Gregos
English: Greeks

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Gregos

(Έλληνες)

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População total

 14 – 17 milhões (est.)

Regiões com população significativa
 Grécia10 964 020 (2001)
Estados Unidos Estados Unidos1 213 807 (2001) - cerca de 3 000 000 afirmam ter ascendência grega[1][2]
 Chipre689 471 (2001, na região controlada pelo governo)
 Austrália375 703 (2001)[3]
 Alemanha370 000 (est. 2006)[4]
 Reino Unido300 000 (est.)[5]
 Canadá215 105 (2001)
 Rússia97827 (2002)[6]
 Chile90 000 - 120 000 (est. 2008)[7]
 Ucrânia81 500 (2001)[8]
 Albânia58 785 (1989)[9]
 Brasil50 000 (2001)
Línguas
Grego (Ελληνικά, Elliniká)
Religiões
Predominantemente a Ortodoxia Grega. Há também minorias de católicos romanos, protestantes, muçulmanos e ateus.

Tópicos indo-europeus

Línguas indo-europeias
Albanês · Anatólio · Armênio · Báltico · Céltico
Dácio · Germânico · Grego · Ilírico · Indo-iraniano
Itálico · Frígio · Eslavo · Trácio · Tocariano
 
Povos indo-europeus
Albaneses · Anatólios · Armênios · Bálticos
Celtas · Gregos · Ilírios · Indo-arianos
Indo-iranianos · Iranianos · Ítalos · Eslavos · Trácios
Tocarianos

 

Protoindo-europeus
Língua · Sociedade · Religião
 
Hipóteses Urheimat
Hipótese Kurgan · Hipótese anatólia
Hipótese armênia · Hipótese indiana · TCP
 
Estudos indo-europeus

Os gregos ou helenos (em grego: Έλληνες, transl.: Éllines, "helenos") são uma nação e um grupo étnico que tem habitado a Grécia desde o século XVII a.C.. Atualmente eles são principalmente encontrados na península grega do sudeste da Europa, nas ilhas gregas e em Chipre.

Colônias e comunidades gregas foram historicamente estabelecidas em vários pontos do Mediterrâneo, mas o povo grego esteve sempre centralizado em torno do mar Egeu, onde a língua grega tem sido falada desde a antiguidade. Até o começo do século XX, estavam uniformemente distribuídos entre a península grega, a costa ocidental da Ásia Menor, Ponto e Constantinopla, regiões que coincidem com a grande extensão das fronteiras do Império Bizantino no final do século XI e as áreas de colonização grega no mundo antigo. Como consequência da Guerra Greco-Turca (1919-1922) em 1923, uma troca populacional em larga escala aconteceu entre a Grécia e a Turquia transferiu e confinou os gregos étnicos quase inteiramente dentro das fronteiras do moderno estado grego, isto é, nas regiões onde grupos de indo-europeus falantes de grego primeiro se estabeleceram por volta de 1 500 a.C., assim como em Chipre. Outras populações de gregos étnicos podem ser encontradas do sul da Itália ao Cáucaso e comunidades dispersas em vários países. Hoje, a grande maioria de gregos pertence, pelo menos nominalmente, à Ortodoxia Grega.[10]

Identidade do povo grego

A língua grega tem sido falada na península balcânica por cerca de 3500 anos (e no oeste da Ásia Menor por um pouco menos),[11] e possui uma história literária contínua que faz dela uma dos mais antigos ramos sobreviventes da família de línguas indo-européias. Dos antigos gregos, os gregos modernos herdaram uma cultura sofisticada e uma língua documentada por quase três milênios.[12] O grego moderno é de forma reconhecível a mesma língua de Atenas sob Péricles no século V a.C. Poucas línguas podem demonstrar tal continuidade.

Os termos usados para definir o que é ser grego tem variado através da história. Pelos padrões ocidentais, o termo "gregos" refere-se tradicionalmente a qualquer falante nativo da língua grega (micênico, bizantino ou grego moderno). Os gregos bizantinos valorizaram a tradição clássica, considerando a si mesmos os herdeiros políticos de Roma e herdeiros étnicos, culturais e literários da antiga Grécia. O uso do antigo termo étnico auto-descritivo "helenos" foi revivido durante a era seguinte aos embates greco-latinos entre o Império Bizantino e os cruzados ocidentais no século XII. O termo ganhou popularidade através de seu uso pelos últimos imperadores bizantinos e por acadêmicos tais como Gemistus Pletho e Ciriaco Pizzicolli. O termo tornou-se claramente comum com o florescimento, no final do século XVIII, da nação-estado e de sua gradual consolidação, mas apenas no começo do século XX o uso popular foi firmemente restabelecido.

Os gregos hoje são uma nação no sentido de um grupo étnico (έθνος, em grego), definido pelo senso de compartilhamento da cultura grega e tendo uma língua materna grega. Todavia, os gregos também são definidos como um geno (γένος, em grego), no sentido de que eles também dividem um ancestral comum. A palavra "grego" também se referia aos habitantes cristãos ortodoxos orientais de Mileto do Império Otomano.

A Grécia se tornou o primeiro país dos Bálcãs a existir como nação-estado independente do Império Otomano. O movimento revolucionário grego formou sua própria definição de ser grego independente da herança cultural bizantina e grega antiga e junto com as influências do nacionalismo ocidental. Isto atraiu a ajuda estrangeira dos amantes da cultura grega.

Gregos micênicos

Os proto-gregos micênicos foram o primeiro povo histórico a chegar à região agora conhecida como Grécia (o extremo sul da península Balcânica), e os primeiros que podem ser considerados gregos etnicamente. Há claros elementos de continuidade cultural durante a Idade das Trevas da Grécia (1 200 - 800 a.C.) até o advento da Idade Clássica (de 800 a.C. em diante) e o surgimento da pólis e em particular Atenas. Por exemplo, nos poemas épicos de Homero, a Ilíada e a Odisseia - que descreve a épica batalha de Troia - está completamente claro que ele observa os gregos da pré-história como os antepassados da civilização clássica a qual ele pertencia, e Aquiles e Ulisses eram vistos pelos atenienses, da mesma forma que outros, como exemplos básicos do cidadão ideal de uma pólis, da mesma forma que Eneias se tornaria o cidadão ideal de Roma na Eneida de Virgílio.

Estes elementos de auto-identificação por si só constituem claramente continuidade cultural, mas há outros elementos também que solidificam esta idéia: primeiro, a arquitetura micênica mostra influências de outras civilizações do vale, assim como o próprio estilo particular micênico (devido às limitações da geografia da região (ver: geografia da Grécia) que levaria eventualmente à formação da arquitetura clássica grega e da arquitetura helenística, como, por exemplo, as ruínas das colunas de Cnossos que mostram uma versão muito arcaica do estilo dórico de arquitetura tão amplamente usado no período clássico.

A religião é outro fator, com o panteão de deuses micênico refletindo de muitas formas no panteão dos gregos clássicos. Esta influência definiu não apenas a cultura, mas também parte do sistema de valores dos gregos clássicos assim como sua arte. Há também nítida continuidade linguística entre o idioma falado pelos proto-gregos e os vários dialetos da Grécia Clássica. Particularmente, a escrita linear B é nitidamente uma forma arcaica da escrita koiné posterior.

Estes elementos combinados juntos não equivalem a dizer que sejam o mesmo emissor cultural e continuador que os gregos modernos percebem dos períodos clássico, helenístico e bizantino da história grega, mas que todavia constituem o princípio da identidade grega, e a fundação da religião pagã grega, língua, arquitetura e arte.

Gregos clássicos e helenísticos

Kouros do período arcaico, Museu Arqueológico de Tebas

Heródoto afirma que os atenienses declararam, antes da batalha de Platéias, que eles não atacariam Mardônio, porque, em primeiro lugar, eles estavam obrigados a vingar o incêndio da Acrópole e depois, eles não trairiam seus companheiros gregos, a quem eles estavam ligados por:

Uma língua comum (ὁμόγλωσσον - homoglosson: o uso de um dos dialetos da língua grega), o mesmo sangue (ὅμαιμον - homaimon: descendentes de Heleno, filho de Deucalião), santuários, estátuas e sacrifícios comuns (prática da religião grega antiga - comparada ao termo grego cristão e demótico ὁμόθρησκον - omothriskon) e hábitos e costumes comuns.

Tucídides observa que o nome Hélade se difundiu a partir de um vale na Tessália para os povos falantes de grego após os textos de Homero, não muito tempo antes de sua própria época. Isto coloca a opinião no Período Arcaico, quando os gregos descobriram que o mundo era mais amplo, mais rico e mais culto do que eles imaginavam. A guerra de Troia de Homero é, sem dúvida, um conflito entre gregos: os troianos falam grego (apesar de a maioria dos historiadores modernos acreditar que eles eram muito provavelmente um povo da Anatólia, baseados principalmente nas últimas traduções realizadas), têm nomes gregos e adoram os deuses gregos; e Príamo é descendente de Zeus. Os cários são o único povo que Homero considera barbarófonos (barbarophonoi).

Heleno, filho de Deucalião, uniu em um grupo as pequenas tribos que participaram da Liga Anfictiônica, como os eólios, os aqueus e os dóricos.

Por volta do século V a.C., Isócrates, após falar de origens e cultos comuns, disse: "o nome helenos sugere não qualquer raçam mas uma sabedoria, e… o título helenos é empregado preferencialmente àqueles que compartilham nossa cultura mais do que àqueles que compartilham nosso sangue".[13]

Após o século IV a.C. e a conquista de Alexandre o Grande do leste, o grego se tornou uma lingua franca de toda a região do Mediterrâneo oriental e era amplamente falada por não-gregos instruídos.

Gregos bizantinos

Após a criação do Império Bizantino, a cultura grega se transformou de helênica (paganismo grego) em romana oriental (cultura grega cristã), e a palavra "heleno" passou a ser associada ao passado pagão. Diferenças de nacionalidade ainda existiam no império, mas se tornaram secundárias em referência às considerações religiosas, porque o renovado império usava o cristianismo para manter sua coesão. No entanto, o Império Bizantino foi dominado pelo elemento grego tanto que o imperador Heráclio (r. 610–641) decidiu fazer do grego a língua oficial. A partir de então, as culturas grega e romana foram virtualmente fundidas no oriente. Naquela época, os latinos ocidentais começaram a se referir a Bizâncio como "Império dos Gregos" (Imperium Graecorum).

O nacionalismo grego ressurgiu no século XI dentro de círculos específicos e se tornou mais poderoso após a queda de Constantinopla ante os cruzados da Quarta Cruzada em 1204, e o estabelecimento de vários reinos gregos (como o Império de Niceia e o Despotado de Epiro). Quando o império foi restaurado em 1261, tornou-se essencialmente um estado nacional grego. A adesão aos ritos da ortodoxia grega e à língua grega tornou-se nas características definitivas do povo grego.

Gregos no Império Otomano

Sob o Império Otomano, a religião era a característica determinante dos grupos "nacionais" (milletler), e então os "gregos" (Rumlar) eram definidos pelos otomanos como os membros da Igreja Ortodoxa Grega, sem levar em consideração sua língua ou origem étnica. Reciprocamente, aqueles que adotaram o Islã neste período, eram considerados "turcos", também sem se levar em consideração língua ou origem étnica. Mesmo assim, os gregos sustentavam o conceito autocéfalo segundo o qual eles mantinham sua unidade étnico-religiosa e consistentemente se distinguiam das outras populações cristãs ortodoxas não-gregas. Todavia, alguns gregos como Alexandros Ypsilantis, supunha que populações não-gregas como os moldávios e os valáquios lutassem pela independência grega por pertenceram à Igreja Ortodoxa Grega. Porém, tanto modávios quanto valáquios eram conhecedores de suas identidades não-gregas e se recusaram a contribuir com a causa.

Independência moderna

Heroína grega Laskarina Bouboulina

A forte relação entre a identidade nacional grega e a religião ortodoxa grega continuou após a criação do moderno estado grego em 1830, e quando o Tratado de Lausanne foi assinado entre Grécia e Turquia em 1923, os dois países concordaram em usar a religião como o determinante da identidade étnica. Todavia, em muitas considerações importantes, o estado grego se uniu a partir de sua fundação em torno dos princípios seculares. Por exemplo, aos judeus foram garantidos plenos direitos civis em 1830, ano no qual a independência grega foi plenamente reconhecida, assim fazendo da Grécia o segundo estado da Europa (após a França) com uma comunidade judaica emancipada.

Hoje, a profunda integração da Grécia no sitema estratégico ocidental e os efeitos das migrações (tanto a emigração da Grécia nas décadas de 1950 e 1960, como a imigração para a Grécia nos últimos anos) têm levado ao sentimento de multiculturalismo similar àqueles das nações européias ocidentais.