Gênesis

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Adão e Eva,
por Dürer, no Museu do Prado

Gênesis (pt-BR) ou Génesis (pt) (do grego Γένεσις, "origem", "nascimento", "criação", "princípio") é o primeiro livro tanto da Bíblia Hebraica como da Bíblia cristã, antecede o Livro do Êxodo.[1][2] Faz parte do Pentateuco e da Torá, os cinco primeiros livros bíblicos. Gênesis (do grego Γένεσις, "nascimento", "origem") é o nome dado pela Septuaginta ao primeiro destes livros, ao passo que seu título hebraico Bereshit (בְּרֵאשִׁית, B'reishit, "No princípio") é tirado da primeira palavra de sua sentença inicial. Narra a visão desde a criação do mundo na perspectiva hebraica, genealogias dos Patriarcas bíblicos, até à fixação deste povo no Egipto através da história de José. A tradição judaico-cristã atribui a autoria do texto a Moisés enquanto a crítica literária moderna prefere descrevê-lo como compilado de texto de diversas mãos.

Composição

Moisés com as Tábuas da Lei,
por Rembrandt, na Gemäldegalerie, Berlim

Embora o texto não contenha relatos internos de quem foi o autor, a autoria foi tradicionalmente atribuída pela tradição judaico-cristã a Moisés, um profeta e legislador hebraico.[3] Esta tradição é baseada um diversas passagens da Bíblia Hebraica que retratam Moisés "escrevendo". Deuteronômio 31:9 e Deuteronômio 31:24-26 descreve como Moisés escreve a Torá (lei) e a coloca ao lado da Arca da Aliança. O livro de Levítico 26:46 diz "Estes são os estatutos, juízos e leis que Deus deu entre si e os filhos de Israel no monte Sinai por intermédio de Moisés." [4] Passagens similares incluem Êxodo 17:14, "disse Deus a Moisés: Escreve isto para memorial num livro, e faze-o ouvir a Josué; porque eu hei de extinguir totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu.;" Êxodo 24:4 "Moisés escreveu todas as palavras de Deus e, tendo se levantado de manhã cedo, erigiu um altar ao pé do monte, e doze colunas segundo as doze tribos de Israel.;"[5] Esta visão é retratada em diversos trechos do Novo Testamento como Mateus 19:8, Lucas 24:27, João 5:45-47, Atos 3:22, Romanos 10:5 e Apocalipse 15:3.

A crítica literária moderna descreve o Livro do Gênesis como um compilado de material escrito a diversas mãos[6], tendo assimilado mitos da Suméria, da Babilônia e de Ugarit, especialmente os poemas da Criação, Enuma Elish e Atrahasis, a influência da Epopeia de Gilgamesh está também presente no relato do Dilúvio.[6] Não há consenso sobre quando o Gênesis foi escrito, mas alguns anacronismos apontam que sua redação final aconteceu no primeiro milênio.[7] As teorias mais recentes colocam a redação final do texto em torno do século V a.C., durante o período pós exílio quando a comunidade judia se adaptava à vida sob o império persa.[8]

Várias tentativas foram feitas para reconciliar o resultado da análise moderna com a crença tradicional de que Moisés haveria escrito a Torá. Por exemplo, Mordechai Breuer acredita que "A Torá deve falar na linguagem do homem." Portanto Breuer postula que a Torá recorre a uma técnica de comunicação multivocal: a soma de textos que parece dissonante de fato oferece um contraponto poderoso.[9] Similarmente, erudito judeu Menachem Mendel Kasher acredita que certas tradições da Torá Oral que descrevem Moisés citanto o texto do Gênesis antes do evento do Monte Sinai; baseadas em diversos versos bíblicos e afirmações rabínicas - sugerem que Moisés tinha certos documentos escritos pelos patriarcas quando escreveu o livro.[10] Alguns judeus e cristãos conservadores, que consideram a inerrância bíblica, mesmo quando em contradição com as evidências científicas e históricas, mantêm a crença na autoria mosaica.[3][11][12][13] Argumentam que o escritor do livro teria familiaridade com a geografia e cultura egípcia, levando em conta o fato de que Moisés teria sido criado na casa do Faraó no Egito segundo os versos 45:10 e 47:11 do livro do Gênesis.[14] Detratores da Bíblia, no entanto, sugerem que alguém versado em história Egípcia teria datado a história do dilúvio antes das dinastias egípcias.[15] Ainda assim, mesmo conservadores acreditam que alguns trechos possam ter sido acrescentados e modificados por outros escritores no período de divisão dos reinos (Gn 36) e (ou) no processo de cópia dos manuscritos. Tais modificações explicariam os anacronismos presentes no texto, como a lista dos reis de Israel no período da monarquia israelita e o fato de algumas cidades serem chamadas por nomes do período da monarquia em vez do período dos Patriarcas bíblicos. Tais alterações teriam o objetivo de melhorar a clareza para leitores contemporâneos àquele período.[14]

Cristãos e judeus liberais em geral rejeitam a teoria da autoria mosaica com base na análise literária moderna.[3]

Hipótese documental

A maioria dos estudiosos bíblicos modernos acreditam que a Torá (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento) chegaram à sua forma presente no período pós-exílio (depois de 520 a.C.), quando tradições mais antigas, orais e escritas, "detalhes geográficos e demográficos contemporâneos, mas, ainda mais importante, as realidades políticas da época" foram levados em consideração[16][17]. Os cinco livros são geralmente descritos na hipótese documental como se baseando em quatro "fontes" (entendidas como escolas literárias e não indivíduos): a fonte javista e a fonte eloísta (frequentemente entendidas como uma única fonte), a fonte sacerdotal e a fonte deuteronomista[18]. Ainda há discussões sobre a existência e origem das fontes não-sacerdotais, mas a tese majoritária é que estas existiram e são posteriores ao exílio[19];

  • Gênesis: composto principalmente de material sacerdotal e não-sacerdotal[20];
  • Êxodo: uma antologia baseada em fontes de quase todos os períodos da história de Israel[21];
  • Levítico: inteiramente sacerdotal e do período do exílio ou posterior[22];
  • Números: uma edição sacerdotal de um original não-sacerdotal[23];
  • Deuteronômio: originalmente um conjunto de leis religiosas, foi ampliado no início do século VI para servir de introdução para a história deuteronomística (os livros de Josué e Reis) e, posteriormente, foi separado desta história, ampliado e editado novamente e anexado à Torá[24].