Conjuração Baiana

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A Conjuração Baiana, também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que alguns participantes da trama exerciam este ofício) e recentemente também chamada de Revolta dos Búzios, foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no final do século XVIII (1798-1799), na então Capitania da Bahia, na colônia brasileira. Diferentemente da Inconfidência Mineira (1789-1792), foi difundida pela historiografia tradicional enquanto sendo um movimento de caráter popular em que defendiam a independência e o fim da escravidão, um governo republicano, democrático, com liberdades plenas, o livre-comércio e abertura dos portos como principais pontos.[1]

O movimento teve participação de pessoas com profissões mais simples, como sapateiros, borradores, ex-escravos e escravos, além, claro, de alfaiates. Houve também certo apoio de profissionais como advogados, padres e médicos.

A revolta teve grande influência de ideias iluministas, que ganharam força com a Revolução Francesa, além de alguns processos de independência no continente americano, como Estados Unidos e Haiti, junto com a Inconfidência Mineira.

A população se encontrava em um nível muito grande de insatisfação. Esse cenário começou alguns anos antes, quando foi decidido que Salvador deixaria de ser capital e que o Rio de Janeiro seria o novo local central da colônia. Com a diminuição da atenção para a Bahia, recursos passaram a ser menores, o que provocou dificuldades administrativas. Havia carência de alguns alimentos e os impostos cobrados eram altos para a população, o que acabou culminando na revolta.

Entre os principais líderes do movimento, destacam-se o político e filósofo Cipriano Barata, o soldado Luís Gonzaga das Virgens e os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento.

A revolta pretendia surpreender o governo, mas acabou falhando, uma vez que um dos integrantes contou os detalhes dos planos, permitindo que forças militares fossem mobilizadas para reprimir os revoltosos.[2][3][4][5]

Contexto

No ano de 1798, Portugal e a Europa como um todo, passavam por problemas e mudanças políticos, que anos mais tarde resultaria na vinda da família real para o Brasil. Vale ressaltar que a França, um grande agente histórico dessas mudanças, teve alguma participação direta na da Conjuração Baiana. Recentemente, pesquisadores tiveram acesso à documentos franceses, onde há uma comunicação entre autoridades francesas, sondando a possibilidade de que a França revolucionária pudesse intervir militarmente e politicamente para apoiar o movimento que se desenvolvia na Bahia contra a monarquia e o domínio português.[6][5]

Na Bahia, durante a última década do Séc. XVIII, devido a diversas guerras e conflitos, vinha tendo sua economia estimulada em um novo ciclo de alta da economia colonial no mundo, tendo a exportação como principal característica.

A cana-de-açúcar também tem um papel importante. No Nordeste, o produto havia entrado em decadência no final do século XVII, mas houve uma recuperação considerável no final do século XVII. Uma das causas foi a independência do Haiti, que com as revoltas, sofreu com desorganização econômica e teve canaviais e engenhos queimados e destruídos. Esse declínio da produção no Caribe valorizou o açúcar baiana no mercado internacional e os senhores de engenho brasileiros voltaram a trabalhar em um bom ritmo.[3]

Outro produto cultivado na Bahia era o tabaco, que servia como moeda de troca no tráfico de escravos realizado pelo mundo. Essa prática era ilegal e por isso irritava a corte portuguesa. As autoridades não se sentiam confortáveis com essa prática. Além disso, o tabaco também era trocado por produtos manufaturados de outros países europeus, o que violava o pacto colonial, que só permitia a compra de produtos de Portugal.[2][7]

A intenção de controlar mais o comércio da Bahia, a coroa portuguesa criou algumas leis. Uma delas obrigava o cultivo de determinados alimentos para evitar o desabastecimento e a fome. Como o lucro era a principal preocupação, os grandes latifundiários da época resistiam, focavam apenas no cultivo da cana e descumpriam a lei.

Isso provocou o aumento considerável dos preços da mandioca, por exemplo. A partir dela se fazia farinha que era um dos principais itens da alimentação da maior parte da população. Isso provocou um outro ciclo, mas dessa vez de fome para a população. Nesse cenário, o açúcar era exportado cada vez mais e o número de escravos negros também aumentava. A fome e o contato com ideias estrangeiras alimentou as tensões sociais na Bahia.

Com o monopólio dos comerciantes, o alto lucro com o açúcar e, consequentemente a elevação exorbitante da renda dos senhores de engenho, encareciam demais e agravavam a situação. Dessa maneira, diversos incidentes começaram a acontecer, como o saqueamento de armazéns e até o incêndio do pelourinho. Junto destes aspectos, chegavam notícias de revoltas e movimentos vindos de diversos lugares do Mundo. No Haiti, Estados Unidos, das colônias na Índia e também em Minas Gerais, o que alimentou a ideia de uma revolta.[7]