François Truffaut

François Truffaut
Truffaut em 1967.
Nascimento6 de fevereiro de 1932
Paris, França
Nacionalidadefrancês
Morte21 de outubro de 1984 (52 anos)
Neuilly-sur-Seine, França
Ocupaçãocineasta
Oscares da Academia
Oscar:
Melhor filme estrangeiro
A Noite Americana (1974)
César
César:
Melhor diretor e roteiro
O Último Metrô (1980)
Prémios BAFTA
Melhor Realizador
1974
Festival de Cannes
Festival de Cannes:
Melhor diretor
Os Incompreendidos (1959)
(inglês)

François Truffaut (Paris, 6 de Fevereiro de 1932Neuilly-sur-Seine, 21 de Outubro de 1984) foi um cineasta francês.

Um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague[1] e um dos maiores ícones da história do cinema do século XX, em quase 25 anos de carreira como diretor Truffaut dirigiu 26 filmes, conseguindo conciliar um grande sucesso de público e de crítica na maior parte deles.

Os temas principais de sua obra foram as mulheres, a paixão e a infância. Além da direção cinematográfica, ele foi também roteirista, produtor e ator.

Junto com Jean-Luc Godard, Truffaut foi uma das mais influentes figuras do novo cinema francês e inspirou cineastas como Steven Spielberg, Quentin Tarantino, Brian De Palma e Martin Scorsese.

Biografia

Infância

Nascido na capital francesa em 6 de fevereiro de 1932, François é filho de Roland Lévy e Jeanine de Montferrand. O garoto jamais conheceu o pai biológico e foi criado pelos avós maternos - já que a mãe o rejeitara. O avô era um homem rígido, enquanto a avó despertou no menino a paixão pela literatura e música.

Com sete anos, François viu o primeiro filme no cinema, Paradis perdu, de Abel Gance. Dali em diante, interessou-se assiduamente pela sétima arte. Aos 10 anos, François perdeu a avó e foi morar com a mãe, que estava casada com Roland Truffaut, um arquiteto católico.[2] Este acabou registrando o garoto com o seu sobrenome. Foi o período mais difícil da infância de Truffaut. Rechaçado tanto pelo pai adotivo quanto pela mãe, seu espírito rebelde transformou-o em um mau aluno na escola e o induziu a cometer alguns atos de delinquência, como pequenos furtos. Esta fase de convívio com os pais inspiraria futuramente na construção de seu primeiro longa-metragem cinematográfico, o autobiográfico Os Incompreendidos/Os 400 golpes.

Truffaut costumava faltar às aulas para assistir a muitos filmes secretamente, muitas vezes com o colega de classe Robert Lachenay, seu grande amigo na infância. Aos 14, abandonou a escola definitivamente e passou a viver de pequenos trabalhos e alguns furtos.

A paixão pelo cinema fez o jovem Truffaut fundar, em 1947, um cineclube, chamado Cercle cinémane. Aquela era uma época de enorme efervescência cultural na França do pós-Segunda Guerra Mundial, e os cineclubes, lotados, eram o local para se assistir às projeções e discuti-las depois.

Mas o Cercle não teria vida longa, já que ele concorria com o Travail et culture, cineclube do escritor e crítico de cinema André Bazin. Quando este soube que o Cercle estava à beira da falência, foi conhecer o jovem Truffaut e, sensibilizado com o menino cinéfilo, passou a ser uma espécie de "tutor" para François.

A influência de Bazin na vida de François Truffaut foi decisiva, que se tornou autodidata - esforçava-se para ver três filmes por dia e ler três livros por semana.[3] Ele até chegou a fazer um acordo com o pai adotivo, que lhe custearia despesas derivadas de sua vida cinéfila. Em troca, Roland Truffaut exigiu que François arrumasse um emprego estável e abandonasse o seu cineclube de vez. Mas o garoto descumpriu o acordo, e Roland Truffaut o internou em um reformatório juvenil de Villejuif e passou sua custódia para a polícia. Os psicólogos do reformatório contactaram André Bazin, que prometeu dar um emprego a François no Travail et culture. Sob liberdade condicional, Truffaut foi internado em um lar religioso de Versailles, mas seis meses depois foi expulso por mau comportamento.

Independência

Secretário pessoal de André Bazin, aos 18 anos, François Truffaut obteve a emancipação legal dos pais. Bazin continuou a lhe dar a formação adequada em cinema, introduzindo-o no Objectif 49, um seleto grupo de jovens estudiosos do novo cinema da época, como Orson Welles e Roberto Rossellini (mais tarde, integrariam o grupo nomes como Jean-Luc Godard, Suzanne Schiffman e Jean-Marie Straub). Truffaut também participava do Ciné club du Quartier Latin, boletim sobre cinema coordenado por Eric Rohmer, em que ele daria seus primeiros passos como crítico da sétima arte. Seu primeiro artigo foi sobre o clássico A regra do jogo, de Jean Renoir.

Em abril de 1950, Truffaut foi contratado como jornalista pela Elle e passou a escrever seus primeiros textos para a revista. Também fazia contribuições regulares para outras publicações.

Contudo, em decisão inexplicável, Truffaut largou a profissão e alistou-se nas Forças Armadas francesas. Arrependido logo, tentou escapar, mas acabou preso por tentativa de deserção. Novamente, André Bazin intercedeu por ele e Truffaut livrou-se do serviço militar depois de dois anos, em fevereiro de 1952. Desempregado, aceitou morar com a família de Bazin e se dedicou a ver filmes e escrever artigos como freelancer.

Cahiers du cinéma

Em abril de 1951 - época em que François Truffaut estava preso - foi criada a Cahiers du cinéma. Fundada por André Bazin, Jacques Doniol-Valcroze e Joseph-Marie Lo Duca, tornar-se-ia a mais influente publicação sobre o assunto na França. Em 1953, Bazin ajudou Truffaut a entrar para a Cahiers. E logo com seu primeiro artigo, Une Certaine tendance du cinéma française[3] (Uma certa tendência do cinema francês, em português), um manifesto contra "a tradição da qualidade" do cinema francês, Truffaut causou polêmica no meio cinematográfico, seja para defendê-lo ou criticá-lo.

Além das críticas contundentes de François Truffaut, a Cahiers contava com outros jovens promissores como Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette e Jean-Luc Godard.

Ao longo de seis anos na revista, Truffaut publicou 170 artigos, a maioria deles críticas de filmes ou entrevistas com diretores, alguns dos quais se tornariam seus amigos, como Jean Renoir, Max Ophuls e Roberto Rossellini. Mais tarde, também publicou artigos pela revista Arts-Lettres-Spectacles, reduto dos intelectuais de direita da época.

Alvo constante de críticas de publicações de tendência esquerdista, como L'Express e Les Temps modernes, Truffaut manteve sua postura de atacar aquilo que julgava ser um cinema obsoleto, embora tenha sempre feito questão de evitar o engajamento político (mesmo que tivesse militado em algumas ocasiões, como contra a guerra de independência da Argélia).

A Nouvelle Vague

Como crítico, Truffaut desenvolveu seu famoso conceito de Politique des auteurs (teoria autoral, em português), o qual uma obra é considerada uma produção individual, seja ela uma canção, um filme ou um livro. Defendia que a responsabilidade sobre um filme dependia quase que exclusivamente de uma única pessoa, em geral o diretor. Para ele, o grande representante de sua teoria era o diretor britânico Alfred Hitchcock.

A Politique des auteurs foi a base para o surgimento de um movimento que revolucionaria o cinema francês, a Nouvelle Vague', criada por jovens cineastas franceses que defendiam a produção tanto autoral quanto intimista e de baixo custo.

Em maio de 1955, Truffaut publicou o conto "Antoine et l'Orpheline" na La Parisienne (onde também era colaborador) e fez sua primeira entrevista com Alfred Hitchcock, em Paris, para a Cahiers.

Truffaut foi assistente de produção de Rossellini em 1956 e, no ano seguinte, fundou sua própria companhia de cinema, a Les films du Carrosse.

Vida pessoal

François Truffaut e sua principal atriz e ex-noiva Claude Jade na estréia de seu terceiro filme conjunto, Amor em Fuga, 1979

Em 1957, Truffaut casou-se com Madeleine Morgenstern, filha do rico distribuidor Ignace Morgenstern (COCINOR). O casamento com Madaleine garantiu plena independência artística e financeira para os trabalhos do então crítico de cinema. Com ela, o cineasta teve duas filhas: Laura (1959) e Eva (1961).

Durante as gravações de Jules et Jim, o cineasta teve um caso de amor com a atriz francesa Jeanne Moreau, casada na época com o costureiro Pierre Cardin. O casamento de Truffaut já havia sofrido um sério abalo, quando ele teve um curto relacionamento com uma atriz de 17 anos, Maria-France Pisier, protagonista de Antoine et Colette.

Em 1964, Truffaut decidiu romper seu casamento com Madeleine Morgenstern e manteve o romance com Moreau, recém-separada de Cardin.

Nas filmagens de Beijos Proibidos, ele se apaixonou pela atriz francesa Claude Jade e os dois chegaram a ficar noivos, mas romperam pouco depois.

Em 1983, nasceu a terceira filha do cineasta, Joséphine Truffaut, com a nova companheira, a atriz francesa Fanny Ardant.

A morte

Túmulo de Truffaut

Em 1983, Truffaut queixava-se de intensas dores de cabeça. Descobriu mais tarde que estava com câncer no cérebro.

Cogitava fazer sua autobiografia, com o amigo Claude de Givray, mas os problemas de saúde o impediram de finalizá-la.

Em 21 de outubro de 1984, François Truffaut faleceu, no Hospital Americano de Neuilly-sur-Seine, vítima de um tumor cerebral. Encontra-se sepultado no Cimetiere de Montmartre, Ilha de França, Paris na França.[4]