Franz Beckenbauer

Franz Beckenbauer
Franz Beckenbauer em 2006
Informações pessoais
Nome completoFranz Anton Beckenbauer
Data de nasc.11 de setembro de 1945 (74 anos)
Local de nasc.Munique, Alemanha
Altura1,81 m
ApelidoFB4
Informações profissionais
Período em atividadeComo jogador: 1964-1983 (19 anos)
Como técnico: 1984-1996 (12 anos)
Equipa atualAposentado
PosiçãoEx-zagueiro, líbero, volante, meia
FunçãoEx-técnico
Clubes de juventude
1959–1964Bayern de Munique
Clubes profissionais
AnosClubesJogos (golos)
1964–1977
1977–1980
1980–1982
1983
Bayern de Munique
New York Cosmos
Hamburgo
New York Cosmos
00528 000(77)
00105 000(17)
00037 0000(1)
00025 0000(2)
Seleção nacional
1965–1977Alemanha Ocidental00103 000(14)
Times/Equipas que treinou
1984–1990
1990–1991
1993–1994
1995–1996
Alemanha Ocidental
Olympique de Marselha
Bayern de Munique
Bayern de Munique

Franz Anton Beckenbauer, mais conhecido como Beckenbauer (Munique, 11 de setembro de 1945), é um ex-futebolista alemão que atuava como zagueiro, líbero, volante e meio-campista.

Foi presidente do Bayern de Munique e presidente da Bayern Munique FC AG, clube com o qual tem sua história entrelaçada. Sua alcunha é der Kaiser ("O Imperador", em alemão). Com a Seleção Alemã (da então Alemanha Ocidental), foi campeão mundial como jogador (em 1974) e técnico (1990), sendo um dos três únicos a deter tal marca, ao lado do brasileiro Mário Jorge Lobo Zagallo e do francês Didier Deschamps. É também um dos 7 jogadores a terem conquistado ambas medalhas de ouro, de prata e de bronze em Copas do Mundo FIFA.

Internamente, Beckenbauer também é o símbolo da elevação de patamar do Bayern de Munique de clube modesto no país, à potência principal do futebol alemão e também a potência global. Curiosamente, na infância era torcedor do rival Munique 1860,[1][2] do qual se tornou sócio vitalício em 1998, o que não o impediu de ser ao mesmo tempo presidente de honra do Bayern.[3] Um filho seu, Stefan, jogou nos dois clubes.[4]

Beckenbauer é considerado pela maioria dos especialistas como o maior líbero da história do futebol, tendo ganho, além da Copa do Mundo, todos os títulos internacionais possíveis que um atleta pode vencer no futebol europeu: Liga dos Campeões da UEFA, Eurocopa e Bola de Ouro. Também foi responsável direto pelo início da carreira de outra glória do futebol alemão e mundial, o goleiro Sepp Maier, amigo de infância.[5]

Carreira como jogador

Bayern Munique

Início

Nascido em Munique, Beckenbauer cresceu no bairro de Giesing, reduto do Munique 1860, do qual tornou-se natural torcedor. Contudo, viria a se desencantar com o clube após enfrenta-lo por um outro time em um torneio sub-14, em partida na qual foi esbofetado por um oponente. Preferiu então ingressar nos juvenis do Bayern Munique,[1] ingressando ali exatamente com a idade de 14 anos.[5]

Na infância, também jogava tênis, tornando-se amigo de Sepp Maier, com quem praticava o esporte. Maier foi convencido relutantemente por Beckenbauer a também jogar futebol, "mais fácil", segundo o futuro Kaiser, que inclusive indicou a melhor posição para o amigo, que não tanta habilidade com os pés: goleiro.Convencer Maier, que também foi para o Bayern, não foi tão difícil para quem já havia peitado o próprio pai, que, aposentado devido a ferimentos que sofrera na Segunda Guerra Mundial, não gostava que Beckenbauer utilizasse para jogar futebol o único par de sapatos que possuía.[5]

Quando tinha 18 anos Beckenbauer esteve perto de abandonar a carreira futebolítica por se recusar a se casar. A situação aconteceu em 1963 quando a federação alemã o suspendeu após uma queixa da então namorada, grávida, com quem Beckenbauer se recusava a casar. Somente após a intervenção de Dettmar Cramer, foi permitido o regresso de Beckenbauer aos treinos. Meses depois, o jovem alemão estreava finalmente pelo Bayern de Munique, num embate frente ao Stuttgarter Kickers.[6]

Quando Beckenbauer e Maier ascenderam ao time principal, em 1965, o rival Munique 1860 vivia melhor momento:[1][7] havia acabado de ser vice-campeão da Recopa Europeia, tendo levantado em 1964 a Copa da Alemanha pela segunda vez. O Bayern, por sua vez, tinha como títulos a Copa da Alemanha de 1959 e um longínquo campeonato alemão em 1932 e havia acabado de subir da segunda divisão. O time alemão mais vitorioso era o também bávaro Nuremberg, com então sete títulos no campeonato.[7] Paralelamente, Beckenbauer encontraria no elenco outro parceiro, Gerd Müller.

Em sua primeira temporada profissional, o jovem Beckenbauer viu o outro time da cidade ser o campeão da Bundesliga e igualar-se ao número de conquistas do seu time, que ainda por cima não tinha nenhuma expressão internacional.[1][7] Na Bundes, o Bayern ficou em terceiro, a três pontos do 1860; já na Copa da Alemanha os vermelhos foram campeões. A performance do jovem o levaria de imediato à Seleção Alemã-Ocidental, que o convocaria para a Copa do Mundo de 1966, ao final daquela temporada 1965/66. Maier também foi à Copa, como terceiro goleiro, enquanto Beckenbauer já seria titular.

Beckenbauer e Maier voltaram da Inglaterra com a experiência de terem sido vice-campeões (para a própria Inglaterra), o que parece sido bom para a carreira de ambos e para o clube de ambos. Na temporada seguinte, os dois conseguiriam com o Bayern o que o rival 1860 perdera na anterior: o troféu da Recopa Europeia, o primeiro título internacional do clube. O troféu veio com vitória por 1–0 na prorrogação sobre os escoceses do Rangers; a equipe também seria bi da Copa da Alemanha. O habilidoso meia de futebol vigoroso, liderança natural, passes precisos de curta e longa distância e capaz de desarmar sem fazer faltas acabaria recebendo a alcunha de "brasileiro da Alemanha", antes de tornar-se Kaiser.[5] Outras marcas registradas de seu futebol vistoso eram a elegância com seu porte ereto, passadas largas e a cabeça sempre erguida, além da grande visão de jogo.[5]

Na temporada de 1968/69, viria finalmente o primeiro título do Bayern na Bundesliga, o primeiro troféu do clube no campeonato alemão desde 1932. A conquista ofuscou a decepção da Alemanha Ocidental em relação à Eurocopa 1968: nas Eliminatórias, o país foi desclassificado ao empatar com a inexpressiva Albânia.

Era de Ouro

Beckenbauer (centro) no New York Cosmos, em um amistoso na Argentina, em 1980

Após o título, Beckenbauer solidificou sua presença na Seleção, juntamente com os amigos Maier e Müller. Aos poucos, o Bayern desvencilhava-se da rivalidade com o 1860 e formava outra, contra o Borussia Mönchengladbach, campeão da Bundes nas duas temporadas seguintes, em que o Bayern foi vice. A resposta veio com um tricampeonato consecutivo iniciado em 1971. Um outro tricampeonato ocorreria no mais importante torneio europeu de clubes, a Copa dos Campeões da UEFA, que nenhum clube alemão havia conquistado ainda. O Bayern venceria o torneio em 1974, 1975 e 1976, sucedendo um igual tricampeonato do Ajax de Johan Cruijff. O tricampeonato em 1976 lhe renderia sua segunda Bola de Ouro; a France Football lhe entregara a premiação pela primeira vez em 1972.

O primeiro dos títulos foi o mais dramático: o Atlético de Madrid abrira o placar a seis minutos do fim da prorrogação. O lateral Hans-Georg Schwarzenbeck empatou de fora da área nos últimos segundos, forçando um jogo-desempate. Os muniquenses levaram fácil a melhor sobre um adversário abatido, goleando por 4 x 0 semanas antes da Copa do Mundo de 1974, da qual 7 dos 11 titulares vitoriosos na final eram do clube: Beckenbauer, Maier, Müller, Schwarzenbeck, Paul Breitner e Uli Hoeneß. Daí vinha a relação que perdura até os dias atuais entre os grandes jogadores da Seleção Alemã e o Bayern.[7]

As duas conquistas europeias seguintes, contra Leeds United e Saint-Étienne, vieram com o time perdendo espaço no Campeonato Alemão; o rival-novo Borussia Mönchengladbach inclusive igualaria o tricampeonato nacional seguido. Aos 33 anos, líder do Bayern desde os 22,[5] Beckenbauer decidiu aceitar proposta do futebol estadunidense. O clube era o Cosmos, que no mesmo período contratara outras estrelas internacionais: o brasileiro Carlos Alberto Torres e o italiano Giorgio Chinaglia. Deixou o Bayern como um dos grandes responsáveis por mudar o destino do clube, que se tornaria o maior da Alemanha,[5] a ponto de deixar a rivalidade com o Munique 1860 de lado para despertar outras em todos os grandes times do país.[1][7]

Cosmos e Hamburgo

O Cosmos já era famoso mundialmente por ter contratado ninguém menos que Pelé em 1975. O Kaiser superou o próprio Rei na eleição do melhor jogador nos Estados Unidos em seu primeiro ano no clube de Nova York (o único ano em que jogou ao lado de Pelé, que se aposentaria), sendo campeão.[5] No mesmo ano em que aceitou o convite, por coincidência ou não, perderia lugar na Seleção: o técnico Helmut Schön o considerava velho e o avisou de antemão que não o incluiria entre os convocados para a Copa do Mundo de 1978.[5]

Outros dois títulos nacionais com o Cosmos viriam em 1979 e 1980, com a equipe contando também com Johan Neeskens, Marinho Chagas e Romerito. Após o terceiro Soccer Bowl pelo Cosmos, Beckenbauer resolveu voltar à Alemanha Ocidental, visando participação na Copa do Mundo de 1982. Escolheu o Hamburgo, sucessor do Mönchengladbach como rival momentâneo do Bayern: o HSV fora campeão em 1979 sobre os muniquenses, e a ordem fora invertida no ano seguinte.

Em sua primeira temporada no Hamburgo, o clube foi novamente vice-campeão contra o Bayern, que somava o seu nono título alemão, tornando-se o maior vencedor do campeonato. Na segunda, que era a temporada justamente anterior à Copa, o Hamburgo levaria a melhor, com seu ex-clube ficando em terceiro. Entretanto, não convocado para o mundial da Espanha, Beckenbauer ficou desgostoso e resolveu voltar imediatamente ao Cosmos, aposentando-se lá no ano seguinte, 1983 - perdendo o bicampeonato do Hamburgo e o título que o clube teria no mesmo ano na Copa dos Campeões da UEFA.