Conjuração Baiana

Conjuração Baiana
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Enforcamento de líderes da Conjuração Baiana, no Largo da Piedade, em Salvador, 1799. Ilustração de 2011.
PeríodoFinal do século XVIII (1798-1799)
LocalNa então Capitania da Bahia
ResultadoRepressão Militar
Prisão e execução de revoltosos
CausasSeparatista
ObjetivosEmancipação do Brasil
Implantação da República
Liberdade comercial
Participantes do conflito
Representantes das camadas populares, com grande números de negros e mulatos, de escravos e libertosGoverno da  Bahia
Líderes
Cipriano Barata
Político e médico
Luís Gonzaga das Virgens
Soldado

Alfaiates
Manuel Faustino dos Santos Lira
João de Deus do Nascimento

Conjuração Baiana, também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que alguns participantes da trama exerciam este ofício) e recentemente também chamada de Revolta dos Búzios, foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no final do século XVIII (1798-1799), na então Capitania da Bahia, na colônia brasileira. Diferentemente da Inconfidência Mineira (1789-1792), foi difundida pela historiografia tradicional enquanto sendo um movimento de caráter popular em que defendiam a independência e o fim da escravidão, um governo republicano, democrático, com liberdades plenas, o livre-comércio e abertura dos portos como principais pontos.[1]

O movimento teve participação de pessoas com profissões mais simples, como sapateiros, borradores, ex-escravos e escravos, além, claro, de alfaiates. Houve também certo apoio de profissionais como advogados, padres e médicos.

A revolta teve grande influência de ideias iluministas, que ganharam força com a Revolução Francesa, além de alguns processos de independência no continente americano, como Estados Unidos e Haiti, junto com a Inconfidência Mineira.

A população se encontrava em um nível muito grande de insatisfação. Esse cenário começou alguns anos antes, quando foi decidido que Salvador deixaria de ser capital e que o Rio de Janeiro seria o novo local central da colônia. Com a diminuição da atenção para a Bahia, recursos passaram a ser menores, o que provocou dificuldades administrativas. Havia carência de alguns alimentos e os impostos cobrados eram altos para a população, o que acabou culminando na revolta.

Entre os principais líderes do movimento, destacam-se o político e filósofo Cipriano Barata, o soldado Luís Gonzaga das Virgens e os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento.

A revolta pretendia surpreender o governo, mas acabou falhando, uma vez que um dos integrantes contou os detalhes dos planos, permitindo que forças militares fossem mobilizadas para reprimir os revoltosos.[2][3][4][5]

Contexto

No ano de 1798, Portugal e a Europa como um todo, passavam por problemas e mudanças políticos, que anos mais tarde resultaria na vinda da família real para o Brasil. Vale ressaltar que a França, um grande agente histórico dessas mudanças, teve alguma participação direta na da Conjuração Baiana. Recentemente, pesquisadores tiveram acesso à documentos franceses, onde há uma comunicação entre autoridades francesas, sondando a possibilidade de que a França revolucionária pudesse intervir militarmente e politicamente para apoiar o movimento que se desenvolvia na Bahia contra a monarquia e o domínio português.[5][6]

A Capitania da Bahia, durante a última década do Séc. XVIII, devido a diversas guerras e conflitos, vinha tendo sua economia estimulada em um novo ciclo de alta da economia colonial no mundo, tendo a exportação como principal característica.

A cana-de-açúcar também tem um papel importante. No Nordeste, o produto havia entrado em decadência no final do século XVII, mas houve uma recuperação considerável no final do século XVII. Uma das causas foi a independência do Haiti, que com as revoltas, sofreu com desorganização econômica e teve canaviais e engenhos queimados e destruídos. Esse declínio da produção no Caribe valorizou o açúcar baiana no mercado internacional e os senhores de engenho brasileiros voltaram a trabalhar em um bom ritmo.[3]

Outro produto cultivado na Bahia era o tabaco, que servia como moeda de troca no tráfico de escravos realizado pelo mundo. Essa prática era ilegal e por isso irritava a corte portuguesa. As autoridades não se sentiam confortáveis com essa prática. Além disso, o tabaco também era trocado por produtos manufaturados de outros países europeus, o que violava o pacto colonial, que só permitia a compra de produtos de Portugal.[2][7]

A intenção de controlar mais o comércio da Bahia, a coroa portuguesa criou algumas leis. Uma delas obrigava o cultivo de determinados alimentos para evitar o desabastecimento e a fome. Como o lucro era a principal preocupação, os grandes latifundiários da época resistiam, focavam apenas no cultivo da cana e descumpriam a lei.

Isso provocou o aumento considerável dos preços da mandioca, por exemplo. A partir dela se fazia farinha que era um dos principais itens da alimentação da maior parte da população. Isso provocou um outro ciclo, mas dessa vez de fome para a população. Nesse cenário, o açúcar era exportado cada vez mais e o número de escravos negros também aumentava. A fome e o contato com ideias estrangeiras alimentou as tensões sociais na Bahia.

Com o monopólio dos comerciantes, o alto lucro com o açúcar e, consequentemente a elevação exorbitante da renda dos senhores de engenho, encareciam demais e agravavam a situação. Dessa maneira, diversos incidentes começaram a acontecer, como o saqueamento de armazéns e até o incêndio do pelourinho. Junto destes aspectos, chegavam notícias de revoltas e movimentos vindos de diversos lugares do Mundo. No Haiti, Estados Unidos, das colônias na Índia e também em Minas Gerais, o que alimentou a ideia de uma revolta.[7]