Discurso Secreto

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O chamado Discurso Secreto ou Relatório Khrushchov, cujo nome oficial é Sobre o culto à personalidade e suas consequências, é uma famosa intervenção do político soviético Nikita Khrushchov durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 25 de fevereiro de 1956.[1] No discurso, Khrushchov reafirma sua crença nos ideais comunistas, invocando as ideias de Lenin, ao mesmo tempo que critica o regime de Stalin, particularmente pelos brutais expurgos de militares de alto escalão e de quadros superiores do Partido - o chamado Grande Expurgo, entre 1934 e 1939 -, e pelo culto à personalidade de Stalin.[2] O discurso foi um marco na Era Khrushchov. Foi um sinal da intensa disputa pela liderança soviética, na qual Khrushchov procurava desacreditar os stalinistas, notadamente Lavrentiy Beria. Significou, também, uma mudança da linha oficial do Partido Comunista da União Soviética e dos seus postulados baseados no chamado stalinismo. O discurso adquiriu o nome da sessão na qual foi pronunciado, a portas fechadas, sem a presença de convidados estrangeiros.[3] O texto original só foi publicado em sua totalidade no dia 3 de Março de 1989, pela gazeta oficial do Comité Central do Partido, já no período da glasnost - abertura do regime promovida por Mikhail Gorbatchov.

Khruschov e Stalin despachando, em 1936.

História

Ao contrário do que se acredita, o discurso secreto não significou a primeira dissidência dos novos governantes da União Soviética em relação a Stalin. Antes do discurso, já se haviam dado os primeiros passos em direção ao fim da estrutura repressiva que reinava no país.

De fato, o discurso baseia-se em parte nas conclusões obtidas pela chamada Comissão Chvernik, um grupo especial do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, criado a 31 de Janeiro de 1955 com o fim de investigar a repressão contra os delegados do XVII Congresso do Partido de 1934.

Ao final dos trabalhos, a comissão reuniu evidências suficientes para denunciar que, entre os anos de 1938 e 1939, durante os momentos mais agitados do Grande Expurgo, mais de um milhão e meio de membros do Partido Comunista da União Soviética haviam sido acusados de realizar "atividades antissoviéticas", e, dentre estes, pelo menos 680 000 haviam sido executados. Estudos contemporâneos ampliam essa cifra para mais que o dobro. O número foi estabelecido considerando as listas que haviam sido assinadas pelo próprio Stalin.

A partir de 1956, os novos dirigentes do estado comunista enfrentaram o lento processo de reabilitação dos chamados "velhos bolcheviques" e liberação dos internos dos campos de trabalho forçados. As vítimas dos chamados "processos de Moscovo" só foram reabilitadas em plenitude por volta de 1988.