Costa Rica
English: Costa Rica

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'República da Costa Rica'
República de Costa Rica (espanhol)
Bandeira da Costa Rica
Brasão de de fogo da Costa Rica
BandeiraBrasão de armas
Lema: ¡Vivan siempre el trabajo y la paz!
(Espanhol: "Vivam sempre o trabalho e a paz!")
Hino nacional: Noble patria, tu hermosa bandera
Gentílico: costa-riquenho, costa-riquense,
costarriquense,
costa-ricense,
costarricense[1]

Localização

CapitalSan José
Cidade mais populosaSan José
Língua oficialEspanhol
Outras línguasInglês, Patois, Mekatelyu, Bribri, Maleku, Cabécar
GovernoRepública constitucional presidencialista unitária
 - PresidenteCarlos Alvarado Quesada
 - 1º Vice-presidenteEpsy Campbell Barr
 - 2ª Vice-presidenteMarvin Rodríguez Cordero
Independênciada Espanha 
 - Declarada15 de setembro de 1821 
 - Reconhecida10 de maio de 1850 
 - Constituição atual7 de novembro de 1949 
Área 
 - Total51 100 km² 
 - Água (%)0,7
População 
 - Censo 20134 868 148 hab. 
 - Densidade96 hab./km² (84,18.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 64,873 bilhões*[2] 
 - Per capitaUS$ 13 341[2] 
PIB (nominal)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 52,968 bilhões*[2] 
 - Per capitaUS$ 10 893[2] 
IDH (2017)0,794 (63.º) – alto[3]
Gini (2009)50,2[4]
MoedaColón costa-riquenho (CRC)
Fuso horário(UTC−6)
Cód. ISOCRC
Cód. Internet.cr
Cód. telef.+506
Website governamentalhttp://www.presidencia.go.cr/

Mapa

A Costa Rica (pronunciado em português europeu[ˈkɔʃtɐ ˈʁikɐ]; pronunciado em português brasileiro[ˈkɔstɐ ˈʁikɐ]; pronunciado em castelhano[ˈkosta ˈrika]), oficialmente República da Costa Rica (em espanhol: República de Costa Rica), é um país da América Central, com 4,8 milhões de habitantes, limitado a norte pela Nicarágua, a leste pelo mar do Caribe, a sudeste pelo Panamá e a oeste pelo Oceano Pacífico. O país possui entre os seus territórios a Ilha do Coco, no Oceano Pacífico, a norte do Equador. O país possui uma população de cerca de 4,9 milhões,[5] em uma área de terra de 51 060 quilômetros quadrados. Mais de 300 000 pessoas vivem na capital e maior cidade, San José, que possuía uma população estimada em 333 980 habitantes em 2015.[6]

A Costa Rica é conhecida por sua democracia estável em uma região marcada por instabilidades políticas e por sua força de trabalho altamente qualificada, a maioria dos quais fala a língua inglesa.[7] O país gasta cerca de 6,9% do seu orçamento (2016) em educação, em comparação com uma média global de 4,4%.[8] Sua economia, antes altamente dependente da agricultura, diversificou-se para incluir setores como finanças, serviços corporativos para empresas estrangeiras, produtos farmacêuticos e ecoturismo. Muitas empresas estrangeiras (manufatura e serviços) operam nas Zonas Francas da Costa Rica, onde se beneficiam de investimentos e incentivos fiscais.[9]

Apesar do impressionante crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), da inflação baixa, das taxas moderadas de juros e de um nível de desemprego aceitável, a Costa Rica em 2017 enfrentava uma crise de liquidez devido à dívida crescente e ao déficit orçamentário.[10] Em agosto de 2017, o Tesouro estava tendo dificuldade em pagar suas obrigações.[11][12] Outros desafios que o país enfrenta em suas tentativas de melhorar a economia, aumentando o investimento estrangeiro, incluem uma infraestrutura precária e a necessidade de melhorar a eficiência do setor público.[13][14]

A Costa Rica era pouco habitada por povos indígenas antes de passar a fazer parte do Império Espanhol no século XVI. Permaneceu como uma colônia periférica do império até a independência, como parte do curto Primeiro Império Mexicano, seguido pela entrada nas Províncias Unidas da América Central, da qual declarou formalmente a independência em 1847. Desde então, a Costa Rica permaneceu entre as nações mais estáveis, prósperas e progressistas da América Latina. Após a breve Guerra Civil Costarriquenha, o país aboliu permanentemente seu exército em 1949, tornando-se um dos poucos países soberanos sem forças armadas permanentes.[15][16][17]

O país tem apresentado desempenho favorável no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), situando-se no 69º lugar no mundo a partir de 2015, entre os mais altos de todos os países da América Latina.[18] Também foi citado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) como tendo atingido um desenvolvimento humano muito maior do que outros países nos mesmos níveis de renda, com o maior record em desenvolvimento humano e desigualdade do que a média da região.[19]

A Costa Rica também tem políticas ambientais progressistas. É o único país a cumprir todos os cinco critérios do PNUD estabelecidos para medir a sustentabilidade ambiental.[20] Ele ficou em 42º lugar no mundo e terceiro nas Américas, no Índice de Desempenho Ambiental de 2016,[21] e foi duas vezes classificado como o país com melhor desempenho no Índice Happy Planet da New Economics Foundation (NEF),[22] que mede a sustentabilidade ambiental, e foi identificado pela NEF como o país mais verde do mundo em 2009. A Costa Rica planeja se tornar um país neutro em carbono até 2021.[23][24] Até 2016, 98,1% de sua eletricidade foi gerada a partir de fontes renováveis, especialmente hidrelétrica, solar, geotérmica e biomassa. Na classificação do Índice de Competitividade em Viagens e Turismo de 2011 a Costa Rica ficou no 44º lugar em nível mundial e em segundo na América Latina, superado somente pelo México.[25]

História

Ver artigo principal: História da Costa Rica

A Costa Rica foi descoberta e, provavelmente, batizada por Cristóvão Colombo, em sua quarta viagem à América, em 1502. Havia na região cerca de trinta mil indígenas, divididos em três grupos: guetares, chorotegas e borucas. Encontrados os primeiros indícios de ouro, usado em ornamentos indígenas, os espanhóis planejaram um núcleo de colonização sob o comando de Bartolomé Colombo, irmão do descobridor. Expulsos logo a seguir pelos indígenas, só conquistaram a região em 1530. Antes de tornar-se província da capitania-geral da Guatemala, em 1540, Costa Rica chamava-se Nova Cartago. Os limites demarcatórios foram fixados entre 1560 e 1573.

Independência

A Costa Rica tornou-se independente em 15 de setembro de 1821 e três anos depois uniu-se, por pouco tempo, ao México. Em 1824 passou a integrar a Federação Centro-Americana, dissolvida em 1838. Nessa época teve início a exportação de café para a Europa, e San José viveu um período de intenso crescimento e prosperidade. Durante a administração do general Tomás Guardia, que governou despoticamente o país entre 1870 e 1882, a Costa Rica atingiu notável desenvolvimento econômico. Incrementou-se o comércio de açúcar e café, construíram-se ferrovias e abriram-se portos para escoar a produção. As plantações de banana, controladas a partir de 1899 pela United Fruit Co., passaram a rivalizar em importância econômica com as de cana-de-açúcar e café. Em 1890 tornou-se presidente José Joaquín Rodríguez; sua eleição foi considerada a primeira inteiramente livre e sem fraudes na América Latina e inaugurou uma tradição de democracia na Costa Rica.

Século XX

O voto direto foi instituído em 1913, mas o candidato à presidência mais votado não conseguiu a maioria e a Assembleia Legislativa elegeu Alfredo González Flores. Em 1917, um movimento liderado pelo general Federico Tinoco depôs o presidente constitucional e instituiu uma ditadura. Dois anos mais tarde, Tinoco foi forçado a renunciar por pressões internas e do governo estadunidense, que não reconhecera o regime. Sucederam-se presidentes eleitos até 1948, ano em que os resultados eleitorais foram contestados por grupos de esquerda, o que desencadeou a breve guerra civil que levou José Figueres Ferrer ao poder. A junta revolucionária que assumiu o governo aboliu o Exército - o primeiro pais do mundo a faze-lo - em 1 de dezembro de 1948 e criou uma guarda civil, elaborou nova constituição e empossou o candidato vitorioso nas urnas, Otilio Ulate Blanco. Em 1953, José Figueres voltou ao poder, nacionalizou os bancos, impôs restrições à United Fruit e enfrentou uma invasão lançada por seus adversários exilados na Nicarágua. Figueres inscreveu seu nome na história do país com várias décadas dedicadas às reformas sociais, à abertura política para o exterior e aos ideais social-democratas.

Ao longo da década de 1980, a Costa Rica preservou seu regime político, baseado no poder civil legitimado por eleições, mas se enredou em problemas econômicos e financeiros, dos quais o mais premente foi a dívida externa. No início da década, o país gastava 50% de sua receita de exportação com as despesas financeiras geradas pela dívida. Em maio de 1986, o governo chegou a anunciar uma moratória temporária sobre os juros da dívida externa e, no ano seguinte, lançou um programa de austeridade para tentar salvar as finanças nacionais.

A posição internacional da Costa Rica, que manteve alto grau de independência em relação aos grandes blocos de poder, deu-lhe condições de atuar com bons resultados no âmbito regional. O presidente Óscar Arias Sánchez, eleito em 1986, teve papel de destaque na mediação das guerras civis na Nicarágua e em El Salvador e por seu esforço foi-lhe concedido o Prêmio Nobel da Paz em 1987. Em 1989 realizou-se em San José a primeira reunião de cúpula interamericana em 22 anos, para comemorar o centenário da democracia na Costa Rica. Em 1990 Arias foi sucedido por Rafael Ángel Calderón Fournier, da oposição.