Filme musical
English: Musical film

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Filme musical é um estilo de filme, no qual a narrativa se apoia sobre uma sequência de músicas coreografadas, utilizando música, canções e coreografia como narrativa predominante ou exclusivamente.O filme musical não é tanto um gênero e sim forma, ou na língua inglesa, gênero de estilo, como documentários, curtas e etc, embora ambos sejam o tempo todo confundidos e aja controvérsia. Um musical significa apenas que os personagens cantam, não tem um gênero específico, pode muito bem ser uma comédia, drama, fantasia, terror e etc.

Origem da linguagem

O teatro — drama de palco — é geralmente visto como pai incontestável dos musicais de cinema. Desde a Grécia Antiga, artistas faziam colaborações entre teatro e música. O caráter performático de ambas exigia tanto um nível de interpretação dramática por parte do músico/cantor, quanto melodia por parte do ator. O próprio termo “orquestra” significava o espaço entre a cena e o público, nos anfiteatros gregos. Ali eram feitas as evoluções do coro, responsável pela condução da narrativa. Música também foi executada em cena, desde muito cedo, e servia tanto para pontuar momentos dramáticos quanto na forma de canção incluída no texto.

No final do século XVI, surgiu em Florença o tipo de encenação e canto que deu origem à ópera, o grande gênero musical da cultura europeia. A narrativa da ópera, composta de diversos elementos musicais como abertura, ária, coro, apoteose e final, dita os primeiros parâmetros do que será a linguagem do musical-espetáculo. Suas temáticas são majoritariamente retiradas da mitologia greco-romana ou da antigüidade oriental (Aída, Semirâmide, Nabuco, Dido). Já no século XIX, os alemães e ingleses são os primeiros a usar temas medievais ou contemporâneo-populares. Os compositores italianos (ou por eles influenciados, como Haendel) lideraram, no século XVII, a sofisticação da linguagem, da narrativa e das temáticas operísticas (que Puccini e Verdi renovarão no século XIX).

Em oposição à chamada Grande Ópera (ou opera seria), majoritariamente italiana, vão surgindo inúmeros e crescentes movimentos que buscam maior simplicidade, comicidade e adequação à realidade popular, em vários países europeus (as zarzuelas espanholas e as Singspielen alemãs, por exemplo). Talvez não casualmente, essas “popularizações” do gênero operístico acompanham o desenvolvimento da revolução industrial no local respectivo. Tanto que uma das maiores obras do que viria a ser chamado de burlesco (burlesque), ópera-bufa ou, finalmente, operetta, nasce em 1728 na Inglaterra: a “Ópera dos Mendigos”, de John Gay.

A obra, que se pretendia uma paródia às óperas de Haendel, foi um sucesso estrondoso e acabou por forçar o compositor alemão a fechar seu teatro. Mais que isso, impulsionou o movimento de sátira ou reação ao elitismo. Daí em diante, a opereta torna-se um gênero extremamente popular em Londres (onde fica famoso pelo West End) e é exportado pelos imigrantes para Nova Iorque (onde desde o início ocupa a Avenida Broadway).

São estas duas cidades, Nova Iorque e Londres, que servem de berço ao gênero e onde até hoje estreiam os musicais de grande porte. Faz a ponte entre elas, por volta de 1870, uma dupla de ingleses que dita as bases do musical contemporâneo. William Gilbert e Arthur Sullivan compuseram juntos 14 peças, e sua grande inovação foi aliar música, letras e enredo num único conjunto. A narrativa não seria interrompida para uma canção, e sim a própria canção, pelas letras e pela melodia, ajudaria a carregar a narrativa (mais tarde há uma regressão neste aspecto). Continuam na América as Vaudevilles, teatros de revista (inclusive no Brasil, com o trabalho pioneiro de Chiquinha Gonzaga), e predominam as operetas até o advento do cinematógrafo, no limiar do novo século.