Esquerda Verde

Esquerda Verde
GroenLinks
LíderJesse Klaver
PresidenteMarjolein Meijer
Fundação1989 (aliança)
1991 (partido)
SedeUtrecht,  Países Baixos
IdeologiaAmbientalismo
Ecologismo
Progressismo
Social liberalismo
Espectro políticoCentro-esquerda
Think tankWetenschappelijk Bureau GroenLinks
Ala jovemDWARS
FusãoCPN, PPR, PSP e EVP[1]
Afiliação internacionalGlobal Verde
Afiliação europeiaPartido Verde Europeu
Grupo no Parlamento EuropeuVerdes/Aliança Livre Europeia
CoresVerde e Vermelho
Página oficial
http://www.groenlinks.nl

O Esquerda Verde (EV) (neerlandês: GroenLinks (GL)) é um partido político de esquerda dos Países Baixos.

O Esquerda Verde foi formado em 1989 com a fusão de quatro pequenos partidos políticos de esquerda: o Partido Comunista da Holanda, o Partido Socialista Pacifista, o Partido Político dos Radicais e o Partido Popular Evangélico. Após os resultados decepcionantes de 1989 e 1994 o partido teve um bom desempenho nas eleições entre os anos de 1994 e 2002. O líder do partido Paul Rosenmöller foi visto, pelos meios de comunicação, companheiros políticos e acadêmicos, como líder não oficial da oposição contra o gabinete Kok, apesar de ser na época o segundo maior partido da oposição.[2][3] No final de 2002, Femke Halsema assumiu a liderança política do partido. Ela enfatiza a tolerância, a liberdade e a emancipação como os principais valores do partido.

O Esquerda Verde descreve-se como "verde", "social" e "tolerante".[4] Coloca-se na tradição da liberdade de amar da esquerda.[5]

Atualmente o partido está representado por sete assentos na Segunda Câmara do Parlamento (Tweede Kamer), quatro na Primeira Câmara (Eerste Kamer), e dois no Parlamento Europeu. A dirigente partidária, e presidente do partido na Segunda Câmara do Parlamento, é Femke Halsema. O partido está na oposição contra o quarto gabinete Balkenende. O partido tem mais de 100 vereadores e participa no governo de dezesseis dos vinte maiores municípios dos Países Baixos. Os eleitores do partido estão concentrados em grandes cidades, especialmente naquelas com universidades.

O partido tem mais de 21.901 membros que estão organizados em mais de 250 diretórios municipais. O congresso do partido está aberto a todos os membros. É um membro do Global Greens e do Partido Verde Europeu.

História

História anterior a 1989

O Esquerda Verde foi fundado em 1989 com a fusão de quatro partidos que estavam na esquerda política, em comparação com o social-democrata Partido Trabalhista, normalmente o maior partido da ala esquerda nos Países Baixos. Os partidos de fundação eram: o Partido Comunista dos Países Baixos (CPN), o Partido Socialista Pacifista (PSP), que teve origem no movimento pacifista, o verde Partido Político dos Radicais (PPR), originalmente um partido progressista cristão, e o Partido Popular Evangélico. Estes quatro partidos eram frequentemente classificados como "pequena esquerda", para indicar a sua existência marginal. Nas eleições de 1972 estes partidos ganharam dezesseis lugares (de um total de 150), nas eleições de 1977 eles ficaram com apenas seis. Daquele momento em diante, os membros e os eleitores começaram a buscar uma cooperação mais estreita entre eles.[2]

Desde a década de 1980 em diante os quatro partidos começaram a cooperar em eleições municipais e provinciais. Quanto menos lugares estão disponíveis nessas representações, um maior percentual de votos é necessário para se obter um assento. Na eleição para o Parlamento Europeu em 1984, o PPR, o CPN e o PSP formaram o Acordo Progressista Verde, que concorreu como sendo um partido único nas eleições europeias. Eles ganharam um assento, que rotativamente foi ocupado pelo PSP e pelo PPR. Os membros dos quatro partidos também resolveram reunir-se para participar de protestos populares extraparlamentares contra a energia nuclear e as armas nucleares. Mais de 80% dos membros do PSP, CPN e PPR participaram de pelo menos um dos dois protestos contra a colocação de armas nucleares nos Países Baixos, em 1981 e em 1983.[6]

O Partido Popular Evangélico era um partido relativamente novo, fundado em 1981, formado pela divisão de um grande partido cristão democrático, o Apelo Democrata Cristão. Durante seu período no parlamento (1982-1986) ele teve dificuldades para se posicionar entre os pequenos partidos de esquerda (PSP, PPR e CPN), o PvdA e o CDA.[6]

A cooperação cada vez mais estreita entre o PPR, PSP, CPN e EVP, e as mudanças ideológicas que a acompanharam, não ocorreram sem dissidências internas nos partidos. A mudança ideológica que o CPN fez do revolucionário marxismo-leninismo para o "reformismo" levou a uma ruptura no CPN; e a subsequente fundação da Liga dos Comunistas nos Países Baixos em 1982. Em 1983, um grupo de "profundo" Verdes deixaram o PPR para fundar os Verdes. Para participar da eleição de 1986, o CPN e o PPR quiseram formar uma aliança eleitoral com o PSP. Isto levou a uma crise no seio do PSP, em que o presidente do grupo parlamentar Fred van der Spek, que opunha-se à cooperação, foi substituído por Andrée van Es, favorável a ela. Van der Spek deixou o PSP e fundou seu próprio partido, o Partido para o Socialismo e Desarmamento (em neerlandês: Partij voor Socialisme en Ontwapening, OSP). A convenção política do PSP em 1986, no entanto, rejeitou a aliança eleitoral.

Nas eleições de 1986 todos estes quatro partidos perderam lugares. O CPN e o EVP desapareceram do parlamento. O PPR ficou com dois assentos e o PSP com um. Quando os partidos preparavam-se separadamente para participar das eleições de 1990, a pressão para que houvesse uma maior cooperação entre eles também aumentou. Em 1989, o PPR, o CPN e o PSP participaram nas eleições europeias com uma lista única, a chamada 'Arco-íris'. Joost Lagendijk e Leo Platvoet, ambos os membros do conselho do PSP, deram início a um referendo interno, no qual os membros do PSP declararam apoio à cooperação à ala esquerda (70% a favor; 64% de todos os membros votantes). Suas iniciativas para a cooperação com a ala esquerda foi apoiada por uma carta aberta de membros influentes dos sindicatos (tais como Paul Rosenmöller e Karin Adelmund), dos movimentos ambientalistas (por exemplo: Jacqueline Cramer) e das Artes (tais como Rudi van Dantzig). Na carta, eles chamaram a atenção para a constituição de um único partido progressista do lado esquerdo do PvdA. Lagendijk e Platvoet haviam participado de reuniões informais entre membros proeminentes do PSP, PPR e CPN, o que favoreceu a cooperação. Outros participantes foram: o presidente do PPR, Bram van Ojik, e a ex-líder do CPN, Ina Brouwer. Estas conversações foram chamadas de "FC Sittardia" ou Cliché bv.[6]

Na primavera de 1989, o PSP iniciou conversações formais com o CPN, o PSP e o PPR sobre uma lista comum para as próximas eleições gerais. Ficou logo evidente que o CPN queria manter uma identidade comunista independente e não fundir-se à formação de numa nova ala esquerda. Este foi o motivo para o PPR deixar de participar das conversações. As negociações sobre cooperação foram reabertas após a queda do segundo gabinete Lubbers e o anúncio que as eleições aconteceriam no outono do mesmo ano. Desta vez, o EVP foi incluído nas discussões. O PPR foi representado, por um curto tempo, por uma delegação informal chefiada pelo ex-presidente Wim de Boer, porque a cúpula do partido não quis ser vista retomando as negociações que haviam deixado apenas pouco tempo antes. No verão de 1989, os congressos partidários de todos os quatro partidos aceitaram concorrer nas eleições com um programa compartilhado e uma única lista de candidatos. Adicionalmente, foi criada a Associação Esquerda Verde (em neerlandês: Vereniging Groen Links; VGL) para permitir que simpatizantes, não membros de nenhum dos quatro partidos, pudessem aderir. Enquanto isso, as eleições europeias de 1989 foram mantidas, nas quais o mesmo grupo de partidos tinha entrado com uma lista única com o nome de "Arco-íris". Na prática, a fusão dos partidos já havia acontecido e em 24 de novembro de 1990, o partido Esquerda Verde foi oficialmente fundado.[2][6]

1989-1994

Nas eleições de 1989 o PPR, o PSP, o CPN e o EVP participaram com uma lista única chamada "Groen Links". Nos Países Baixos, que forma um único distrito eleitoral, os partidos entram nas eleições com uma lista para todo o país. A primeira posição da lista (o lijsttrekker) é dada ao líder do partido político, que muitas vezes torna-se presidente da delegação parlamentar (Fractievoorzitter). A lista de candidatos do Esquerda Verde foi organizada de forma a que todos os partidos estivessem representados e novos valores pudessem entrar. O PPR, que havia sido o maior partido em 1986, ficou com o primeiro lugar da lista (ocupado por Ria Beckers) e o número cinco, o PSP, os números dois e seis, o CPN, o número três e o EVP, o número onze. O primeiro candidato independente foi Paul Rosenmöller, sindicalista de Roterdã, o número quatro. Nas eleições do partido dobrou seus lugares, em comparação com 1986 (de três a seis), mas as expectativas tinham sido muito superiores.[6] Nas eleições municipais de 1990, o partido teve um desempenho muito melhor, reforçando a solução da cooperação.[2]

No período 1989-1991 a fusão evoluiu. Uma junta foi organizada para o partido em formação e um Conselho Esquerda Verde, que deveria controlar a junta e o partido parlamentar e estimular o processo de fusão foi criado, todos os cinco grupos (CPN, PPR, PSP, EVP e a Associação Esquerda Verde) tinham lugares equivalentes ao número de membros do partido. Inicialmente, as três organizações juvenis, a Liga Geral da Juventude Neerlandesa vinculada ao CPN, os Grupos de Trabalho Jovem Socialista Pacifista ligados ao PSP, e o Partido Político da Juventude Radical vinculado ao PPR recusaram fundir-se sob a pressão do governo, que controlava seus subsídios. Posteriormente, porém, eles se fundiram formando a organização da juventude DWARS.[7] Em 1990 formou-se uma oposição contra o moderado rumo ambientalista do Esquerda Verde. Vários ex-membros do PSP, unidos no "Fórum da Esquerda", em 1992, deixaram o partido para juntar-se ao ex-líder do PSP, Van der Spek e fundarem o PSP'92. Do mesmo modo, ex-membros do CPN juntaram-se à Liga dos Comunistas dos Países Baixos para fundar o Novo Partido Comunista no mesmo ano. Em 1991, os congressos dos quatro partidos fundadores (PSP, PPR, CPN e EVP) decidiram abolir oficialmente seus partidos.[6]

O Esquerda Verde teve problemas consideráveis com a formulação de sua própria ideologia. Em 1990, a tentativa de escrever o primeiro manifesto de princípios fracassou devido às diferenças entre socialistas e comunistas de um lado e os mais liberais ex-membros do PPR do outro lado.[7] O segundo manifesto de princípios, que não foi permitido o nome manifesto de princípios, foi aprovado após um longo debate, e muitas alterações, em 1991.[7]

Apesar do partido estar internamente dividido, o partido parlamentar Esquerda Verde não era o único partido no parlamento neerlandês que opunha-se à Guerra do Golfo.[7] Um debate dentro do partido sobre o papel da intervenção militar levou a uma maior diferenciação do ponto de vista que o pacifismo de alguns dos seus predecessores: o Esquerda Verde apoiaria as missões de manutenção da paz, desde que elas fossem enviadas pelas Nações Unidas.[7]

No outono de 1990, o deputado Verbeek anunciou que abandonaria, tal como ele havia prometido, o Parlamento Europeu, após dois anos e meio para dar lugar a um novo candidato.[7] Ele continuaria como independente e permaneceu no parlamento até 1994. Na eleição de 1994, ele concorreria, sem sucesso, como candidato principal dos Verdes.[8]

Em 1992, a dirigente partidária, Ria Beckers, deixou a Tweede Kamer, porque ela queria ocupar-se mais tempo com sua vida privada. Peter Lankhorst substituiu-a como presidente interino, mas ele anunciou que não iria participar das eleições internas.[9]

1994-2002

Antes das eleições de 1994 o Esquerda Verde organizou uma eleição interna para a liderança política do partido. Duas duplas concorreram: Ina Brouwer (ex-CPN)/ Mohammed Rabbae (independente) e Paul Rosenmöller (independente)/ Leoni Sipkes (ex-PSP) e cinco candidatos isolados(incluindo Wim de Boer (ex-presidente do PPR e membro da Eerste Kamer), Herman Meijer (ex-CPN, e futuro presidente do partido), e Ineke van Gent (ex-PSP e futuro deputado)).[9] Alguns candidatos concorreram em duplas porque eles queriam combinar a vida familiar com a política. Brouwer, Rosenmöller e Sipkes já eram deputados pelo Esquerda Verde, Rabbae era novo, ele tinha sido presidente do Centro Neerlandês para Estrangeiros. Na primeira rodada as duplas terminaram na frente dos outros candidatos, mas também não tinham uma maioria absoluta. Foi necessária então uma segunda rodada, na qual Brouwer e Rabbae venceram com 51% dos votos.[9] Brouwer tornou-se o primeiro candidato e Rabbae o segundo, a segunda dupla, Rosenmöller e Sipkes ocuparam os lugares seguintes seguidos por Marijke Vos, ex-presidente do partido. A dupla no topo da lista de candidatos não tinha uma boa receptividade junto aos eleitores. O Esquerda Verde perdeu um assento, restando apenas cinco, enquanto que o PvdA também perdeu muitos assentos no parlamento.[8]

Após as eleições, Brouwer deixou o parlamento, ela foi substituída como dirigente do partidário por Paul Rosenmöller e seu lugar foi ocupado por Tara Singh Varma.[8] O carismático Rosenmöller tornou-se o "líder não oficial" da oposição contra o gabinete Kok, porque o principal partido da oposição, o CDA não foi capaz de adaptar-se bem ao seu novo papel de partido da oposição.[2][3] Rosenmöller definiu uma nova estratégia: o Esquerda Verde deveria oferecer alternativas em vez de apenas rejeitar as propostas feitas pelo governo.[1][10]

Nas eleições de 1998 o Esquerda Verde mais do que duplicou seus assentos para onze. O carisma do "líder não oficial" Rosenmöller desempenhou um papel importante neste processo.[10] Muitas caras novas entraram no parlamento, incluindo Femke Halsema, uma talentosa política que trocou o PvdA pelo Esquerda Verde em 1997.[11] O partido começou a especular abertamente sobre juntar-se ao governo depois das eleições de 2002.[12][13]

A Guerra do Kosovo em 1999 dividiu o partido internamente. Os parlamentares do partido na Tweede Kamer apoiaram a intervenção da NATO, enquanto que os parlamentares do partido na Eerste Kamer foram contra a intervenção. Vários ex-membros do PSP no âmbito da Tweede Kamer começaram a falar abertamente sobre suas dúvidas em relação à intervenção. Um compromisso foi firmado: o Esquerda Verde apoiaria a intervenção, desde que ela limitasse-se aos alvos militares. Membros proeminentes dos partidos fundadores, incluindo Marcus Bakker e Joop Vogt deixaram o partido durante esta questão.[14]

Em 2001, a integridade da ex-deputada Tara Singh Varma esteve em dúvida: foi revelado que ela mentiu sobre a sua doença e que ela fez promessas às organizações de desenvolvimento, que ela não cumpriu. Em 2000 ela deixou o parlamento, pois como ela alegou, tinha apenas alguns meses de vida pois morreria de câncer. A estação de televisão TROS, em seu programa "Opgelicht" (em português: "trapaças") revelou que ela mentiu e que não tinha câncer.[15] Mais tarde ela desculpou-se em público na televisão e disse sofrer de transtorno de estresse pós-traumático.[1]

No mesmo ano, os parlamentares do partido apoiaram a invasão do Afeganistão após os ataques terroristas de 11 de setembro daquele ano. Esta invasão levou a uma grande agitação dentro do partido. Diversos parlamentares, ex-membros do PSP dentro da Tweede Kamer, começaram a falar abertamente sobre suas dúvidas com relação à intervenção. Sob a pressão da oposição interna, liderada pelos ex-membros do PSP e pela organização juvenil do partido, DWARS, os parlamentares do partido mudaram suas posições: os ataques deveriam ser cancelados.[15]

Vários membros dos Verdes, incluindo Roel van Duijn, aderiram ao Esquerda Verde, embora mantendo suas filiações aos Verdes.[15]

2002-atualmente

Femke Halsema, líder do partido e presidente do partido na Tweede Kamer.

As eleições de 2002 foram caracterizadas por mudanças no clima político. O comentarista político de direita, Pim Fortuyn entrou na política. Ele tinha um discurso contra a ordem estabelecida, combinada com um convite à apresentação de restrições à imigração. Embora a sua crítica fosse dirigidas ao segundo gabinete Kok, Rosenmöller era um dos únicos políticos que poderiam reunir alguma resistência contra seu discurso político. Dias antes da eleição, Fortuyn foi morto por um ativista dos direitos dos animais. Pouco antes das eleições, Ab Harrewijn, deputado do Esquerda Verde e candidato também morreu.[16] Antes e depois das eleições, sérias ameaças foram feitas contra Rosenmöller, sua esposa e seus filhos. Esses acontecimentos causaram um estresse considerável em Rosenmöller.[17] O Esquerda Verde perdeu um lugar no parlamento nessa eleição, se bem que ganhou mais votos do que nas eleições de 1998. Antes das eleições de 2003, Rosenmöller deixou o parlamento, citando as ameaças em curso contra a sua vida e as da sua família como o principal motivo. Ele foi substituído como presidente do partido parlamentar e candidato principal do partido por Femke Halsema. Ela foi incapaz de manter os dez lugares e perdeu dois.[16]

Em 2003, o Esquerda Verde quase que por unanimidade voltou-se contra a Guerra do Iraque. Ele participou dos protestos contra a guerra, por exemplo, organizando seu congresso do partido, em Amesterdã, no dia da grande manifestação, com um intervalo que permitisse a seus membros aderirem ao protesto.[16]

No final de 2003, Halsema temporariamente deixou o parlamento para dar à luz seus gêmeos. Durante a sua ausência, Marijke Vos ocupou seu lugar como presidente do partido parlamentar.[18] Quando ela retornou ao parlamento, Halsema iniciou uma discussão sobre os princípios do seu partido. Ela enfatizou a liberdade individual, a tolerância, a auto-realização e a emancipação. Em uma entrevista, ela chamou seu partido de "o último partido liberal dos Países Baixos"[19] Isto resultou em uma considerável atenção dos meios de comunicação e de outros observadores, que especularam sobre uma mudança ideológica.[18] Em 2005, o gabinete científico do partido publicou o livro "Vrijheid als Ideaal" ("Liberdade como Ideal"), no qual os proeminentes fazedores de opinião exploraram o novo espaço político e a posição da esquerda dentro desse espaço.[20] Durante o congresso do partido em fevereiro de 2007, as lideranças ficaram incumbidas de organizar uma discussão ampla entre seus membros sobre os princípios do partido.[21]

Durante o congresso sobre as eleições europeias de 2004, a comissão de candidaturas propôs que o presidente da delegação do Esquerda Verde, Joost Lagendijk, deveria tornar-se o candidato principal do partido naquelas eleições. Um grupo de membros, liderados pelo membro da Eerste Kamer, Leo Platvoet, apresentou uma moção "Queremos escolher". Eles queriam uma opção séria para um cargo tão importante. A comissão do partido anunciou um novo processo eleitoral. Durante o congresso, Kathalijne Buitenweg, também deputada e candidata, anunciou a sua candidatura para a posição de candidato principal. Ela ganhou com uma pequena diferença de votos a eleição concorrendo contra Lagendijk. Isto causou grande surpresa a todos. Especialmente para Buitenweg que não havia escrito um discurso de aceitação.[18]

Em maio de 2005, a deputada Farah Karimi escreveu um livro no qual discutia, em pormenor, a forma como ela participou da Revolução Iraniana, como essa informação já era conhecida do conselho do partido, isto não causou qualquer repercussão.[22] Em novembro de 2005, o conselho do partido pediu ao membro da Eerste Kamer, Sam Pormes, para abandonar sua cadeira. Rumores continuados sobre seu envolvimento com o treinamento de guerrilheiros no Iêmen, na década de 1970 e o sequestro de um trem em 1977 pela juventude molucana e alegações de fraudes na previdência social eram prejudiciais ao partido, ou pelo menos assim o conselho do partido alegou. Quando Pormes recusou-se a deixar o cargo, o conselho do partido ameaçou expulsá-lo das fileiras do partido. Pormes lutou contra esta decisão. O conselho do partido em março de 2006 acabou por ficar ao lado de Pormes. O presidente do partido, Herman Meijer, sentiu-se forçado a deixar seu cargo. Ele foi sucedido por Henk Nijhof, que foi escolhido pelo conselho do partido em maio de 2006. Em novembro de 2006, Pormes deixou a Eerste Kamer, ele foi substituído por Goos Minderman.[23]

Tof Thissen, presidente do partido na Eerste Kamer.

Nas eleições municipais de 2006 o partido permaneceu relativamente estável perdendo apenas alguns lugares. Após as eleições o Esquerda Verde conseguiu 75 cargos municipais, incluindo Amsterdã onde a deputada Marijke Vos tornou-se vereadora.[23]

Na preparação para as eleições de 2006, o partido realizou um congresso em outubro. É eleita Halsema, novamente candidata única, à posição de candidata principal do partido. A deputada Kathalijne Buitenweg e o comediante Vincent Bijlo foram os último candidatos (Lijstduwer). Nas eleições de 2006, o partido perdeu um lugar no parlamento.[23]

Na sequência da formação do gabinete, uma primeira pesquisa exploratória entre o CDA-SP-PvdA não teve êxito, Halsema anunciou que o Esquerda Verde não seria envolvido em uma discussão mais aprofundada nessa altura, já que o partido havia perdido as eleições, era muito pequeno, e tinha menos em comum com o CDA do que tinha o SP.[23] Na sequência desta decisão eclodiu um debate interno sobre o rumo político e a liderança de Halsema. O debate não só decorreu sobre a série de eleições perdidas e a decisão de não participar das conversações sobre a formação do novo gabinete, mas também sobre a imagem elitista do partido, o novo rumo liberal, iniciado por Halsema e a falta de democracia partidária. Desde as últimas semanas de janeiro de 2007 vários membros proeminentes do partido têm manifestado suas dúvidas, inclusive até a ex-líder Ina Brouwer, o senador Leo Platvoet e o deputado Joost Lagendijk.[21] Em resposta a isto, o conselho do partido criou uma comissão liderada pelo ex-deputado e presidente do PPR, Bram van Ojik. Eles analisarão as eleições perdidas. Outra comissão presidida também por Van Ojik foi solicitada pelo congresso de fevereiro de 2006. Serão analisados os princípios do partido, organização e estratégia.

Em agosto de 2008, o parlamentar do Esquerda Verde, Wijnand Duyvendak, publicou um livro em que ele admitiu ter invadido o escritório do Ministério dos Assuntos Econômicos, a fim de roubar os planos para as centrais nucleares. Isto levou à sua demissão em 14 de agosto, depois que a mídia relatou que além da invasão ele também proferiu ameaças contra funcionários públicos.[24][25] Ele fou substituído por Jolande Sap.[26]

Nome

O nome "Esquerda Verde" (até 1992 escrito "Esquerda Verde", com um espaço entre Esquerda e Verde) é um compromisso entre o PPR, o CPN e o PSP. O PPR queria a palavra "Verde" no nome do partido, o PSP e o CPN, a palavra "Esquerda". Ele também enfatiza o núcleo dos ideais do partido, a sustentabilidade ambiental e a justiça social.[6]

Em 1984, a lista comum do PPR, do PSP e do CPN para as eleições europeias foi chamada de "Acordo Progressista Verde" (Groen Progressief Akkoord) porque, naquele tempo, o PPR não quis aceitar a palavra "esquerda" no nome do combinado político. Em 1989, os partidos participaram das eleições europeias como "Arco-íris" (Regenboog), em referência ao "Grupo Arco-íris", do Parlamento Europeu, do qual tinham participado entre 1984 e 1989[2]