Ernest Mandel
English: Ernest Mandel

Ernest Mandel
Nome completoErnest Ezra Mandel
Nascimento5 de abril de 1923
Frankfurt, Alemanha
Morte20 de julho de 1995 (72 anos)
Bruxelas, Bélgica
Nacionalidadebelga
OcupaçãoEconomista, Escritor e Político

Ernest Ezra Mandel (Frankfurt, 5 de abril de 1923Bruxelas, 20 de julho de 1995) foi um economista e político belga, considerado um dos mais importantes dirigentes trotskistas da segunda metade do século XX. Além disso, foi significativa a sua contribuição téorica ao Marxismo antistalinista. Como economista, especializou-se no estudo das crises cíclicas. Também era conhecido como Ernest Germain, Pierre Gousset, Henri Vallin, Walter etc.

Vida

Ernest Mandel era filho de Henri e Rosa Mandel, judeus poloneses que emigraram para a Alemanha. Seu pai, Henri, foi membro fundador da Liga Espartaquista de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, germe do futuro Partido Comunista da Alemanha.

Nos anos 1930 sua família sai da Alemanha, transferindo-se para a Bélgica. A casa da família em Antuérpia transforma-se então em abrigo para refugiados alemães. Em 1939, o jovem Mandel, então com 16 anos, ingressa na seção belga da Quarta Internacional. Aos 18, já era membro do seu Comitê Central, trabalhando então na clandestinidade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Mandel atua na Resistência contra o nazismo. Preso em 1944, é levado à prisão de Saint-Gilles, em Bruxelas,[1] de onde consegue fugir antes de ser deportado para Auschwitz.[2]

Após a guerra, durante o Congresso Mundial da Quarta Internacional de 1946, Mandel é eleito para a liderança do Secretariado Internacional da organização. Tinha 23 anos.[3] [4] Até a publicação do seu livro Teoria Econômica Marxista na França, em 1962, os artigos de Mandel eram escritos sob pseudônimos vários e suas atividades ligadas à Quarta Internacional eram pouco conhecidas fora dos círculos de esquerda. Nesse mesmo ano, retoma seus estudos econômicos, interrompidos pela guerra e pela ocupação da Bélgica em 1941. Obtém a licenciatura pela École Practique des Hautes Études da Sorbonne, na França, em 1967.

A partir de 1968 Mandel torna-se uma figura pública, sendo conhecido como político marxista, ao percorrer várias universidades européias - (Turim, Louvain, Berlim, Cambridge, Lunde) - e americanas,[5] ministrando conferências sobre socialismo, imperialismo e revolução.

Apesar de sua reputação científica e da sua grande popularidade entre os estudantes, a partir do final da década de 1960 até os anos 1970 Mandel foi oficialmente impedido de ingressar em vários países ocidentais, por ser considerado perigosamente subversivo - possivelmente um terrorista. Por anos a fio, Mandel não teve permissão de entrada em países como a antiga Alemanha Ocidental, Estados Unidos, França, Suíça e Austrália, o que resultou em aumento de sua popularidade e provocou protestos públicos em vários países. Ele também foi impedido de visitar os países do Leste Europeu até 1989, exceto a antiga Iugoslávia, onde participou de várias conferências de intelectuais socialistas [6].

Embora oficialmente impedido de entrar na antiga Alemanha Ocidental, em 1972 obteve seu PhD, com a menção summa cum laude, na Universidade Livre de Berlim por sua tese Der Spätkapitalismus – Versuch einer marxistischen Erklärung ("O Capitalismo tardio - uma tentativa de explicação marxista"). O conceito de capitalismo tardio refere-se à fase contemporânea do desenvolvimento capitalista. Era por ele mesmo considerada a sua obra mais importante. Lecionou na Universidade Livre de Berlim por alguns meses e posteriormente tornou-se lente da Universidade Livre de Bruxelas.

Finalmente, em 1978 recebeu o importante Prêmio Alfred Marshall, da Universidade de Cambridge, por suas conferências sobre os ciclos longos do desenvolvimento capitalista, ministradas naquela Universidade.

Mandel também atuou em defesa de vários intelectuais dissidentes de esquerda, submetidos à repressão política. Defendeu também o cancelamento da dívida do Terceiro Mundo e durante a era Gorbachev liderou uma petição pela reabilitação dos acusados nos Processos de Moscou (1936-1938), durante o stalinismo.

Nos últimos anos de sua vida, Mandel viajou pela Rússia, para defender sua visão de um socialismo livre e democrático.