Cinema novo
English: Cinema Novo

Disambig grey.svg Nota: Para o movimento homônimo português, veja Novo Cinema. Para a canção de Gilberto Gil e Caetano Veloso, veja Cinema Novo (canção).
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Cinema Novo é movimento cinematográfico brasileiro, destacado pela sua ênfase na igualdade social e intelectualismo que se tornou proeminente no Brasil durante os anos 1960 e 1970. O Cinema Novo se formou em resposta à instabilidade racial e classista no Brasil. Influenciados pelo neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, filmes produzidos sob a ideologia do Cinema Novo se opuseram ao cinema tradicional brasileiro de até então, que consistia principalmente em musicais, comédias e épicos ao estilo "hollywoodiano".[1] Glauber Rocha é amplamente considerado o cineasta mais influente do cinema.[2][3][4] Hoje, o movimento é muitas vezes dividido em três fases sequenciais que diferem em tom, estilo e conteúdo.

Apesar de surgir em circunstâncias similares, o Cinema Novo não deve ser confundido com o Novo Cinema (às vezes também chamado de "Cinema Novo"), um movimento de filmes que surgiu em Portugal entre 1963 e 1974.

Origens

Antecedentes

Na década de 1950, o cinema brasileiro era dominado por chanchadas (musicais, muitas vezes cômicos e "baratos" [6]), épicos de grande orçamento que imitavam o estilo de Hollywood, [6] e "cinema sério" que o cineasta de Cinema Novo Carlos Diegues caracteriza como "às vezes cerebral e muitas vezes ridiculamente pretensioso". [7] Este cinema tradicional foi apoiado por produtores, distribuidores e expositores estrangeiros. À medida que a década terminava, jovens cineastas brasileiros protestaram contra os filmes que eles percebiam como "de mau gosto e comercialismo sórdido, uma forma de prostituição cultural" que dependia do patrocínio de "um Brasil analfabeto e empobrecido". [7]

Tudo começa em 1952 com o primeiro Congresso Paulista de Cinema Brasileiro e o primeiro Congresso Nacional do Cinema Brasileiro. Por meio desses congressos, foram discutidas novas ideias para a produção de filmes nacionais.

Essa nova fase está bem representada no filme Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos. As propostas do neorrealismo italiano, que Alex Viany vinha divulgando, foram a inspiração do autor do filme.

Um trecho do livro A Fascinante Aventura do Cinema Brasileiro (1981), de Carlos Roberto de Souza, expressa bem quais viriam a ser as pretensões do cinema nessa época:

"Rio, 40 graus era um filme popular, mostrava o povo ao povo, suas ideias eram claras e sua linguagem simples dava uma visão do Distrito Federal. Sentia-se pela primeira vez no cinema brasileiro o desprezo pela retórica. O filme foi realizado com um orçamento mínimo e ambientado em cenários naturais: o Maracanã, o Corcovado, as favelas, as praças da cidade, povoada de malandros, soldadinhos, favelados, pivetes e deputados."

O Cinema Novo tornou-se cada vez mais político. Na década de 1960, o Brasil estava produzindo o cinema mais político da América do Sul, tornando-se, portanto, o "lar natural do movimento Cinema Novo". [5] O Cinema Novo aumentou a proeminência ao mesmo tempo que os presidentes progressistas brasileiros Juscelino Kubitschek e mais tarde João Goulart assumiram o cargo e começaram a influenciar a cultura popular brasileira. Mas não foi até 1959 ou 1960 que 'Cinema Novo' surgiu como um rótulo para o movimento. [6] De acordo com Randal Johnson e Robert Stam, o Cinema Novo começou oficialmente em 1960, com o início de sua primeira fase. [8]

Em 1961, o Centro Popular da Cultura, organização associada à União Nacional dos Estudantes, lançou Cinco Vezes Favela, um filme seriado em cinco episódios que Johnson e Stam afirmam ser "um dos primeiros" produtos do movimento Cinema Novo. [9] O Centro Popular de Cultura (CPC) procurou "estabelecer um vínculo cultural e político com as massas brasileiras, colocando peças em fábricas e bairros da classe trabalhadora, produzindo filmes e registros e participando de programas de alfabetização". [9] Johnson e Stam afirmam que "muitos dos membros originais do Cinema Novo" também eram membros ativos no CPC que participaram da produção de Cinco Vezes Favela. [9]

Influências

Os cineastas brasileiros modelaram o Cinema Novo segundo gêneros conhecidos por subversão: neorrealismo italiano e Nouvelle Vague francesa. Johnson e Stam afirmaram ainda que o Cinema Novo tem algo em comum "com o filme soviético dos anos vinte", que, como o neorrealismo italiano e a francesa Nouvelle Vague, "tinha uma propensão para teorizar sua própria prática cinematográfica". [10] O cinema neorrealista italiano filmava frequentemente em localização com atores não-profissionais e cidadãos da classe trabalhadora representados durante os tempos econômicos difíceis após a Segunda Guerra Mundial. A Nouvelle Vague absorveu fortemente o neorrealismo italiano, pois os diretores franceses rejeitaram o cinema clássico e abraçaram a iconoclasia.

Alguns proponentes do Cinema Novo foram "desprezíveis com a política da Nouvelle Vague", considerando sua tendência de copiar estilisticamente Hollywood como elitista. [2] Mas os cineastas de Cinema Novo foram bastante atraídos pelo uso da teoria do autor por parte da onda francesa, o que permitiu aos diretores fazer filmes de baixo orçamento e desenvolver bases de fãs pessoais.