Condado Portucalense

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Condado Portucalense
Condado de Portugal
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868 – 1139PortugueseFlag1143.svg
FlagBrasão
BandeiraBrasão
Localização de Condado Portucalense
Condado Portucalense em 1070
ContinenteEuropa
CapitalPortus Cale, depois Guimarães
Língua oficialLíngua Portuguesa
ReligiãoCatólica
GovernoMonarquia
Conde
 • 1096-1112Henrique de Borgonha
História
 • 868Fundação
 • 1139Dissolução

O Condado Portucalense (868 - 1139) foi um condado que surge ao longo do processo de reconquista da península ibérica pelos cristãos. Deste nome provém o atual Portugal, pois durante a Alta Idade Média a atual Região Norte portuguesa foi denominada como Condado Portucalense, para diferenciá-la do Reino da Galiza. A denominação histórica para o território coberto por ambos era o de Galiza, herdando o nome da Galécia romana. Houve, no actual território de Portugal, ao longo do processo de reconquista, dois governos denominados de Condado Portucalense ou Condado de Portugal. Em documentos coevos, o território denominava-se Portugália[1], sendo o condado fundado por Vímara Peres em 868, após a presúria aos mouros de Portucale (o Porto). A partir de finais do século X e com Gonçalo Mendes, os condes portugueses passaram a usar o título de duques, o que poderia indicar maior importância e maior extensão territorial.

A província portugalense que correspondia sensivelmente ao Entre-Douro-e-Minho, foi destacada da Galécia e tinha inicialmente o Porto como capital,[1] mas dada a revelia e poder dos condes de Portugal, agora duques, que ingeriam na monarquia leonesa, tendo um deles sido regente do reino entre 999 e 1008, o condado acabou por sucumbir após uma batalha entre o conde português e Garcia da Galiza e o território foi reagrupado no Reino da Galiza em 1071, Garcia passou a intitular-se "rei de Portugal e da Galiza". O condado, embora gozando de autonomia significativa, era vassalo do reino de Leão.

O Condado Portucalense reemergiu, em 1096 pela mão de Henrique de Borgonha como oferta do rei Afonso VI de Leão pelo auxílio na Reconquista de terras aos mouros, a quem deveria prestar vassalagem, tendo também recebido a mão de sua filha, a infanta D. Teresa de Leão. A "Terra de Portugal" foi concedida como dote hereditário de D.Teresa. Este último condado era maior em extensão e abarcava também os territórios do antigo condado de Coimbra, suprimido em 1091, partes de Trás-os-Montes e ainda do sul da Galiza, a diocese de Tui. De notar que Condado é um termo genérico para designar o território português, já que os seus chefes eram alternativamente intitulados comite (conde), dux (duque), princeps (príncipe) e até regina (rainha).

Fundação do condado

A reocupação e possível reconstrução ou fortificação de Portucale verificou-se após a presúria de Vímara Peres, em 868, vivendo, a partir de então, um próspero período da sua história: daí partiu toda a acção de reorganização, bem sucedida, e nalguns casos de repovoamento, para além dos limites da antiga diocese nela sediada, quer ao norte do rio Ave, quer ao sul do rio Douro. Por esta altura, o território designava-se de Terra Portugalense ou Portugalia. Desta forma, o antigo burgo de Portucale deu o nome a um novo estado ibérico.[1]

Paulo Merêa refere a existência de documentos comprovadamente encontrados na província de Ourense, na Galiza, nos quais surge a referência expressa a terras situadas em Portugal, ou seja, ao sul do rio Lima, e que então pertenciam, e vieram ainda a pertencer durante algum tempo, no âmbito da organização eclesiástica de Tui, repovoada durante o reinado de Ordonho I.

Apenas dez anos decorridos sobre a reconquista definitiva de Portucale tivesse sido tomada a cidade de Coimbra e erigida em condado independente às mãos de Hermenegildo Guterres em 878; a sua posição de charneira entre os mundos cristão e muçulmano permitiu uma vivência de maior paz no Entre-Douro-e-Minho, se bem que a região era alvo de incursões normandas regulares. As campanhas do Almançor, em finais do século X, porém, fizeram recuar a linha de fronteira de novo até ao Douro e o condado de Coimbra é suprimido. Na segunda metade do século XI, reconstituiu-se ao sul o condado de Coimbra, que incluía ainda as terras de Lamego, Viseu e Feira, sendo entregue ao conde ou alvazil Sesnando Davides, que conquistara definitivamente a cidade em 1064. Este condado viria mais tarde a ser incorporado no Portucalense.

Em 1065, o Condado Portucalense e a Galiza fizeram parte do território atribuído por Fernando I ao seu filho mais novo Garcia II. No entanto, ele lutava por controlar o conde Nuno Mendes. Com a sua vitória em 1071, na Batalha de Pedroso, entre a cidade de Braga e o rio Cávado, onde derrota Nuno Mendes, Garcia passa a intitular-se "Rei de Portugal e Galiza" (GARCIA REX PORTUGALLIAE ET GALLECIAE), o Condado Portucalense é extinto dado que os herdeiros naturais, Loba Nunes e Sesnando Davides, filha e genro do conde, que tinham o direito de herdar o título, vêem boa parte dos bens confiscados por Garcia II.

Pouco depois, em 1071, os seus irmãos Afonso VI e Sancho II tomaram o reino de Portugal e Galiza, expulsando Garcia. Na primavera seguinte, Sancho, por sua vez, expulsou Afonso, voltando a juntar os três reinos, o de Leão, o de Portugal e Galiza e o de Castela. Sancho aparece identificado como rei num documento português de 1072. Com o assassinato de Sancho, mais tarde, no mesmo ano, D. Afonso VI sucedeu na coroa de Leão, que abrangia os três reinos.

Portucale

A povoação que deu origem ao nome do condado, localizava-se junto à foz do rio Douro e tinha o nome de Portus Cale. O rei visigodo Leovigildo e seus sucessores cunharam moeda com a legenda Portucale. Forma que passou a Portugale em documentos do século VII para o VIII.[1] O topónimo que significa "Porto de Cale", que se julga ser um nome híbrido formado por um termo latino (Portus, "porto") e outro grego (καλός, transl. kalós, "belo"), donde qualquer coisa como "Porto Belo". Outra explicação é de que o nome derivaria dos povos de cultura castreja que habitariam a área de Cale nos tempos pré-romanos - os galaicos. Uma explicação alternativa é a de que o nome deriva da deusa venerada pela tribo e que poderia historicamente relacionar-se com a palavra Cailleach (definida como "deusa ancestral"), na Irlanda, numa invasão celta proveniente da Galécia e que teria nesses primórdios invadido a actual Irlanda. Uma outra teoria afirma que a palavra cale ou cala, seria celta e significava "porto", uma "enseada" ou "abrigo", e implicava a existência de um porto celta mais antigo.[2] Ainda outra teoria propõe que Cale deriva de Caladunum.[3]

No século I a.C., as " Histórias de Salústio" referem uma "Cales civitas" localizada na Galécia; Cale teria também sido conquistada por Perpena; no século IV, no "Itinerário de Antonino", fala-se de uma povoação chamada de Cale ou Calem; no século IV, Idácio de Chaves escreve sobre um "Portucale castrum".[4]

Embora a existência da povoação na foz do Douro durante o período romano se encontre confirmada, o mesmo não acontece para a sua localização exacta; o Paroquial Suévico de São Martinho de Dume, estudado pelo cónego Pierre David após a sua identificação pelo também cónego Avelino de Jesus da Costa, um dos nomes mais importantes da diplomacia portuguesa,[5] refere-se, séculos depois, a um povoado que designava como Portucale Castrum Antiquum, na margem esquerda, e outro, o Portucale Castrum Novum, na direita.

Aquando do domínio dos suevos, Portucale foi palco de vários acontecimentos, contando-se entre eles o aprisionamento de Requiário durante a invasão dos visigodos comandados por Teodorico II (457), a revolta do seu governador Agiulfo, que pretendia ser aclamado rei e foi executado, e a última batalha (585) de Andeca, último rei suevo, vencido por Leovigildo.

Quando da invasão muçulmana da península Ibérica, Portucale era já, desde a segunda metade do século VI, a sede da diocese Portucalense, situada na província da Galécia, e tendo por metropolita o bispo de Braga. Após a invasão, a diocese não sobreviveu, tendo sido apenas restaurada após a reconquista do Porto, em 868.

Condes de Portucale

Ver artigo principal: Lista de condes de Portucale

Foram condes da Casa de Vímara Peres (nem sempre em linha recta, mas recorrendo às vezes à sucessão congnática):[6]

# Nome Início do governo Fim do governo Notas
1 Vímara Peres[6] Vimaraperes.jpg 868 873
2 Lucídio Vimaranes[6] 873 922 Filho de Vímara Peres.
4 Hermenegildo Gonçalves
(esposo da condessa Mumadona Dias)[6]
Guimarães Mumadona Dias.jpg 926 943 Filho de Gonçalo Betotes,[6] depois da sua morte, sua viúva governou o condado até 950.
5 Gonçalo Mendes 950 999 Filho de Hermenegildo Gonçalves e Mumadona Dias.[6] Em 997 intitula-se magnus dux portucalensium.
6 Mendo II Gonçalves 999 1008 Filho de Gonçalo Mendes, sucedeu seu pai no governo do condado.[7]
7 Alvito Nunes 1008 1016 Descendente de Vímara Peres, governou o condado conjuntamente com Tutadona, a viúva do conde Mendo II Gonçalves.[8]
8 Nuno Alvites 1016 1028 Filho de Alvito Nunes, governou conjuntamente com a esposa, Ilduara Mendes, filha do conde Mendo II Gonçalves.[7] Segundo José Mattoso, "...as duas linhas que podiam reivindicar a sucessão no condado unem-se, em virtude do casamento do conde Nuno Alvites (1017-1025) [descendente de Vimara Peres] com a condessa Ilduara Mendes, filha de Mendo II Gonçalves [descendente de Gonçalo Betotes]... Os destinos das duas famílias, uma procedente de Vímara Peres, o presor do Porto, e outra de Afonso Betote, o presor de Tuy, estão, portanto, intimamente vinculados pela sua participação no governo do condado portucalense."[7]
9 Mendo Nunes[7] 1028 1050 Filho de Nuno Alvites governou o condado com sua mãe Ilduara Mendes e por conta propria a partir do ano 1043.
10 Nuno Mendes 1050 1071 Filho de Mendo Nunes, foi o último conde da família de Vímara Peres; derrotado pelo rei Garcia da Galiza na batalha de Pedroso.[7]