Geografia do Brasil

Geografia física do Brasil

Mapa do Brasil

ContinenteAmérica
RegiãoAmérica do Sul
Coordenadas geográficas10° S 55° O
Área 
 - Ranking5º maior
 - Total8 515 767,049 km²
 - Terra8 460 414,563 km²
 - Água55 352,486 km²
Fronteiras 
 - Total16 145 km[1]
 - Países vizinhos
Linha costeira7 367 km
Reivindicações marítimas 
 - Mar territorial12 milhas náuticas
 - Zona contígua24 milhas náuticas
 - Zona econômica exclusiva200milhas náuticas
 - Plataforma continental200 milhas náuticas
Extremos de elevação 
 - Ponto mais altoPico da Neblina 2 994 m
 - Ponto mais baixoOceano Atlântico 0 m
RelevoPlanícies na Região Norte, Nordeste e Centro-Oeste; planaltos na região Sul e Sudeste.
ClimaPrincipalmente tropical, mas subtropical ao sul.
Recursos naturaisnióbio, bauxita, ouro, ferro, manganês, níquel, platina, alumínio, urânio, petróleo e opala (PI).
Uso da terra 
 - Terra arável6,93% (2005)
 - Cultivos permanentes0,89% (2005)
 - Outros92,18% (2005)
Terra irrigada29 200 km²
Perigos naturaisSecas e inundações na região Nordeste; inundações na região Sudeste; inundações e geadas na região Sul.
Problemas ecológicosDesmatamento da Floresta Amazônica (a maior floresta tropical do mundo) e poluição do ar e das águas (rios e mares).
¹ na extensão territorial do Brasil, estão incluídos o arquipélago de Fernando de Noronha, o Atol das Rocas, as ilhas Trindade e Martim Vaz e o arquipélago de São Pedro e São Paulo.

² Segundo Resolução nº 05, de 10 de outubro de 2002 do IBGE.

Geografia do Brasil refere-se aos aspectos físicos naturais do país que, com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão, é o quinto maior país do mundo. Localizado na América do Sul, seu relevo apresenta-se relativamente suave, composto por grandes bacias sedimentares, das quais destaca-se a bacia Amazônica, cercada por planaltos de altitudes moderadas. O ponto culminante do Brasil é o Pico da Neblina, com 2 994 m acima do nível do mar. De forma geral, a origem geológica do território é antiga, cujas formas de relevo suaves são resultados do contínuo intemperismo dos escudos cristalinos.

Situado na zona tropical, ocorre o predomínio de climas quentes em boa parte do território, embora a pluviosidade varie desde regiões úmidas ao semiárido. No sul do Brasil, onde são registradas as menores temperaturas do país, o clima é subtropical. A abundância de chuvas em boa parte do território favorece a manutenção de uma das maiores redes hidrográficas do planeta, colocando o Brasil como principal detentor do potencial hídrico mundial. Grandes rios, como o Amazonas, São Francisco, Araguaia e Paraná, são os principais de suas grandes bacias de drenagem. Contudo, eventualmente o país enfrenta problemas dos extremos climáticos, como secas e inundações.

O Brasil é banhado pelo oceano Atlântico a leste, em um litoral com trechos pouco recortados e com algumas centenas de ilhas costeiras. Somente cinco conjunto de ilhas estão mais afastadas da costa, dentre as quais o arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas.

A diversidade climática propicia ainda a existência de uma rica biodiversidade, atestada pela alta densidade de espécies nos principais biomas. Destaca-se a Floresta Amazônica, no norte do país, onde um complexo equilíbrio ecológico proporciona a manutenção da maior floresta tropical do mundo. Ao longo do litoral, restam somente fragmentos da Mata Atlântica, desmatada desde o início da colonização. As plantas e animais do cerrado e da caatinga adaptaram-se aos períodos prolongados de seca que comumente atingem a faixa central do país.

Distribuição e localização do território

Abrangendo uma área territorial de 8 515 767,049 km² (com inclusão das águas internas),[2] o Brasil é o país de maior extensão da América do Sul. É ainda o terceiro das Américas e o quinto do mundo: apenas a Rússia, o Canadá, a República Popular da China e os Estados Unidos (com Alasca e Havaí) são mais extensos.[3][4] Tem tanta vastidão que em seu território são cabíveis nações de dimensão como a Índia e a Austrália,[4] e, por ser territorialmente muito extenso, é considerado um país continental, ou seja, um país cujas dimensões físicas são proporcionalmente continentais, sendo que seu território é ocupante de 1,7% da superfície do globo terrestre, 5,7% das terras emersas da Terra, 20,8% da superfície do continente americano e 47,3% da superfície da América do Sul.[4] Pode encarar-se tanto com positividade quanto com negatividade a condição de país continental, no caso do Brasil. Por um lado, registra-se uma vantagem em relação à dimensão de área física, solos, climas e potencialidades produtivas diversificadas. Ao mesmo tempo, são enfrentadas dificuldades para a integração das populações habitantes da totalidade desse território e para o atendimento às suas necessidades, o que, socialmente, pode ser encarado como desvantajoso.[5]

Ainda assim, o espaço geográfico brasileiro é considerado excepcionalmente privilegiado, já que é quase inteiramente aproveitável, não apresentando desertos, geleiras ou cordilheiras — as chamadas áreas anecúmenas, que impossibilitam a plena ocupação do território, como ocorre com a maior parte dos países muito extensos da Terra. No Canadá, por exemplo, aparecem algumas áreas desse tipo, como a Ilha de Baffin e a Ilha Ellesmere, ocupadas por geleiras; nos Estados Unidos, os desertos do Arizona e do Colorado.[6] As florestas equatoriais, no entanto, também são consideradas áreas anecúmenas por geógrafos, uma vez que todas adversidades naturais dificultam a implantação economicamente vantajosa da agricultura e da pecuária, devido ao baixo índice de fertilidade dos solos e à enorme incidência de pragas e moléstias. Dessa forma, apenas a Amazônia é uma região em que o aproveitamento ocupacional é limitado, devido às condições adversas da floresta equatorial amazônica.[6]

Localização, fronteiras e pontos extremos

Marco Zero, que marca o local por onde passa a linha do equador em Macapá.

O território brasileiro é cortado por dois círculos imaginários: a linha do equador, que passa pela embocadura do Amazonas, e o Trópico de Capricórnio, que corta o município de São Paulo. Assim, possui a maior parte do seu território situado no hemisfério sul (93%), na zona tropical (92%), a menor parte no hemisfério norte (7%) e a outra na zona temperada do sul (8%).[7] Situa-se entre os paralelos 5°16'19" de latitude norte e 33°45'09" de latitude sul e entre os meridianos 34°45'54" de longitude leste e 73°59'32" de longitude oeste.[8] Como o Brasil tem o formato aproximado de um gigantesco triângulo, mais precisamente de um coração, é mais extenso no sentido leste-oeste do que no sentido norte-sul. Entretanto, como essas distâncias são quase iguais, costuma-se dizer que o Brasil é um país equidistante: a distância leste-oeste em linha reta alcança 4 328 km e norte-sul 4 320 km.[6]

O país ocupa uma vasta área ao longo da costa leste da América do Sul e inclui grande parte do interior do continente,[9] compartilhando fronteiras terrestres com Uruguai ao sul; Argentina e Paraguai a sudoeste; Bolívia e Peru a oeste; Colômbia a noroeste e Venezuela, Suriname, Guyana e com o departamento ultramarino francês da Guyana Francesa ao norte. Compartilha uma fronteira comum com todos os países da América do Sul, exceto Equador e Chile, e engloba uma série de arquipélagos oceânicos, como Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz.[1] Totalizam-se então 23 086 km de fronteira, sendo 15 791 km terrestres e 7 367 km marítimas.[6] Os pontos extremos do território brasileiro são:[10][11]

Divisão política

Ver artigo principal: Subdivisões do Brasil
Evolução da divisão administrativa do Brasil.

O Brasil é uma Federação constituída pela união indissolúvel de 26 estados-membros, um Distrito Federal e municípios, agrupados no interior de cinco regiões. Dentre os 26 estados, 17 são litorâneos e nove são interioranos.[12] Existe ainda outra forma de regionalização não oficial criada por especialistas em geografia, na qual o país é dividido em três complexos geoeconômicos, chamados de Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Essas regiões não se baseiam em fronteiras, mas sim em aspectos histórico-econômicos.[13] Há cerca de 5 570 municípios em todo território nacional, alguns com população maior que a de vários países do mundo (cidade de São Paulo com mais de onze milhões de habitantes), outros com menos de mil habitantes; alguns com área maior do que vários países no mundo (Altamira, no Pará, é quase duas vezes maior que Portugal), outros com menos de quatro quilômetros quadrados.[2] Os municípios em geral têm como sede a cidade, chamada de distrito-sede na maior parte dos casos em que o território municipal é dividido em distritos.[14]

As divisões políticas têm como objetivo o controle administrativo do território nacional e foram configuradas, cronologicamente, com a implementação das donatarias, as Capitanias Hereditárias e as Províncias e, finalmente, os estados e suas atuais divisões em distritos e os municípios. A elaboração da divisão em macrorregiões foi instituída em 1970,[15] ao mesmo tempo que a disposição da área dos estados do território brasileiro se encontrava praticamente definida; somente Mato Grosso do Sul e Tocantins foram criados posteriormente à década de 70. Ainda hoje uma série de propostas de criação de unidades federativas do Brasil tramita na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, embasadas, em geral, no objetivo de dar autonomia às sociedades locais.[16]

Fusos horários

Ver artigo principal: Fusos horários no Brasil
Fusos horários e horário de verão no Brasil, desde junho de 2008 até setembro de 2013.

O território brasileiro, incluindo as ilhas oceânicas, possui quatro fusos horários, todos a oeste do meridiano de Greenwich (longitude 0°). Em cada faixa de 15° entre pares de meridianos ocorre a variação de uma hora. Isso significa que o horário oficial no Brasil varia de 2 a 5 horas a menos em relação ao Tempo Universal Coordenado (UTC) — adotado em substituição ao Greenwich Mean Time (GMT) em 1986.[17] O primeiro fluxo engloba as ilhas oceânicas (longitude 30° O) e tem 2 horas a menos que a UTC; o segundo (45° O) tem 3 horas a menos (UTC−3) e é a hora oficial do Brasil (horário de Brasília), abrangendo o Distrito Federal, Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e as regiões Sul, Sudeste e Nordeste; o terceiro (60° O), que tem quatro horas a menos, inclui Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Roraima, Rondônia e grande parte do Amazonas; e o quarto e último fluxo engloba o estado do Acre e uma pequena parte do oeste do Amazonas.[18][19]

Em 2008, um projeto de lei, sancionado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez com que o fuso de UTC−5 fosse extinto no país, com sua respectiva região, integrando, a partir de então, o fuso de UTC−4. Além disso, todo o estado do Pará passou a integrar um único fuso horário, o de UTC−3. Porém, em 2010, realizou-se um referendo para a população do Acre e de parte do Amazonas, optando-se então pelo restabelecimento do horário antigo, efetuado oficialmente em 2013. Com isso, o fuso UTC−5 foi retomado, mas o Pará continua a fazer parte integralmente do fuso UTC−3.[20]

Horário de verão

Ver artigo principal: Horário de verão no Brasil

Desde 1985, o Brasil adota o horário de verão, no qual os relógios de parte dos estados são adiantados em uma hora num determinado período do ano. No período de outubro a fevereiro, é estabelecido o horário de verão nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul de forma regular. Nesses lugares, durante o verão, a duração do dia é significativamente maior do que a duração da noite, pois a mudança de horário retarda a entrada elétrica quanto ao pico de consumo de energia elétrica, quando as luzes das casas são acesas. Com isso o governo estima diminuir em 1% o consumo nacional de energia. Nos outros estados a pequena diferença de duração entre o dia e noite em todas as estações do ano não favorece a adoção do novo horário.[21]