Gibraltar


Gibraltar
Bandeira
Coat of arms of Gibraltar1.svg
Lema: God protect that beloved nation
(Inglês: Deus proteja essa nação adorada)
Hino nacional: Hino de Gibraltar
Gentílico: Gibraltino

Localização

Localização de Gibraltar (em vermelho)
Localização na União Europeia (em branco)
Localização na Europa (em cinza)
CapitalGibraltar
Língua oficialInglês
Outras línguasCastelhano e llanito
GovernoTerritório Britânico Ultramarino
 - MonarcaIsabel II
 - GovernadorEdward Davis
 - Ministro-chefeFabian Picardo
 - Presidente do ParlamentoAdolfo J. Canepa
História 
 - Captura4 de agosto de 1704 
 - Transferência de Soberania11 de abril de 1713 
 - Dia Nacional10 de setembro 
 - Dia da Constituição29 de janeiro 
Entrada na UE1 de Janeiro de 19731
Área 
 - Total6.8 km² 
 - Água (%)0
 FronteiraEspanha
População 
 - Estimativa para 201532 194 hab. (209.º)
 - Urbana (n/a.º)
 - Densidade4328 hab./km² (3.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2010
 - TotalUS$ £914 milhões 
 - Per capitaUS$ £27468 
MoedaLibra de Gibraltar (GIP)
Fuso horárioUTC+1 (UTC+1)
 - Verão (DST)UTC+2 (UTC+2)
Cód. Internet.gi
Cód. telef.+350
Website governamentalgibraltar.gov.gi

Mapa

1Como Território Especial do Reino Unido.

Gibraltar (pronúncia em português europeu[ʒibɾaɫˈtaɾ]; pronúncia em português brasileiro [ʒibɾawˈtaʁ][nota 1]; pronúncia em inglês[dʒɨˈbrɔːltər]; pronúncia em castelhano[xi.βɾal'taɾ]; pronúncia em llanito[hi.βɾaɾ'ta(:), hi'βɾaɾ.ta(:)]) é um território britânico ultramarino localizado no extremo sul da Península Ibérica. Corresponde a uma pequena península, com uma estreita fronteira terrestre a norte, é limitado, dos outros lados, pelo Mar Mediterrâneo, Estreito de Gibraltar e Baía de Gibraltar, já no Atlântico. A Espanha mantém a reivindicação sobre o Rochedo, o que é totalmente rejeitado pela população gibraltina.[1][2]

O nome Gibraltar origina-se na expressão árabe jabal al-Tariq (ﺨﺒﻝﻄﺭﻕ) que significa "montanha do Tárique". A montanha, um promontório militarmente estratégico na entrada do mar Mediterrâneo, guarnece o estreito oceânico que separa a África do continente europeu. O nome é uma homenagem ao general berbere Tárique que no ano de 711 d.C. aí desembarcou, iniciando a conquista do reino visigótico.[3]

Antes foi chamado pelos fenícios de Calpe, uma das Colunas de Hércules.[4] Popularmente, Gibraltar é chamada de "Gib" ou "The Rock" (o Rochedo).

História

Gibraltar: pista do aeroporto, estádio Vitória e zona da fronteira
Derrota das baterias flutuantes por John Singleton Copley - climax do Grande Cerco de Gibraltar em 1782. Eliot está montado no cavalo branco

A região de Gibraltar tem seus primeiros sinais de ocupação humana datados entre 128 mil e 34 mil anos antes de Cristo, inclusive com a presença dos extintos homens neandertais. Ao longo da História, outros povos habitaram o local: cartagineses, romanos, vândalos, muçulmanos e espanhóis. Em 1462, os espanhóis (de religião católica) expulsaram os muçulmanos num episódio de reconquista territorial. Atualmente, o brasão e a bandeira evocam o antigo reino de Castela.[5]

Uma força anglo-neerlandesa liderada por Sir George Rooke apoderou-se de Gibraltar em 1704. O território foi cedido à Grã-Bretanha pela Espanha no Tratado de Utrecht em 1713, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola. Nesse tratado, Espanha cedeu à Inglaterra "… a total propriedade da cidade e castelo de Gibraltar, junto com o porto, fortificações e fortes (…) para sempre, sem qualquer exceção ou impedimento."[6]

Apesar de tudo, o tratado de cessão estipula que nenhum comércio por terra entre Gibraltar e a Espanha deve ocorrer, exceto para provisões em caso de emergência se Gibraltar não conseguir ser abastecida por mar. Uma condição especial nesse tratado é que "nenhuma permissão deve ser dada sob qualquer pretexto, tanto a judeus quanto a mouros, para morarem ou terem residência na dita cidade de Gibraltar". Ambas restrições foram rapidamente ignoradas, sendo que por muitos anos tanto judeus quanto árabes moraram pacificamente em Gibraltar, e em 1882 foi criada a Câmara de Comércio de Gibraltar.[7] O final do artigo X do Tratado indica que se à Coroa britânica "lhe parecer conveniente dar, vender ou dispor, de qualquer modo, a propriedade da dita Cidade de Gibraltar, foi acordado e concordado por este Tratado, que se dará a Coroa de Espanha a primeira ação antes que outros para a redimir."[8]

Em junho de 1779 as forças combinadas de Espanha e França montaram um cerco a Gibraltar após a assinatura do terceiro Pacto de Família com o fim de contrariarem a suposta superioridade britânica, enfraquecer o seu poderio no Mediterrâneo, e reconquistar Minorca. Sob o comando do general George Eliott estavam cinco mil soldados que se opuseram ao cerco formado por terra e mar. Este foi levantado apenas a 7 de fevereiro de 1783, sem que tivessem as forças franco-espanholas tomado Gibraltar, o que foi tomado no Reino Unido como uma grande vitória militar. Eliott foi tornado cavaleiro e agraciado com o novíssimo título de Barão Heathfield de Gibraltar.[9]

Durante a ditadura fascista de Francisco Franco, apesar de terem sido levadas a cabo negociações com o Alemanha Nazi para uma possível invasão, as fronteiras do "rochedo" mantiveram-se encerradas, e durante a Segunda Guerra Mundial albergaram as tropas da Força H da Marinha Real Britânica, bem como o quartel-general do General Dwight D. Eisenhower.[10]

No início dos anos 60 do séc. XX, o governo espanhol levantou a "questão de Gibraltar" perante a Comissão de Descolonização das Nações Unidas e a Assembleia Geral aprovou as resoluções 2231, de 1966 e 2353, de 1967, que pediam o início das conversações entre Espanha e Reino Unido para por fim a situação colonial de Gibraltar, salvaguardando os interesses do povo de Gibraltar. Em resposta a estas resoluções, as autoridades de Gibraltar apelaram o direito à autodeterminação e o Reino Unido organizou um referendo em 1967 para os gibraltinos, em que 99,64% dos eleitores manifestaram a sua vontade de permanecer sob soberania britânica, o que também foi interpretado adicionalmente como uma rejeição ao regime franquista. [11]

A abertura da fronteira e o intercâmbio de bens voltou a ser possível em dezembro de 1982.[12] Mais recentemente, num segundo referendo que ocorreu em novembro de 2002, 99% dos votantes rejeitaram qualquer proposta de partilha de soberania entre o Reino Unido e Espanha. No entanto, os gibraltinos têm procurado um status mais avançado e um relacionamento com o Reino Unido que reflita o presente nível de autogoverno. Uma nova constituição para o território foi aprovada por uma maioria de 60% em 2006.[13]

Em julho de 2009 o ministro dos Negócios Estrangeiros de Madrid, Miguel Ángel Moratinos (PSOE), fez uma visita histórica a Gibraltar, pela primeira vez em 300 anos um ministro espanhol visitou o "rochedo", e levou a cabo negociações sobre diversas matérias, não deixando, contudo, de reclamar a soberania de Espanha, apesar das ruas estarem engalanadas pelos moradores com bandeiras britânicas e gibraltinas.[14]