Gestalt

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Cubo de Necker e o Vaso de Rubin, dois exemplos utilizados na gestalt.

A gestalt (guès) (do alemão Gestalt, "forma"), também conhecida como gestaltismo (gues), teoria da forma, psicologia da gestalt, psicologia da boa forma e leis da gestalt, é uma doutrina que defende que, para se compreender as partes, é preciso, antes, compreender o todo.[1][2] Refere-se a um processo de dar forma, de configurar "o que é colocado diante dos olhos, exposto ao olhar". A palavra gestalt tem o significado "de uma entidade concreta, individual e característica, que existe como algo destacado e que tem uma forma ou configuração como um de seus atributos".[3]

A gestalt, ou psicologia da forma, surgiu no início do século XX e, diferente da gestalt-terapia, criada pelo psicanalista berlinense Fritz Perls (1893-1970), trabalha com dois conceitos: super-soma e transponibilidade. O filósofo austríaco Cristian von Ehrenfels apresentou esses critérios pela primeira vez em 1890, na Universidade de Graz.

Um dos principais temas trazido por ela é tornar mais explícito o que está implícito, projetando na cena exterior aquilo que ocorre na cena interior, permitindo assim que todos tenham mais consciência da maneira como se comportam aqui e agora, na fronteira de contato com seu meio.Trata-se de seguir o processo em curso, observando atentamente os “fenômenos de superfície” e não mergulhando nas profundezas obscuras e hipotéticas do inconsciente – que só podem ser exploradas com a ajuda da iluminação artificial da interpretação.

De acordo com a teoria gestáltica, não se pode ter conhecimento do "todo" por meio de suas partes, pois o todo é outro, que não a soma de suas partes: "(...) 'A+B' não é simplesmente '(A+B)', mas sim, um terceiro elemento 'C', que possui características próprias". Segundo o critério da transponibilidade, independentemente dos elementos que compõem determinado objeto, a forma é que sobressai: as letras r, o, s, a não constituem apenas uma palavra em nossas mentes: "(...) evocam a imagem da flor, seu cheiro e simbolismo - propriedades não exatamente relacionadas às letras."

Um dos seus principais representantes foi Max Wertheimer (1880-1943). Wertheimer demonstrou que quando a representação de determinada frequência não é transposta se tem a impressão de continuidade e chamou o movimento percebido em sequência mais rápida de "fenômeno phi". A tentativa de visualização do movimento marca o início da escola mais conhecida da psicologia da gestalt e seus pioneiros, além de Wertheimer, foram Kurt Koffka (1886-1941); Kurt Lewin (1890-1947); e Wolfgang Köhler (1887-1967).

Em 1913, a Academia Prussiana de Ciências instalou, na ilha de Tenerife, nas Canárias, uma estação para estudo do comportamento do macaco. Wolfgang Köhler foi nomeado, então, diretor da estação - ainda muito jovem e com quase nenhuma experiência em biologia e psicologia de animais. Suas pesquisas, pioneiras com antropoides, enfatizaram que "não só a percepção humana, mas também nossas formas de pensar e agir funcionam, com frequência, de acordo com os pressupostos da Gestalt. Os seus experimentos comprovaram que os chimpanzés têm condições de resolver problemas complexos, como conseguir alimentos que estão fora do seu alcance.

Paralelamente às pesquisas contemporânea da biologia celular, que atribuem uma importância capital às funções da membrana de qualquer célula viva, concomitantemente barreira de proteção e lugar privilegiado de trocas, os trabalhos dos gestaltistas têm enfatizado o papel real e metafórico da pele, que nos protege, nos delimita e nos caracteriza, mas constitui, ao mesmo tempo, um órgão privilegiado de contato e de trocas com nosso meio, através das terminações nervosas sensoriais e de suas miríades de poros.

O gestalt-terapeuta procede da superfície para o fundo - isso não significa que ele permaneça na superfície. Na realidade, a experiência confirma que a Gestalt atinge, mais facilmente do que as abordagens de suporte essencialmente verbal, as camadas profundas arcaicas da personalidade - aliás, constituídas no período pré-verbal do desenvolvimento da pessoa.

O gestaltista está atento aos diversos indícios comuns de reações emocionais subjacentes, tais como discretos fenômenos de vasodilatação no rosto ou no pescoço (traduzidos em ligeiras e efêmeras modificações da cor da pele), minicontrações do maxilar, mudanças no ritmo da respiração ou da deglutição, mudanças bruscas no tom da voz, mudanças na direção do olhar e os "microgestos" involuntários das mãos, pés ou dedos.

Em geral, o Gestalt–terapeuta sugere amplificar esses gestos inconscientes, considerados, de certa forma, como "lapso do corpo", reveladores do processo em curso, imperceptíveis para o cliente.

História

Origens

Max Wertheimer (1880-1943), Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1940) foram os criadores das leis da gestalt. Wertheimer pôde provar experimentalmente que diferentes formas de organização perceptiva são percebidas de forma organizada e com significado distinto por cada pessoa. Como pode ser visto nas figuras do Cubo de Necker e do Vaso de Rubin. O todo é maior do que a soma das partes que o constituem. Por exemplo: uma cadeira é mais do que quatro pernas, um assento e um encosto. Uma cadeira é tudo isso, mas é mais que isso: está presente na nossa mente como um símbolo de algo distinto de seus elementos particulares.

Em uma série de testes, Wertheimer demonstrou que pode ser realizada uma ilusão visual de movimento de um determinado objeto estacionário se este for mostrado em uma sucessão rápida de imagens. Assim, se consegue uma impressão de continuidade. Ele chamou este movimento percebido em sequência mais rápida de "fenômeno phi" (o cinema é baseado nessa ilusão de movimento: a imagem percebida em movimento, na realidade, são conjuntos de imagens fixas (frames) projetadas na tela durante 1 segundo. Devem existir ao menos 24 fotogramas por segundo, ou 24 quadros por segundo).

Escola "dualista" de Graz

A tentativa de visualização do movimento marca o início de outra escola da psicologia da Gestalt: a Escola de Graz ou "corrente dualista" (Áustria). Esta identificou dois processos distintos na percepção sensorial: um, a sensação, a percepção física pura dos elementos de uma configuração (o formato de uma imagem ou as notas de uma música), próprio ao objeto percebido; e o outro, a representação, que seria um processo "extrassensorial" através do qual os elementos, agrupados, excitam a percepção e adquirem sentido (a forma visual ou a melodia da música), que já é particular do trabalho mental do homem.

A outra concepção, divergente do "dualismo", era a chamada "corrente monista" (de "mono", "único"), defendida pelos alemães. Pelo ponto de vista monista, tanto sensação como representação se dariam simultaneamente, e não em separado. A forma, ou seja, a compreensão que os dualistas chamaram de "extrassensorial", não pode ser dissociada da sensação do objeto material. Por ocorrerem ao mesmo tempo, percepção sensorial e representativa vão se completando até finalizarem o processo de percepção visual. Só quando uma é concluída que a outra pode ser concluída também.

Laboratório de 1913

Em 1913, a Academia Prussiana de Ciências instalou, na ilha de Tenerife, nas Canárias, uma estação para estudo do comportamento do macaco. Wolfgang Köhler foi nomeado, então, diretor da estação - ainda muito jovem e com quase nenhuma experiência em biologia e psicologia de animais. Suas pesquisas pioneiras com antropoides enfatizaram que não só a percepção humana, mas também nossas formas de pensar e agir funcionam, com frequência, de acordo com os pressupostos da Gestalt da reorganização perceptiva.

Observou-se que ato cognitivo corresponde a uma reestruturação do conhecimento anterior (informações disponíveis na memória) tal como posteriormente estudada pelos construtivistas a exemplo de Piaget. Medidas da estimulação elétrica cortical em gatos e os seus clássicos experimentos com chimpanzés (empilhando caixotes para alcançar alimentos) comprovaram que estes têm condições de resolver problemas relativamente mais complexos do que os experimentos de contornar um obstáculo e abrir fechaduras para fuga, aproximando-se da inteligência humana.

A Gestalt-terapia na França e na Europa

A história da gestalt na França começou no início dos anos 1970, quando, mais ou menos simultaneamente, vários psicólogos franceses trouxeram, de uma estadia nos Estados Unidos, experiências, técnicas, métodos e perguntas. Podemos citar, em 1970: Jacques Durand-Dassier, Serge e Anne Ginger; depois, em 1972: Jean-Michel Fourcade; em 1974, Claude e Christine Allais, Jean-Claude See, Jean Ambrosi e o americano Max Furlaud.

A gestalt francesa já tinha um retrospecto antes de 1975, mas cada um desses terapeutas trabalhava isoladamente, em geral até ignorando a existência de seus colegas. Seria preciso esperar o ano de 1981 e a criação da Societé Française de Gestalt (S.F.G.) - iniciativa de Serge Ginger – para que essas diversas pessoas, e outras recém-chegadas, se encontrassem, em geral pela primeira vez, e trocassem suas experiências. Este ano, 1981, marcou uma virada na história da gestalt na França, que saiu então da sombra e da "semiclandestinidade": várias formações profissionais de Gestalt-clínicos ou Gestalt-terapeutas foram instaladas quase simultaneamente, vindo somar-se aos cursos oferecidos há pouco na França por uma equipe de profissionais do Centro Internacional de Gestalt de Quebec, dirigido por Ernest Godin (formação depois paralisada). A École Parisiènne de Gestalt (E.P.G.) do I.F.E.P.P., com Serge e Anne Ginger, foi primeira formação promovida por franceses. A E.P.G. formou, nesse tempo, cerca de 300 clínicos em gestalt, de 12 nacionalidades.

Foi criado o Centre de Croissance et d'Humanisme Appliqué, em Nantes, com Janine Corbeil, de Montreal (formação depois paralisada).

Depois, no ano seguinte, uma formação em Paris, com Marie Petit e Hubert Bidault, no Centre d'Evolution (formação depois paralisada). E uma outra, associando o Instituto de Gestalt de Bordeaux (Jean-Marie Robine) e o de Grenoble (Jean-Marie e Agnès Delacroix). Todos esses institutos asseguraram uma formação teórica e prática de 500 a 600 horas, distribuídas geralmente por três ou quatro anos.

Em 1980, Marie-Petit publicou o primeiro livro francês sobre gestalt: La Gestalt, thérapie de l'ici et maintenant ("A gestalt, terapia do aqui e agora"). Embora as publicações francesas sobre este método não ultrapassassem 25 no momento da criação da S.F.G., elas, hoje, são mais de 400. A S.F.G. edita um Bulletin reservado aos seus membros, assim como uma revista anual, divulgada através das grandes livrarias.

Várias manifestações públicas têm sido organizadas anualmente: colóquios, jornadas nacionais de estudos, seguidas de um Congresso Internacional francófono, que reuniu 300 participantes de 12 países em Paris, em 1987. Uma série de conferências acontece na maioria das cidades da França e laboratórios de sensibilização ou grupos regulares de terapias são propostos por todas as partes em cerca de 40 diferentes cidades da França, isso sem falar das terapias individuais, atualmente promovidas por mais de uma centena de gestaltistas franceses qualificados. Paralelamente, a gestalt foi incluída no currículo de algumas universidades (Toulouse, Paris, Bordeaux) e é objeto de dissertações de 2º e 3º ciclo e de teses de doutorado.

Esta consolidação da gestalt não deixou indiferentes os países vizinhos: a Bélgica – que precedera a França – logo se associou ativamente ao movimento, e vários Gestalt–terapeutas belgas foram eleitos para o Conselho de Administração da S.F.G. – que, na realidade, é mais uma associação francófona do que francesa. Uma Associação Espanhola da Gestalt-terapia foi criada em 1982 e uma Sociedade Italiana de Gestalt, em janeiro de 1985. Enfim, uma Associação Europeia foi fundada, por iniciativa de Hilarion Petzold, em maio de 1985, assim como uma Associação Quebequense de Gestalt. A Federação Internacional dos Órgãos de formação em Gestalt (FORGE), presidida por S. Ginger, reúne vários institutos de formação da França, Bélgica, Itália, Canadá etc., e possibilita profícuas trocas de ideias, professores e estudantes.