Eunuco
English: Eunuch

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Eunuco-mor (de nome desconhecido, e presumidamente de origem africana) do sultão Abdulamide II do Império Otomano posando para ser fotografado em frente ao Palácio Imperial em 1912

Eunuco (do latim eunuchus, por sua vez do grego εὐνοῦχος, composto de εὐνή «cama» e ἔχω no sentido de «vigiar», ou seja, «vigilante da cama») é um homem que teve sua genitália removida parcial ou totalmente, por motivação bélica, punição criminal ou imposição religiosa. Se convertido a eunuco já adulto, o indivíduo perde a capacidade de reprodução e tem uma substancial perda hormonal em seu organismo. Porém se convertido antes da puberdade, além de ter impossibilitada a reprodução, o indivíduo torna-se incapaz de desenvolver os mínimos traços masculinos, como estrutura muscular e engrossamento de voz, devido a total falta de testosterona em seu organismo.[1]

Ao longo da história, diversas civilizações utilizaram a castração humana como arma de guerra. Na Ásia, foi praticada desde o Império Assírio, na antiguidade, até o Império Coreano, na idade moderna. Jovens príncipes de reinos conquistados eram tomados ainda crianças como prisioneiros de guerra e convertidos em eunucos. Assim, por ter o organismo fortemente debilitado pela falta de testosterona, eram utilizados como serviçais nos palácios, sendo os únicos homens com acesso à família real e às concubinas do imperador. Tal prática tinha como objetivo desencorajar lideranças e frustrar o sentimento de independência em meio ao povo dominado.[2][3]

A prática também foi empregada como punição criminal. Na Grécia Antiga a conversão era imposta a quem reincidia em adultério ou em crime de estupro. [4]

Seitas religiosas também impuseram a prática como forma de alcançar a "espiritualidade". Porém, com o avanço da liberdade individual e devido ao maior acesso à educação, estes grupos perderam espaço e foram, em sua grande maioria, extintos. No entanto, a prática de fabricar eunucos ainda é comum em seitas no sudeste da Ásia, especialmente na vitimação de crianças.[5]

Atualmente, a mutilação de um prisioneiros de guerra para formação de eunucos é considerada crime de guerra pela Convenção de Genebra.[6] Da mesma forma, a mutilação genital por imposição religiosa é condenada pela civilização e reconhecida como violação dos direitos humanos pela Organização das Nações Unidas.[7][8][9]

Arma de guerra

Império Macedônio

Cai Lun, eunuco chinês a quem geralmente se atribui a invenção do papel.

Bagoas, ou Bagoi no idioma persa antigo, foi um eunuco natural da Pérsia que faleceu no ano de 336 a.C. Embora informações sobre sua biografia sejam extremamente escassas, Bagoas ganhou destaque no imaginário contempôraneo em 1972, com o lançamento do livro "O Menino Persa", da escritora Mary Renault. Em seu roteiro, Renault descreve a vida de Bagoas através de uma mistura entre pesquisa e imaginação, o definindo como um menino escravizado, castrado e feminilizado pelos exércitos do imperador Dario. Também sugere que Alexandre, o Grande manteve com ele um relacionamento homossexual e que era um dos seus amantes preferidos.[10]

No entanto, de acordo com o historiador Plutarco, Alexandre teria escrito uma carta denunciadora a Dario III, acusando Bagoas como um dos organizadores do assassinato de seu pai Filipe II da Macedónia. Ressalta-se porém que ambos relatos foram escritos séculos após sua morte.[11]

China

Zheng He (1371-1435) foi um explorador chinês do século XV. Realizou viagens por mar pelo sudoeste asiático e pelo oceano Índico. Chegou à Índia, ao mar Vermelho e a Moçambique. No entanto, segundo o Gavin Menzies, autor do bestseller do New York Times 1421 - The Year China Discovered world (2002 UK/2003 USA), Zheng He teria contornado toda a África, e chegado até ao continente americano, Oceania e Antártida. Vale notar que existem várias formas de transliteração de seu nome, o que pode causar confusões. Ele foi capturado quando jovem e castrado, como era comum em sua época jovens mongóis "pagarem" pelo que seus ancestrais fizeram ao povo chinês, no julgar dos líderes da nova dinastia, a dinastia Ming. Mais do que isso, ele veio a se tornar um grande navegador e braço direito do Imperador Zhu Di, que segundo Gavin Menzies projetou e ordenou essa expedição para além dos mares. [carece de fontes?]

Sun Yaoting (1902-1996), foi o último eunuco a servir na corte imperial chinesa.[12] [13]