GNOME

Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o projeto de software livre. Para outros significados, veja Gnomo (desambiguação).
GNOME
Gnomelogo.svg
GNOME v3.22 -- running Clocks, Evince, gThumb, GNOME Files.png
GNOME v3.22 rodando Clocks, Evince, gThumb e GNOME Files.
DesenvolvedorProjeto GNOME
Lançamento3 de março de 1999 (19 anos)
Versão estável3.30[1] (5 de setembro de 2018; há 0 dia)
Idioma(s)mais de 50 línguas[2]
LinguagemC, C++, Python, Vala, JavaScript[3]
Sistema operativoLinux com systemd sobre X11 ou Wayland
Gênero(s)Ambiente Gráfico
LicençaGPL, LGPL
Página oficialwww.gnome.org

GNOME (acrônimo para GNU Network Object Model Environment) é um projeto de software livre abrangendo o Ambiente de Trabalho GNOME, para os usuários, e a Plataforma de Desenvolvimento GNOME, para os desenvolvedores. O projeto dá ênfase especial a usabilidade, acessibilidade e internacionalização.[4]

O desenvolvimento do GNOME é supervisionado pela Fundação GNOME, que representa oficialmente o projeto junto a empresas, organizações e a sociedade como um todo.[5] O projeto conta ainda com uma série de equipes com missões específicas, inclusive com uma equipe de engenharia de lançamentos, responsável pelo característico calendário de lançamentos semestrais.[4]

A comunidade de desenvolvimento do GNOME conta tanto com voluntários quanto com empregados de várias empresas, inclusive grandes empresas como Hewlett-Packard, IBM, Novell, Red Hat, Oracle, entre outras. Por sua vez, o GNOME é filiado ao Projeto GNU, de onde herdou a missão de prover um ambiente de trabalho composto inteiramente por software livre.

História

GNOME 1, Março de 1999.

O projeto GNOME foi criado em 15 de agosto de 1997 pelos mexicanos Miguel de Icaza e Federico Mena Quintero, como uma resposta ao Windows 95. O projeto KDE já estava em andamento, mas para ser usado ou desenvolvido era necessário instalar o Qt, um conjunto de ferramentas que na época não tinha uma licença livre. Miguel de Icaza descartou a ideia de reimplementar a API do Qt usando software livre porque projetos análogos, como o GNUstep, Wine and LessTif, mostravam um progresso muito lento. Antes da criação do GNOME, Miguel e Federico tinham tentado colaborar com o GNUstep, mas desistiram por considerar sua comunidade desorganizada, e seu código cheio de erros.

A plataforma de desenvolvimento aproveitou e aprimorou o GTK, um conjunto de ferramentas usado pelo editor de imagens GIMP, em cujo desenvolvimento Federico Quintero estava também envolvido. Miguel de Icaza ficou muito impressionado com a arquitetura COM quanto passou por uma entrevista na Microsoft, e o reflexo foi o desenvolvimento da biblioteca Bonobo, incorporada ao GNOME 1.4. Além de permitir o reaproveitamento de componentes de software, o Bonobo colaborou para que o desenvolvimento de aplicativos para o GNOME pudesse ser feito com qualquer linguagem de programação. Outra característica da plataforma de desenvolvimento do GNOME é ser completamente escrita em C, o que também facilita a criação de bindings para outras linguagens de programação.[6] A plataforma de desenvolvimento do GNOME é escrita principalmente nas linguagens de programação C, C++, Javascript, Python e Vala.[3] Toda a plataforma de desenvolvimento do GNOME usa a licença GNU Lesser General Public License, uma licença livre que permite a utilização da plataforma GNOME por software proprietário.[7]

GNOME 2

GNOME 2.0 em junho de 2002.

O lançamento do GNOME 2.0 marcou uma guinada nos rumos do projeto, que passou a enfatizar a usabilidade em vez da configurabilidade. A plataforma foi quase inteiramente reescrita, trazendo várias melhorias como melhoria de desempenho, melhor internacionalização (usando Unicode internamente), suavização da renderização de fontes, e principalmente a estreia de sua plataforma de acessibilidade.[8]

GNOME 3

O GNOME Shell mudou o jeito tradicional de manusear o desktop com um paradigma que é eficiente tanto no desktop quanto em um tablet.
Ao usar Client-Side Decoration (CSD) e modernos princípios de design de interface de usuário, o GNOME oferece um eficiente, fácil de usar, e experiência de usuário de alta qualidade em desktops e tablets.

Anteriormente, o GNOME usava a metáfora tradicional da área de trabalho, mas no GNOME 3 isso foi substituído pelo GNOME Shell, uma metáfora mais abstrata em que a alternância entre diferentes tarefas e áreas de trabalho virtuais ocorre em uma área separada chamada Visão Geral(Overview). Além disso, como o Mutter substituiu o Metacity como gerenciador de janelas padrão, os botões minimizar e maximizar não aparecem mais por padrão, e a barra de título, a barra de menus e a barra de ferramentas são substituídas pela barra de cabeçalho por meio da "Decoração do lado do cliente"(Client-Side Decoration - CSD). Adwaita substituiu o Clearlooks como o tema padrão.[9] Muitos aplicativos principais do GNOME também passaram por reformulações para fornecer uma experiência de usuário mais consistente.

Em setembro de 2017, o Projeto GNOME lançou o GNOME 3.26, fornecendo correções de bugs e novos recursos principais.[10]

O GNOME Shell é a interface padrão do Ubuntu desde a versão 17.10, substituindo o Unity.[11][12]

Críticas ao GNOME 3.x

Devido a mudança "agressiva" de visual e de usabilidade do GNOME 2 para o GNOME 3, vários usuários criticaram a nova versão, dentre eles Linus Torvalds,[13] fazendo surgir o ambiente MATE como uma alternativa ao GNOME 3.[14]

As grandes mudanças na versão 3 inicialmente provocaram críticas generalizadas. O ambiente de desktop MATE foi bifurcado a partir da base de código do GNOME 2 com a intenção de manter a interface tradicional do GNOME 2, mantendo-o compatível com a moderna tecnologia Linux, como o GTK + 3. A equipe do Linux Mint abordou a questão de outra maneira ao desenvolver o Mint GNOME Shell Extensions que funcionava em cima do GNOME 3 e permitia que ele fosse usado pela metáfora tradicional da área de trabalho. Isso eventualmente levou à criação da interface de usuário do Cinnamon, que foi bifurcada a partir da base de código do GNOME 3.

Em 2005, nas listas oficiais de desenvolvimento do GNOME, Linus Torvalds encorajou os usuários a mudar para o KDE 3 ao invés de usar o GNOME.[15][16] Em 2009, ele tentou novamente o GNOME,[17] mas, insatisfeito com sua percepção de perda de produtividade, ele mudou para o Xfce, fazendo outra publicação dura contra o GNOME.[18] Em 2013, ele voltou ao GNOME 3 afirmando que "está ficando menos doloroso" e "as coisas estão melhores do que há um ano".[19][20]

A partir de 2015, a recepção crítica foi muito mais positiva.[21] Por exemplo, o Debian, uma distribuição do Linux que tinha usado historicamente o GNOME 2, mudou para o Xfce quando o GNOME 3 foi lançado mas readotou o GNOME 3 a tempo para o lançamento do Debian 8 "Jessie".[22][23]