Eritreia
English: Eritrea

ሃገረ ኤርትራ (tigrínia)
(Hagere Ertra)
دولة إرتريا (árabe)
(Dawlat Iritriyá)
State of Eritrea (inglês)

Estado da Eritreia
Bandeira da Eritreia
Brasão das Armas da Eritreia
BandeiraBrasão de Armas
Hino nacional: Ertra, Ertra, Ertra
Eritreia, Eritreia, Eritreia
Gentílico: Eritreu(eia)

Localização de

¹Línguas de trabalho: tigrínio, árabe, e inglês

Eritreia (em tigrínia: ኤርትራ Ertrā; em árabe: إرتريا Iritriyā; em inglês: Eritrea), oficialmente Estado da Eritreia, é um país localizado no Chifre da África. Sua capital é Asmara. Faz fronteira com o Sudão a oeste, a Etiópia a sul, e Djibuti a sudeste. As partes nordeste e leste da Eritreia têm um extenso litoral ao longo do Mar Vermelho, tendo na outra margem a Arábia Saudita e o Iémen. O arquipélago de Dalaque e as ilhas Hanish também fazem parte da Eritreia. O país tem uma área total de 117.600 km², que inclui o arquipélago de Dalaque e as ilhas Hanish. com uma população estimada em cerca de 5 milhões de habitantes. O nome do país é baseado no nome grego para o Mar Vermelho (Eρυθρὰ Θάλασσα Erythra Thalassa), que foi adotado pela primeira vez para a Eritreia italiana em 1890.

Eritreia é um país multi-étnico, com nove grupos étnicos reconhecidos em sua população. A maioria dos residentes falam línguas da família afro-asiática, seja das línguas semíticas etíopes ou dos ramos cuchíticos. Entre essas comunidades, os tigrínios constituem cerca de 55% da população, com o povo Tigre constituindo cerca de 30% dos habitantes. Além disso, há várias minorias étnicas nilóticas de fala nilo-saariana. A maioria das pessoas no território adere ao cristianismo ou islamismo.[3]

O Reino de Axum, cobrindo grande parte da Eritreia atual e do norte da Etiópia, foi estabelecido durante o primeiro ou o século II[4][5] Adotou o cristianismo em meados do século IV.[6] Nos tempos medievais, grande parte da Eritreia caiu sob o reino de Medri Bahri.

A criação da Eritreia moderna é um resultado da incorporação de reinos e sultanatos independentes e distintos (por exemplo, Medri Bahri e o Sultanato de Aussa) resultando na formação da Eritreia italiana. Após a derrota do exército colonial italiano, em 1942, a Eritreia foi administrada pela administração militar britânica até 1952. Após a decisão da Assembleia Geral da ONU, em 1952, a Eritreia teve um governo com um parlamento local em uma federação com a Etiópia por um período de 10 anos. Contudo, em 1962, o governo da Etiópia anulou o parlamento da Eritreia e formalmente anexou a Eritreia. Mas os eritreus que defendiam a completa independência da Eritreia desde a expulsão dos italianos em 1942, anteciparam o que estava por vir e em 1960 organizaram a Frente de Libertação da Eritreia, resultando em uma guerra de independência contra a Etiópia. Em 1991, após 30 anos de luta armada, a população do país votou pela independência da Etiópia em um referendo supervisionado pela ONU, vencendo por uma grande maioria, fazendo com que a Eritreia declarasse oficialmente sua independência e ganhasse reconhecimento absoluto internacional em 24 de maio de 1993.[7]

A Eritreia é um Estado de partido único no qual eleições legislativas nacionais nunca foram realizadas desde a independência[8] - embora sua Constituição, adotada em 1997, estabeleça que o Estado é uma república presidencialista com uma democracia parlamentar, isto ainda está para ser implementado. De acordo com o governo,[9] isto ocorre devido ao conflito fronteriço com a Etiópia, que teve início em maio de 1998 e permanece até os dias de hoje. Desde sua independência, em 1993, o país nunca teve eleições.[10] De acordo com a Human Rights Watch, o registro de direitos humanos do governo da Eritreia é considerado um dos piores do mundo.[11] O governo da Eritreia rejeitou essas alegações como motivadas politicamente.[12] Junto com os Estados Unidos, a Eritreia é um dos dois únicos países do mundo que cobra impostos de seus cidadãos independentemente de onde residam no mundo.[13] O serviço militar obrigatório requer longos e indefinidos períodos de conscrição, que alguns eritreus deixam o país para evitar.[14] Uma vez que todas as mídias locais são de propriedade estatal, a Eritreia também foi classificada como tendo a segunda menor liberdade de imprensa no Índice de Liberdade de Imprensa, atrás da Coreia do Norte.

A Eritreia é membro da União Africana, das Nações Unidas e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, e é observadora na Liga Árabe ao lado do Brasil, Venezuela, Índia e Turquia.[15]

História

Ver artigo principal: História da Eritreia
A Ferrovia da Eritreia foi construída durante o período colonial italiano

A Eritreia tem alguns dos fósseis mais antigos de humanos e hominídeos do mundo. Investigadores italianos descobriram, em 1995, na aldeia de Buya, no sudeste do país, o crânio de um hominídeo com mais de 1 milhão de anos, representando um intermediário entre o homo erectus e o homo sapiens primitivo.[16] Em setembro de 1999, um grupo internacional de biólogos-marinhos e geólogos descobriu, na região, evidências para as respostas algumas de algumas das questões mais importantes que envolve a evolução dos seres humanos: quando os nossos primeiros antepassados começaram a utilizar ferramentas para a pesca, e quando e como migraram os primeiros humanos de África. Foram descobertas, na baía de Zula, ferramentas de pedra com mais de 125 000 anos, enterradas em corais antigos pelas praias do Mar Vermelho.[17] Pinturas rupestres das épocas mesolíticas são abundantes no norte e centro do país, mostrando algumas das primeiras sociedades de caçadores-colectores no mundo. A Eritreia também foi o lugar onde evoluiu o elefante, de acordo com o paleontologista americano William Sanders, que encontrou, no país, o antecedente mais antigo do elefante, um fóssil com cerca de 27 milhões anos.

As primeiras fontes literárias nas quais há menção ao atual território eritreu remontam-se ao egípcios, em 2 500 a.C. e, posteriormente, em 1 500 a.C., durante o reinado de Hatexepsute. Estes escritos descrevem um país legendário chamado Punt, rico em olíbano e mirra, localizado ao longo da costa merídio-ocidental do Mar Vermelho. No século VIII a.C., começa a surgir uma civilização urbana no planalto da Eritreia, formada por uma parte do reino antigo de Sabá. Desta sociedade, ligada aos povos semíticos na Arábia Meridional, surge a civilização de Axum, civilização esta responsável por grande parte da história e cultura do país. Axum chega a ser o maior centro de poder na região do Mar Vermelho; produz a sua própria moeda, seu sistema alfabético, domina as terras e o comércio da toda a região e adopta o cristianismo no século III. Os europeus deste tempo chamam de Etiópia (o nome dum país mítico e legendário na literatura grega), a todas as terras pelo sul de Egito sem distinguir entre reinos. Na Bíblia, há menções frequentes ao país Etiópia; portanto, ao adoptar o cristianismo no reino de Axum, é adoptado também o nome de Etiópia ao reino. O idioma oficial do reino é o Guez já extinto, mas utilizado ainda como idioma litúrgico nas igrejas ortodoxa oriental e católica oriental da Eritreia. Na Idade Média o reino cristão de Axum é debilitado pelo surgimento do Islão do outro lado do Mar Vermelho. A costa, o norte e os matos ocidentais da Eritreia são então dominados pelos poderes árabes e logo também pelos otomanos, enquanto que o cristianismo permanece no planalto, onde vários reinos e dinastias rivais pretendiam afirmar e expandir o seu poder e, ao mesmo tempo, prevenir a dominação dos vizinhos muçulmanos que conhecem o país como Abissínia. No século XIV, o apoio do Reino de Portugal aos cristãos salvou-lhes duma conquista muçulmana apoiada pelos otomanos.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída pelos italianos, em 1923

Em 1890 a Itália estabelece a colónia da Eritreia com as fronteiras correntes do país, dando-lhe o antigo nome latino (de origem grega) do Mar Vermelho: Mare Erythraeum. O colonialismo italiano permanece até 1942, quando os italianos a perdem durante a Segunda Guerra Mundial e o Reino Unido passa a administrar a Eritreia como seu protectorado.

Devido à pressão das potências ocidentais e a seus interesses na região, a ONU decidiu em 1952 promover uma federação entre a Eritreia e o Reino da Etiópia. Os Estados Unidos estabelecem uma base militar na capital da Eritreia com a permissão do Imperador Hailé Selassié da Etiópia. Em 1961, o Imperador declara a federação cancelada e faz da Eritreia uma província da Etiópia. Isto marcou o começo da luta de 30 anos pela independência da Eritreia. A luta é dominada nas décadas de 1960 e 1970 por uma guerrilha conservadora e muçulmana chamada FLE ( Frente pela Libertação da Eritreia) com o apoio de países árabes contra o monarca cristão e pró-Americano da Etiópia. Em 1974, a Etiópia passa por uma revolução comunista trocando o apoio dos Estados Unidos e do Ocidente pelo da União Soviética e do Oriente. Culmina também o conflito interno entre os grupos eritreus que preferem a guerrilha conservadora muçulmana de FLE por um lado e a nova guerrilha marxista da FLPE (Frente pela Libertação do Povo Eritreu) pelo outro lado, que pretende unir todos os eritreus sem discriminação nem preferência. A maior parte do apoio pelo último grupo vem dos cidadãos eritreus exilados e termina vencendo a luta interna e levando o país à sua independência em 24 de maio de 1991 (militarmente) recebendo reconhecimento internacional depois de um plebiscito pela ONU em 1993. Com a cooperação de FPLE, uma coligação de guerrilhas da Etiópia conseguem também derrotar o seu governo comunista e reconhecer a independência da Eritreia.

Depois de cinco anos de paz entre Eritreia e Etiópia, os dois países entram num novo conflito destrutivo que dura de 1998 até 2000, desta vez por razões fronteiriças. A Corte Permanente de Arbitragem na Haia determina de novo uma interpretação dos acordos muito detalhados e quase centenários datando da época colonial, sobre a fronteira, chegando a uma decisão em Abril de 2002 aceita pela Eritreia mas não aceita pela Etiópia. Portanto a ameaça de guerra ainda persiste e a fronteira é atualmente patrulhada pelos capacetes azuis.

Em 9 de julho de 2018, o presidente da Eritreia e o primeiro-ministro etíope formalizaram um acordo de paz depois de 20 anos de conflito fronteiriço entre os dois países.[18]