Eslováquia

Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Eslovénia.
Slovenská republika
República Eslovaca
Bandeira da Eslováquia
Brasão de armas
BandeiraBrasão
Lema: não tem
Hino nacional: Nad Tatrou sa blýska
"Sobre os Tatras brilha o relâmpago"
Gentílico: eslovaco

Localização Eslováquia

Localização da Eslováquia (em vermelho) na União Europeia (em amarelo)
CapitalBratislava
48° 09′ N 17° 07′ O
Cidade mais populosaBratislava
Língua oficialEslovaco
GovernoRepública Parlamentarista
 - PresidenteAndrej Kiska
 - Primeiro-ministroPeter Pellegrini
IndependênciaPor desmembramento da Checoslováquia 
 - Declarada1 de janeiro de 1993 
Entrada na UE1 de maio de 2004
Área 
 - Total49 035 km² (127.º)
 - Água (%)130
 FronteiraRepública Checa
Polónia
Ucrânia
Hungria
Áustria
População 
 - Estimativa para 20155 426 252[1] hab. (116.º)
 - Censo 20115 397 036 hab. 
 - Densidade111 hab./km² (88.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 144,013 bilhões*[2] 
 - Per capitaUS$ 26 615[2] 
PIB (nominal)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 95,805 bilhões*[2] 
 - Per capitaUS$ 17 706[2] 
IDH (2017)0,855 (38.º) – muito elevado[3]
Gini (2008)19,5
MoedaEuro[4] (EUR)
Fuso horárioCET (UTC+1)
 - Verão (DST)CEST (UTC+2)
Cód. ISOSVK
Cód. Internet.sk
Cód. telef.+421

Mapa Eslováquia

Eslováquia (em eslovaco: Slovensko; pronunciado: ˈslovɛnsko ( ouvir)), cujo nome oficial é República Eslovaca (em eslovaco: Slovenská republika; pronunciado: ˈslovɛnskaː ˈrɛpublika ( ouvir)), é um país na Europa Central.[5][6] É limitado pela República Checa e pela Áustria a oeste, pela Polônia ao norte, pela Ucrânia ao leste e Hungria ao sul. O território eslovaco se estende por cerca de 49 mil quilômetros quadrados e é em grande parte montanhoso. A população é de mais de 5 milhões e é composta principalmente de eslovacos étnicos. A capital e maior cidade é Bratislava. A língua oficial é o eslovaco, um membro da família de línguas eslavas.

Os eslavos chegaram no território atual da Eslováquia nos séculos V e VI. No século VII, desempenharam um papel significativo na criação do império de Samo e no estabelecimento do Principado de Nitra, no século IX. No século X, o território foi integrado ao Reino da Hungria, que se tornou parte do Império Habsburgo e do Império Austro-Húngaro.[7]

Após a Primeira Guerra Mundial e a dissolução da Áustria-Hungria, os eslovacos e checos estabeleceram a Checoslováquia. Uma República Eslovaca independente (1939-1945) existiu na Segunda Guerra Mundial como um Estado fantoche da Alemanha nazista. Em 1945, a Checoslováquia foi restabelecida sob um regime socialista satélite da União Soviética. A Eslováquia tornou-se plenamente independente em 1 de janeiro de 1993, após a dissolução pacífica da Checoslováquia,em um processo conhecido como Revolução de Veludo.

O país é uma economia avançada de alta renda[8][9] com uma das maiores taxas de crescimento na União Europeia (UE) e da OCDE.[10] O país aderiu à UE em 2004 e na Zona Euro em 1 de janeiro de 2009.[11] A Eslováquia também é membro do Espaço Schengen, da OTAN, da Organização das Nações Unidas e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

História

Ver artigo principal: História da Eslováquia

Antiguidade e Idade Média

Ver também: Grande Morávia

O território correspondente à atual Eslováquia começou a ser colonizado pelos celtas por volta de 450 a.C. Estes construíram oppida nos sítios onde hoje se encontram Bratislava e Havránok. O primeiro uso da escrita na Eslováquia está registrado em moedas de prata com o nome de reis celtas. A partir de 2 d.C., o Império Romano, em expansão, ergueu e manteve uma série de postos militares próximo a e imediatamente ao norte do Danúbio, dos quais se destacam os maiores, como Vindobona, Carnunto e Brigécio. No acampamento de inverno de Laugarício (atual Trenčín), perto do Limes romanus, os auxiliares da II legião romana venceram uma batalha decisiva contra os quados germânicos em 179, durante as guerras marcomanas. Alguns reinos e tribos germanos e celtas estabeleceram-se no oeste e no centro do que é hoje a Eslováquia entre 8 a.C. e 179 d.C., principalmente suevos, osos e cótinos.

Os eslavos ocuparam o território no século V. No século VII, o oeste da atual Eslováquia passou a ser o centro do Império de Samo. Um Estado eslavo, conhecido como Principado de Nitra, surgiu no século VIII e seu governante, Pribina, consagrou a primeira igreja cipado formou o cerne do Grande Império Morávio. O zênite do império eslavônico foi atingido com a chegada de São Cirilo e de São Metódio em 863, durante o reinado do príncipe Rastislau da Morávia, e com a expansão territorial empreendida pelo rei Zuentibaldo I.

Inscrição romana em Trenčín
Extensão da Grande Morávia durante o regime de Svatopluk I

Após a desintegração do Grande Império Morávio no início do século X, os magiares anexaram gradualmente o território da atual Eslováquia. No final daquele século, o sudoeste da região foi integrado a um cada vez mais forte Principado da Hungria, que se tornou o Reino da Hungria após 1000. A maior parte da Eslováquia estava incorporada ao Reino da Hungria por volta de 1100 e sua região nordeste, por volta de 1300. Ao longo de quase dois séculos, o território foi governado de modo autónomo, com o nome Principado de Nitra, dentro do Reino da Hungria. Surgiram assentamentos eslovacos no norte e no sudeste da atual Hungria. A composição étnica diversificou-se com a chegada dos alemães dos Cárpatos, no século XIII, e dos valáquios, no século XIV, ademais dos judeus.

A invasão mongol de 1241 resultou numa enorme perda populacional e fome. Não obstante, durante a Idade Média a região caracterizava-se por cidades florescentes, pela construção de diversos castelos de pedra e pelo desenvolvimento artístico. Em 1465, o rei Matias Corvino fundou a primeira universidade do que é hoje a cidade de Bratislava; a universidade foi fechada em 1490, após a morte do monarca.

Com a expansão do Império Otomano em território húngaro e a ocupação de Buda no início do século XVI, a capital do Reino da Hungria (com o nome de Hungria Real) transferiu-se para Presburgo (a atual Bratislava) em 1536. Mas as guerras com os otomanos e as frequentes revoltas contra a monarquia dos Habsburgos também causaram destruição, em especial nas áreas rurais.

Período contemporâneo e Checoslováquia

Ver artigo principal: Checoslováquia
Extensão da Checoslováquia em 1928

A importância da região diminuiu quando os turcos saíram da Hungria no século XVIII, embora Presburgo mantivesse sua posição como capital do reino até 1848, quando o governo foi transferido para Budapeste. Durante a revolução de 1848-49, os eslovacos apoiaram o imperador austríaco, com a intenção de desligar-se da Hungria (então parte do Império Austríaco), no que não lograram sucesso. Durante a Monarquia Austro-húngara (1867–1918), o governo húngaro impôs um processo de "magiarização" à população eslovaca.

Em 1918, a Eslováquia, juntamente com a Boémia e a Morávia, formaram um Estado único, a Checoslováquia, cujas fronteiras foram confirmadas pelos tratados de Saint Germain e de Trianon. Em 1919, durante o caos resultante da fragmentação da Áustria–Hungria, a Eslováquia foi atacada pela República Soviética da Hungria e um terço do território eslovaco tornou-se temporariamente a República Soviética da Eslováquia.

Durante o período entre-guerras, a democrática e próspera Checoslováquia esteve sob contínua pressão dos governos revisionistas da Alemanha e da Hungria, até ser desmembrada em 1939, como resultado do Acordo de Munique celebrado no ano anterior. O sul da Eslováquia foi entregue à Hungria nos termos do Primeiro Laudo Arbitral de Viena.

Sob pressão da Alemanha Nazi, a Primeira República Eslovaca, chefiada pelo fascista Jozef Tiso, declarou-se independente da Checoslováquia em 1939. Aos poucos, o governo tornou-se um regime fantoche da Alemanha. Um movimento de resistência aos nazis lançou-se numa feroz revolta armada em 1944. Seguiu-se uma sangrenta ocupação alemã e uma guerra de guerrilha. A maioria dos judeus foi deportada e desapareceu nos campos de concentração alemães durante o Holocausto.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Checoslováquia foi restabelecida e Jozef Tiso, enforcado em 1947, por colaborar com o nazismo. Mais de 76 000 húngaros[12] e 32 000 alemães[13] foram obrigados a abandonar a Eslováquia, numa série de transferências de populações definida pelos Aliados na Conferência de Potsdam.[14] Esta expulsão ainda é fonte de tensão entre a Eslováquia e a Hungria.[15]

Independência e integração europeia

A Checoslováquia passou à órbita de influência da União Soviética após um golpe em 1948. O país foi ocupado pelas forças do Pacto de Varsóvia em 1968, pondo fim a um período de liberalização (a Primavera de Praga) sob a chefia de Alexander Dubček. Em 1969, a Checoslováquia tornou-se uma federação da República Socialista Checa e da República Socialista Eslovaca.

Ao fim do regime comunista na Checoslováquia em 1989, durante a pacífica Revolução de Veludo, seguiu-se novamente a dissolução do país, desta vez em dois Estados sucessores. Em julho de 1992, a Eslováquia, chefiada pelo primeiro-ministro Vladimír Mečiar, declarou-se um Estado soberano, fazendo com que suas leis passassem a ter precedência sobre as do governo federal.

Ao longo do outono de 1992, Mečiar e o primeiro-ministro checo Václav Klaus negociaram os detalhes da dissociação da Checoslováquia. Em novembro, o parlamento federal aprovou oficialmente a dissolução do país a partir de 31 de dezembro de 1992. A Eslováquia e a República Checa tornaram-se assim independentes em 1 de janeiro de 1993, um evento por vezes chamado de Divórcio de Veludo. A Eslováquia continuou a ser uma parceira próxima da República Checa e outros países do Grupo de Visegrád e foi admitida na União Europeia em maio de 2004.