Emoção
English: Emotion

Tristeza (litografia de Vincent van Gogh, 1882).

Emoção é uma reação a um estímulo ambiental e cognitivo que produz tanto experiências subjetivas, quanto alterações neurobiológicas significativas. Está associada ao temperamento, personalidade e motivações tanto reais quanto subjetivas.[1][2] A palavra deriva do termo latino emovere, onde o e- (variante de ex-) significa "fora" e movere significa "movimento".[3] Seja para lidar com estímulos ambientais, seja para comunicar informações sociais biologicamente relevantes, as emoções apresentam diversos componentes adaptativos para mamíferos com comportamento social complexo, sendo cruciais, até mesmo, para a sua sobrevivência.[4][5] Não existe uma taxionomia ou teoria para as emoções que seja geral ou aceita de forma universal. Várias têm sido propostas, como:

  • Cognitiva versus não cognitiva;
  • Emoções intuitivas (vindas da amígdala) versus emoções cognitivas (vindas do córtex pré-frontal);
  • Básicas versus complexas, onde emoções básicas em conjunto constituem as mais complexas;
  • Categorias baseadas na duração: algumas emoções ocorrem em segundos (por exemplo: surpresa) e outras duram anos (por exemplo: amor).

Existe uma distinção entre a emoção e os resultados da emoção, principalmente os comportamentos gerados e as expressões emocionais.[5] As pessoas frequentemente se comportam de certo modo como um resultado direto de seus estados emocionais, como chorando, lutando ou fugindo. Ainda assim, se pode ter a emoção sem o seu correspondente comportamento, então nós podemos considerar que a emoção não é apenas o seu comportamento e muito menos que o comportamento seja a parte essencial da emoção. A Teoria de James-Lange propõe que as experiências emocionais são consequência de alterações corporais. A abordagem funcionalista das emoções (como a de Nico Frijda) sustenta que as emoções estão relacionadas a finalidades específicas, como fugir de uma pessoa ou objeto para obter segurança.

Classificação

As emoções complexas constroem-se sobre condições culturais ou associações combinadas com as emoções básicas. Analogamente ao modo como as cores primárias são combinadas, as emoções primárias podem ser combinadas gerando um espectro das emoções humanas. Como, por exemplo, raiva e desgosto podem ser combinadas em desprezo. [6]

Robert Plutchik propôs o modelo tridimensional circumplexo para descrever a relação entre as emoções. Este modelo é similar ao círculo cromático. A dimensão vertical representa a intensidade, enquanto o círculo representa a similaridade entre as emoções. Ele determina oito emoções primárias dispostas em quatro pares de opostos.

Outro importante significado sobre classificação das emoções refere-se a sua ocorrência no tempo. Algumas emoções ocorrem sobre o período de segundos (por exemplo, a surpresa) e outros demoram anos (por exemplo, o amor). O último poderia ser considerado como uma tendência de longo tempo para ter uma emoção em relação a um certo objeto ao invés de se ter uma emoção característica (entretanto, isto pode ser contestado). Uma distinção é então feita entre episódios emocionais e disposições emocionais. Disposições são comparáveis a peculiaridades do indivíduo (ou características da personalidade), onde quando alguma coisa ocorre, serve de gatilho para a experiência de certas emoções, mesmo sobre diferentes objetos. Por exemplo, uma pessoa irritável é geralmente disposta a sentir irritação mais facilmente que outras. Alguns estudiosos (por exemplo, Armindo Freitas-Magalhães[7] 2009 e Klaus Scherer, 2005) colocam a emoção como uma categoria mais geral de "estados afetivos". Onde estados afetivos podem também incluir fenômenos relacionados, como o prazer e a dor, estados motivacionais (por exemplo, fome e curiosidade), temperamentos, disposições e peculiaridades do indivíduo.

Há, ainda, a relação entre processos neurais e emoções: através de processos de imagem por ressonância magnética funcional, já é possível investigar a emoção 'ódio' e sua manifestação neural. Neste experimento, a pessoa teve seu cérebro escaneado (examinado) enquanto via imagens de pessoas que ela odiava. Os resultados mostraram incremento da atividade no médio giro frontal, putâmen direito, bilateralmente no córtex pré-motor, no polo frontal, e bilateralmente no médio lobo da ínsula. Os pesquisadores concluíram que existe um padrão distinto da atividade cerebral quando a pessoa experimenta o ódio.[5]

Outro estudo colocou ainda em questão qual de três grandes teorias de estudo da emoção (modelo circumplexo, teoria das emoções básicas ou teoria da avaliação) é capaz de corresponder melhor aos padrões de ativação cerebral.[8][9] Neste caso, os participantes atribuíam uma determinada emoção a vários contos pequenos enquanto os seus cérebros eram examinados por imagem por ressonância magnética funcional.[8][9] De facto, os dados obtidos neste estudo revelaram que, possivelmente (e de acordo com as condições em que o estudo foi realizado), as emoções atribuídas a terceiros poderão ser descodificadas através dos padrões neuronais e que o nosso conhecimento dessas emoções é abstrato e dividido em diversas dimensões (dimensional).[8] Consequentemente, os dados sugeriram que o modelo que melhor se adequa aos padrões neuronais poderá ser o da teoria da avaliação,[8] tendo em conta as condições em que o estudo foi realizado.

Teoria das Emoções Básicas

As emoções básicas são as emoções mais elementares, distintas e mais contínuas no tempo entre as diversas espécies das emoções discretas, mas também podem ser consideradas as mais relacionadas com funções de sobrevivência.[2] Estas emoções são assim designadas uma vez que não podem ser decompostas em termos semânticos ainda mais simples.[10] Segundo esta teoria, são diversas combinações entre as emoções básicas (associadas a expressões faciais) que permitem compreender as emoções mais complexas.[2][10][4]