Coreia do Norte
English: North Korea

조선민주주의인민공화국
(Chosŏn Minjujuŭi Inmin Konghwaguk)[1]

República Popular Democrática da Coreia
Bandeira da Coreia do Norte
Brasão de armas da Coreia do Norte
BandeiraEmblema
Lema: 강성대국
(transliteração: "Gangseongdaegug")
("Poderosa e próspera nação")
Hino nacional: 애국가
(transliteração: Aegukka)
("A Canção Patriótica")
Gentílico: norte-coreano

Localização da República Popular Democrática da Coreia

Localização da Coreia do Norte (em verde escuro) no globo mundial
CapitalPyongyang
Cidade mais populosaPyongyang
Língua oficialCoreano
GovernoRepública popular socialista (juche) unipartidária
 - Presidente EternoKim Il-sung
(falecido)1
 - Chefe de EstadoKim Jong-un2
 - Presidente da Suprema Assembleia PopularChoe Ryong-hae
 - PremierKim Jae-ryong
Independênciado Japão 
 - Declarada (dia V-J)15 de agosto de 1945 
 - Reconhecida9 de setembro de 1945 
Área 
 - Total120.540 km² (96.º)
 - Água (%)0,1
 FronteiraCoreia do Sul
China
Rússia
População 
 - Estimativa para 201625 368 620[2] hab. (48.º)
 - Densidade198,3 hab./km² (41.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2011
 - TotalUS$ 40 bilhões*[3] 
 - Per capitaUS$ 1 800[3] 
PIB (nominal)Estimativa de 2011
 - TotalUS$ 12,4 bilhões*[3] 
 - Per capitaUS$ 506[3] 
IDH (2014)0,564  – médio [4]
Gini (2008)0,31
MoedaWon norte-coreano (KPW)
Fuso horário(UTC+9:00[5])
ClimaDwa (Köppen)
Cód. Internet.kp
Cód. telef.+850

Mapa da República Popular Democrática da Coreia

1 Falecido em 1994, foi nomeado Presidente Eterno em 1998.
2 Kim Jong-un acumula quatro cargos: Primeiro-Secretário do Partido dos Trabalhadores, Presidente da Comissão de Defesa Nacional, Comandante Supremo do Exército Popular da Coreia, e Presidente da Comissão Central Militar; governa sob o título de Líder Supremo.
3 Kim Yong-nam é o "chefe de Estado de assuntos externos".

Coreia do Norte, oficialmente República Popular Democrática da Coreia (hangul: 조선민주주의인민공화국; hanja: 朝鮮民主主義人民共和國; transl. Chosŏn Minjujuŭi Inmin Konghwaguk), é um país no leste da Ásia que constitui a parte norte da península coreana, com Pyongyang como capital e maior cidade do país. Ao norte e noroeste, o país é limitado pela China e pela Rússia ao longo dos rios Amnok (conhecido como o Yalu em chinês) e Tumen;[6] é limitado ao sul pela Coreia do Sul, através da Zona Desmilitarizada Coreana (ZDC), que separa os dois países. No entanto, o Norte, como o seu homólogo do Sul, afirma ser o governo legítimo de toda a península coreana e de suas ilhas adjacentes.[7] Tanto a Coreia do Norte quanto a Coreia do Sul se tornaram membros das Nações Unidas em 1991.[8]

Em 1910, a Coreia foi anexada pelo Império do Japão. Em 1945, após a rendição japonesa no final da Segunda Guerra Mundial, a Coreia foi dividida em duas zonas, com o norte ocupado pela União Soviética e o sul ocupado pelos Estados Unidos. Negociações sobre a reunificação fracassaram e, em 1948, governos separados foram formados: a socialista República Popular Democrática da Coreia, no norte, e a capitalista República da Coreia, no sul. Uma invasão iniciada pelo Norte levou à Guerra da Coreia (1950-1953). O Acordo de Armistício Coreano provocou um cessar-fogo, mas nenhum tratado de paz jamais foi assinado.[9]

A Coreia do Norte oficialmente se descreve como um Estado socialista autossuficiente e formalmente realiza eleições.[10] Vários analistas, no entanto, classificam o governo do país como uma ditadura stalinista totalitária,[11][12][13] particularmente por conta do intenso culto de personalidade em torno de Kim Il-sung e sua família. O Partido dos Trabalhadores da Coreia (WPK), liderado por um membro da família governante,[14] detém o poder e lidera a Frente Democrática para a Reunificação da Pátria, da qual todos os oficiais políticos são obrigados a ser membros.[15] Juche, a ideologia de autossuficiência nacional, foi introduzida na constituição em 1972. Os meios de produção são de propriedade do Estado através de empresas estatais e fazendas coletivizadas. A maioria dos serviços, como saúde, educação, habitação e produção de alimentos, também é subsidiada ou financiada pelo Estado. O país segue a política Songun, ou "militares em primeiro lugar",[16] com um total de 9.495.000 de pessoas entre soldados ativos, na reserva e paramilitares. Seu exército ativo, de 1,21 milhão de homens, é o quarto maior do mundo, depois da China, dos Estados Unidos e da Índia.[17] O país também possui armas nucleares.[18][19]

Várias organizações internacionais avaliam que graves violações de direitos humanos na Coreia do Norte são comuns e tão severas que não têm paralelo no mundo contemporâneo.[20][21][22] De 1994 a 1998, a Coreia do Norte sofreu uma crise de fome que resultou na morte de milhares de pessoas (entre 240.000 e 420.000 norte-coreanos), sendo que a população continua a sofrer de desnutrição. O governo norte-coreano nega veementemente a maioria das alegações, acusando organizações internacionais de fabricar abusos de direitos humanos como parte de uma campanha difamatória com a intenção secreta de derrubar o regime, embora admitam que há questões de direitos humanos relacionadas às condições de vida que o governo está tentando corrigir.[23][24][25][26]

História

Antes da divisão

Ver artigo principal: História da Coreia
Jikji, o primeiro livro impresso em uma tipografia (imprensa) com móveis metálicos, em 1377, 62 anos antes da imprensa de Gutenberg.[27]
O palácio de Gyeongbok é o maior dos cinco grandes palácios construídos durante a dinastia Joseon.

De acordo com a tradição, no ano 2 333 a.C., Tangun (também chamado Dangun) fundou a dinastia Chosŏn (chamada frequentemente de Gojoseon para evitar a confusão com a dinastia do século XIV de mesmo nome).[28]

A antiga Coreia passou a albergar uma série de cidades-estado em constantes guerras, que apareciam e desapareciam constantemente. Contudo, três reinos, Baekje, Silla e Koguryo, fortaleceram-se e dominaram a cena histórica da Coreia por mais de duzentos anos, no período conhecido como "os Três Reinos da Coreia".[29] Em 676 d.C., Silla unificou com sucesso quase todo o território coreano, com exceção do reino de Balhae. O domínio desses reinos, sobretudo a Coreia e parte da Manchúria, deu origem ao período dos estados Norte e Sul.[30]

Em 918, o general Wang Geon fundou o reino de Goryeo (ou Koryŏ, de que provém o nome Coreia). No século XIII, a invasão e dominação dos mongóis debilitou esse reino. Depois de quase trinta anos, o reino conservou o domínio sobre o território da Coreia, ainda que, na realidade, fosse um estado tributário dos mongóis. A queda do Império Mongol foi seguida por uma série de lutas políticas. Após a rebelião do general Yi Seong-gye em 1388, a dinastia Goryeo foi substituída pela dinastia Joseon.[28]

Entre 1592 e 1598, os japoneses invadiram a Coreia depois de a dinastia Joseon ter negado a passagem ao exército japonês liderado por Toyotomi Hideyoshi, em sua campanha à conquista da China. A guerra só terminou quando os japoneses se retiraram após a morte de Hideyoshi. É nessa guerra que surge como heroi nacional o almirante Yi Sun-sin e a popularização do famoso Navio Tartaruga.[31]


No século XVII, a Coreia foi finalmente derrotada pelos manchus e se uniu ao Império Chinês da Dinastia Qing. Durante o século XIX, graças à sua política isolacionista, a Coreia ganhou o nome de "Reino Eremita". A dinastia Joseon tratou de proteger-se contra o imperialismo ocidental, mas foi obrigada a abrir suas portas para o comércio ocidental. Depois da Segunda Guerra Sino-Japonesa e da Guerra Russo-Japonesa, a Coreia passou a ser parte do domínio japonês (1910-1945).[32] No final da Segunda Guerra Mundial, as forças japonesas se renderam às forças da União Soviética, que ocupava o norte da Coreia (atual Coreia do Norte), e dos Estados Unidos, que ocuparam a parte sul (atual Coreia do Sul).[33][34][35]

Depois da divisão

Ver artigo principal: História da Coreia do Norte
Kim Il-sung em um encontro do Partido dos Trabalhadores da Coreia em Pyongyang, 1946.
Aviões B-26 atacam depósitos logísticos em Wonsan durante a Guerra da Coreia, 1951

Em 1948, como consequência da divisão da península entre soviéticos e estadunidenses, surgiram duas novas entidades que permanecem até hoje: a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. No norte, um guerrilheiro antijaponês chamado Kim Il-sung obteve o poder por intermédio do apoio soviético; no sul, um político de direita, Syngman Rhee, foi nomeado como presidente.[36]

Em 25/6/1950, a Coreia do Norte invadiu a Coreia do Sul, dando início à Guerra da Coreia. O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu intervir contra a invasão com uma força liderada pelos Estados Unidos. Essa decisão só foi possível porque o delegado da União Soviética no Conselho de Segurança das Nações Unidas esteve ausente como forma de protesto pela admissão da República da China naquele órgão.[36] Por sua parte, a União Soviética e a China decidiram apoiar a Coreia do Norte, enviando efetivos militares e provisões para as tropas norte-coreanas. A guerra acabaria com baixas maciças de civis norte e sul-coreanos.[36] O armistício de 1953 dividiu a península ao longo da Zona Desmilitarizada da Coreia, traçada muito próxima à linha da demarcação original. Nenhum tratado de paz foi firmado, e tecnicamente os dois países continuaram em guerra. Estima-se que 2,5 milhões de pessoas morreram durante o conflito.[36]

No final da década de 1990, o Sul transitou para um modelo liberal democrático, com o sucesso da política Nordpolitik, e o poder do Norte tendo sido retomado pelo filho de Kim Il-sung, Kim Jong-il (e, posteriormente, por Kim Jong-un), as duas nações começaram a se aproximar publicamente pela primeira vez, com a Coreia do Sul declarando sua Política Sunshine.[37][38]

Em 2002, o presidente norte-americano George W. Bush marcou a Coreia do Norte como parte de um "eixo do mal" e um "posto avançado da tirania". O contato de mais alto nível que o governo teve com os Estados Unidos foi em 2000, com a então Secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright, que fez uma visita a Pyongyang,[39] porém os dois países não têm relações diplomáticas formais.[40] Em 2006, aproximadamente 37.000 soldados estadunidenses permaneceram na Coreia do Sul, embora, em junho de 2009, esse número tenha caído para cerca de 30.000.[41][42] Kim Jong-il, em particular, declarou aceitar a permanência das tropas norte-americanas na península, mesmo após uma possível reunificação.[43] Publicamente, a Coreia do Norte exige fortemente a retirada das tropas da Coreia.[43]

Em 13/6/2009, a agência de notícias norte-americana Associated Press reportou que, em resposta às novas sanções das Nações Unidas, a Coreia do Norte declarou que iria avançar com seu programa de enriquecimento de urânio. Isso marcou a primeira vez em que a RDPC publicamente reconheceu que estava conduzindo um programa de enriquecimento de urânio.[44] Em agosto de 2009, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton encontrou-se com Kim Jong-il para garantir a libertação de duas jornalistas norte-americanas.[45]

Em junho de 2010, a 12ª sessão da Suprema Assembleia Popular elegeu Choe Yong-rim para substituir Kim Jong Il no cargo de primeiro-ministro.[46]

Em agosto de 2015, o governo norte-coreano institui um novo fuso horário, atrasando os relógios 30 minutos em relação ao fuso horário anterior, utilizado por Japão e Coreia do Sul. A Coreia do Norte volta assim ao fuso horário praticado naquela península antes da ocupação japonesa.[47] Em 5 de maio de 2018 avançou 30 minutos voltando ao fuso horário da Coreia do Sul.[48]