Germanos

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O Hermannsdenkmal na Alemanha é um monumento dedicado ao líder germânico Armínio, que derrotou três legiões romanas na Batalha da Floresta de Teutoburgo.

Povos germânicos ou germanos são um grupo etnolinguístico indo-europeu originário do norte da Europa e identificado pelo uso das línguas indo-europeias germânicas que se diversificaram do proto-germânico durante a Idade do Ferro pré-românica.[1]

Originados em cerca de 1 800 a.C. a partir da cultura da cerâmica cordada na planície norte alemã, os povos germânicos expandiram-se para o sul da Escandinávia e para o rio Vístula durante a Idade do Bronze Nórdica, atingindo o baixo Danúbio em 200 a.C.[2] No século II a.C., os teutões e cimbros entraram em confronto com Roma. Na época de Júlio César, um grupo de germânicos liderados pelo chefe suevo Ariovisto expandiu-se para a Gália, até ser detido por César nos Vosges em 58 a.C.. As tentativas subsequentes do imperador Augusto de anexar territórios a leste do rio Reno foram abandonadas, depois que o príncipe querusco Armínio aniquilou três legiões romanas na Batalha da Floresta de Teutoburgo em ano 9.

No leste, as tribos que haviam migrado da Escandinávia para a parte inferior do Vístula foram em direção ao sul, pressionando os marcomanos a invadir a Itália em 166. Enquanto isso, os germanos sofreram influência através do alfabeto etrusco, que acabou originando o seu próprio alfabeto rúnico. Por volta do século III, os godos governaram uma vasta área ao norte do mar Negro, de onde cruzaram o baixo Danúbio ou viajaram pelo mar, invadindo a península Balcânica e a Anatólia, na altura do Chipre. Enquanto isso, as crescentes confederações de francos e alamanos romperam as fronteiras e se estabeleceram ao longo da fronteira do rio Reno, de forma contínua infiltrando-se na Gália e na Itália, enquanto os piratas saxões devastaram as costas da Europa Ocidental.

Depois que os hunos, no século IV, invadiram os territórios do rei godo Hermenerico que, em seu auge, estendiam-se entre o rio Danúbio e o Volga e do mar Negro ao mar Báltico, milhares de godos fugiram para os Bálcãs, onde infligiram uma grande derrota sobre os romanos na Batalha de Adrianópolis e saquearam Roma em 410 sob a liderança de Alarico I. Enquanto isso, várias tribos germânicas se converteram ao cristianismo ariano através do missionário Úlfilas, que inventou um alfabeto para traduzir a Bíblia para a língua gótica.

Tendo derrotado os hunos nos Campos Cataláunicos e em Nedau, tribos germânicas migrantes invadiram o Império Romano do Ocidente e transformaram-no na Europa Medieval. No entanto, foi somente com a ajuda germânica que o império foi capaz de sobreviver tanto tempo como o fez, sendo que o exército romano era quase inteiramente composto por germanos por volta do século IV.[2]

Por volta do ano 500, os anglo-saxões estavam na Grã-Bretanha e os burgúndios no vale do Ródano. Regidos por Teodorico, o Grande, os ostrogodos se estabeleceram na península Itálica, enquanto o líder vândalo Genserico saqueou Roma e fundou um reino na África.

Em 507, os visigodos foram expulsos pelos francos da maioria de suas posses na Gália e depois governaram um estado na Hispânia. Em 568, o líder lombardo Alboíno invadiu a Itália e fundou um reino independente que em 774 foi derrubado por Carlos Magno, que foi coroado imperador dos romanos em 800.

No século VIII, marinheiros germânicos escandinavos iniciaram uma forte expansão, fundando importantes Estados na Europa Oriental e na França, enquanto colonizaram o Atlântico até a América do Norte. Posteriormente, as línguas germânicas se tornaram dominantes em vários países europeus, mas na Europa Meridional e na Europa Oriental, a elite germânica acabou por adotar os dialetos nativos eslavos ou latinos. Todos os povos germânicos acabaram sendo convertidos do paganismo para o cristianismo. Os povos germânicos modernos são os daneses, escandinavos, islandeses, finlandeses de língua sueca, luxemburgueses, belgas, suíços de língua alemã, alemães, holandeses, escocesesdas terras baixas, ingleses, americanos e outros, que ainda falam línguas derivadas dos dialetos ancestrais germânicos.

Etimologia

Mapa da cultura da Idade do Bronze Nórdica, cerca de 1 200 a.C.
Mapa das culturas da Idade do Ferro pré-romana relacionadas com a língua proto-germânica, c. 500-60 a.C.

Várias etimologias para a designação latina GERMANI são possíveis. Como adjetivo, GERMANI é simplesmente o plural do adjetivo GERMANVS (a partir de germen, "semear, disseminar", "desdobramento"), que tem o sentido de "parente" ou "aparentado".[3] Como um etnônimo, a palavra é comprovada pela primeira vez em 223 a.C. na inscrição de Fasti Capotolini, DE GALLEIS INSVBRIBVS ET GERM, onde ela simplesmente se refere a povos "próximos" ou relacionados aos gauleses. Se o nome próprio posterior GERMANI deriva desta palavra, a referência a este uso deve ser baseada na experiência romana de ver as tribos germânicas como aliadas dos celtas.

O nome aparece sendo usado pela primeira vez com o sentido de "povos da Germania, distintos dos gauleses" por Júlio César. Neste sentido, o nome deve ser um empréstimo do exônimo celta aplicado às tribos germânicas, baseado em uma palavra para "vizinho". Uma terceira sugestão deriva a palavra diretamente do nome da tribo dos Hermunduri, que Tácito sugere possa ter sido o nome de uma tribo que mudou de nome após o domínio romano, mas não há indícios para isto.

A sugestão que deriva o nome do termo gaulês para "vizinho" leva ao irlandês antigo gair e ao galês ger, "próximo",[4] ao irlandês gearr, "uma distância curta", a partir do radical proto-celta *gerso-s, também relacionado ao grego antigo chereion, "inferior" e ao inglês gash, "corte, arranhão".[5] O radical proto-indo-europeu deveria ser da forma khar-, *kher-, *ghar-, *gher-, "corte, machucado", do qual também deriva o hitita kar-, "corte, machucado", de onde também o grego character.

Aparentemente, as tribos germânicas possuíam uma autodenominação (endônimo) que incluía todos os povos germano-falantes e que excluía todos os povos não germânicos. Os povos não-germânicos (principalmente celtas, romanos e gregos, os cidadãos do Império Romano), por outro lado, eram chamados *walha- (esta palavra sobreviveu em nomes como Wales (Gales), Welsh (galês), Cornwall (Cornualha), Wallons (valões), Vlachs (valáquios), etc.).

O termo genérico *þiuda- ("povo") (ocorre em muitos nomes pessoais tais como Thiud-reks (Teodorico e também no etinônimo dos suecos a partir do cognato do inglês antigo Sweo-ðēod) não é uma auto-designação. No entanto, o adjetivo derivado deste nome, *þiudiskaz ("popular"), foi usado em referência à língua do povo em oposição à língua latina (mais antigo exemplo registrado em 786). A palavra persiste no alemão Deutsch ("alemão"), no inglês Dutch ("neerlandês"), no neerlandês Duits ("alemão") e Diets (neerlandês medieval) [nota 1] e no dinamarquês tysk ("alemão"). A partir de c. 875, os escritores latinos referem-se à(s) língua(s) germânica(s) como teutonicus ("teutônico"). Daí o uso inglês da palavra Teutons ("teutões") em referência aos povos germânicos em geral, além da tribo específica dos teutões, derrotada na batalha de Águas Sêxtias em 102 a.C..

De acordo com algumas fontes, Gômer, neto de Noé, seria o pai dos povos Germânicos por meio dos Cimérios, dos quais descendem.[6] Talvez os Cimbros, uma das tribos germânicas, derivem seu nome dos Cimérios.