro visconde de Rio Branco. Eles assinaram um tratado de aliança com a Bolívia que, apesar de não enviar tropas para a guerra, não seria uma potencial frente de batalha e optou por proteger suas fronteiras contra um ataque eventual de Rosas.[43] Em 1844, José Antônio Pimenta Bueno chegou ao Paraguai, como primeiro encarregado de negócios brasileiros neste país e, no dia 14 de setembro do mesmo ano, assinou o ato de reconhecimento da independência paraguaia, sendo o Brasil o primeiro país a fazê-lo. O Brasil estabeleceu excelentes relações com o Paraguai, e o embaixador Pimenta Bueno também se tornou um conselheiro de López.[14] Um tratado entre os dois países foi assinado em 1850 no qual o Paraguai se comprometia a fornecer ao Império cavalos para seu exército.[38] Entretanto, o ditador paraguaio Carlos Antonio López se recusou a enviar tropas para combater Rosas uma vez que acreditava que Justo José de Urquiza também desejava anexar o seu país.[44]

Luís Alves de Lima e Silva, Conde de Caxias (futuro Duque de Caxias), assumiu a presidência do Rio Grande do Sul e o comando das quatro divisões do exército brasileiro alocadas na província.[30] Desde 1849, o governo imperial auxiliava diretamente o sitiado governo legal uruguaio em Montevidéu e, após isso, procurou por apoio interno contra Rosas na Argentina. Em 6 de setembro de 1850, o representante uruguaio, Andrés Lamas, assinou um acordo com Irineu Envagelista de Souza, futuro visconde de Mauá, que fora encarregado pelo governo imperial de realizar os fornecimentos em dinheiro para o governo do Uruguai através de seu banco.[38][45] Em 25 de dezembro de 1851[45] o Império brasileiro assinou um tratado de aliança defensiva com o governo paraguaio.[46] Em 16 de março de 1851, o Império do Brasil declarou publicamente que auxiliaria o Uruguai contra o exército liderado por Oribe, algo que já vinha sendo feito secretamente por mais de dois anos. A notícia não agradou o governo argentino e isto iniciou preparações próprias para a guerra.[46][47]

Pouco mais de um mês depois, em 1 de maio, a província argentina de Entre Ríos, governada por Justo José de Urquiza declarou a Rosas que "era vontade de seu povo reassumir o inteiro exercício de sua soberania e os poderes que delegara ao governador de Buenos Aires", seguida pela província de Corrientes, governada por Virasoro que também realizou o mesmo pronunciamento.[48] Tal declaração era de caráter essencialmente econômico, uma vez que Entre Ríos exigia a livre navegação dos rios, considerada de suma importância para o crescimento de sua economia, pois permitiria o intercâmbio de produção com o exterior sem a necessidade de passar por Buenos Aires.[49] O Brasil então enviou uma força naval para a região do Prata, que se concentrou em quase toda a totalidade no porto de Montevidéu. Para comandá-la, foi nomeado o britânico Chefe-de-Esquadra, John Pascoe Grenfell, veterano da Guerra da independência do Brasil e da Guerra da Cisplatina.[43] Ele alcançou Montevidéu em 4 de maio de 1851 e assumiu o comando da Esquadra Brasileira composta pelas corvetas União, Dona Januária, Dona Francisca, Berenice, Euterpe, Baiana e Bertioga; brigues Éolo, Calíope e Capibaribe; e vapores Dom Afonso, Dom Pedro, Pedro II, Golfinho, Recife e Paranense.[50] A marinha brasileira possuía um total de 59 embarcações de vários tipos em 1851: 36 barcos a vela armados, dez barcos a vapor armados, sete barcos a vela desarmados e seis transportes de navegação.[51]

Em 29 de maio de 1851 foi assinado um tratado de aliança ofensiva entre o Uruguai, Brasil e as províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes. Seu texto declarava que o objetivo da aliança era manter a independência uruguaia e pacificar seu território, expulsando as tropas comandadas por Oribe.[52] Urquiza ficou com o comando das forças argentinas dissidentes e as uruguaias ficaram sob as ordens do general Eugenio Garzón, ambos recebendo ajuda financeira e bélica do Império do Brasil.[50] Em 2 de agosto de 1851, desembarcou a primeira força brasileira a pisar em território uruguaio: cerca de 300 soldados do 6º Batalhão de Caçadores que haviam sido designados para a guarnição do Fuerte del Cerro.[53] Juan Manuel de Rosas consequentemente declarou guerra contra o Brasil em 18 de agosto de 1851.[54]

Segundo Herrera y Obes, Rosas, ante os preparativos de guerra, teria dito: "pobres brasileiros, vou fazer do Imperador deles meu mordomo".[55]