Cinema da Turquia

O cinema da Turquia é uma parte importante da cultura turca, que desabrochou ao longo dos anos, levando entretenimento aos espectadores na Turquia, na Europa e, ocasionalmente, nos Estados Unidos. Yeşilçam é uma referência para a indústria cinematográfica turca tal qual Hollywood é para a indústria cinematográfica norte-americana.

História

Visão geral

Em termos de produção cinematográfica, a Turquia partilhou a mesma sorte de muitos dos cinemas nacionais do século XX. A sua produção cinematográfica não foi continua até década de 1950, e o mercado de filmes em geral foi dominado por um pequeno número de grandes empresas de importação que lutaram pela dominação do mercado nos mais populosos e rentáveis centros urbanos, como Istambul e Izmir. A salas de cinema raramente exibiam projeções locais, e a maior parte da programação consistia de filmes das mais fortes indústrias do ocidente, em especial a dos Estados Unidos, França, Itália e Alemanha. Tentativas de produção de filmes turcos só aconteceram após apoio desses importadores, que possuiam forte sistema de distribuição e cadeias de salas de cinemas, e que lhes garantiam um retorno do investimento.

Entre os anos de 1896 e 1945, o número de filmes produzidos localmente não alcançava sequer 50 filmes no total, equiparando-se à media anual de produção de menos de um filme por ano. Comparado com os milhares de filmes que haviam sido importados e exibidos nesse mesmo período, é difícil falar sobre a existência de uma produção cinematográfica na Turquia antes de 1950.

Esse cenário iria mudar rapidamente após a segunda guerra mundial. Um total de 49 filmes produzidos em 1952 significou que no período de um ano mais filmes haviam sido produzidos do que a indústria turca produzira durante todos seus anos anteriores. Nos anos 1960, a Turquia tornou-se a décima quinta maior produtura de filmes no mundo, e a produção anual chegou à marca de 300 títulos no começo da década de 1970. Comparada com a história de outros cinemas nacionais, as conquistas da indústria turca depois de 1950 ainda são notáveis.

No entanto, o impacto da televisão e do vídeo como novas mídias populares, e a agitação política dos anos 1970 (muitas vezes de mãos dadas com a profunda crise econômica) provocou uma forte queda nas vendas de bilhetes, resultando em uma longa crise, iniciada por volta de 1980 e que continuou até o meados dos anos 1990. O número anual de vendas de bilhetes diminuiu de 90 milhões de bilhetes em 1966[1] para 56 milhões de bilhetes em 1984, e apenas 11 milhões em 1990.[2] Por conseguinte, o número de salas caiu de aproximadamente 2000 slas em 1966[1] para 854 em 1984, e 290 em 1990.[3] Durante os anos 1990, a média do número de filmes produzidos por ano permaneceu entre 10-15 filmes, geralmente metade deles nem sequer chegando às salas de projeção.

Desde 1995 a situação melhorou. Após o ano de 2000, as vendas anuais de bilhete alcançaram os 20 milhões e, desde 1995 o número de salas aumentou continuamente para aproximadamente 500 salas em todo o país. Agora, os filmes turcos atraem milhões de espectadores e aparecem no topo das listas de blockbusters, muitas vezes superando filmes estrangeiros em termos de bilheteira. No entanto, é difícil falar sobre a existência de uma indústria, já que a maioria dos filmes são na verdade projetos individuais de diretores que ganham a vida na televisão, na publicidade ou no teatro. A distribuição destes filmes são tratadas principalmente por empresas estrangeiras, como a Warner Bros e a United International Pictures.

Pré-1950

A maior parte dos filmes turcos produzidos antes de 1950 eram projetos iniciados por empresas importadoras pertencentes a famílias locais, mais notavelmente Ipek Film, uma empresa agregada à Ipek Merchandise, empresa de importação que já existia no século XIX como pode ser visto em seus anúncios publicados em antigos jornais publicados em otomano, como Servet-i-Fünun.

Outra importante empresa no início da era do cinema turco foi de Kemal Film, uma companhia de presença contínua enquanto líder de importações, e que chegou a produzir alguns filmes na década de 1920. É interessante observar que os fundadores da Kemal Film compraram sua primeira câmera cinematográfica através de um empréstimo do Ipek Merchandise. Ambas as empresas seriam as mais fortes distribuidoras de filmes até a década de 1950, e foram as únicas empresas financeiramente sólidas o suficiente para produzir filmes próprios com baixos riscos de fracasso financeiro, dado que já estavam na posse de um sistema de distribuição e das cadeias de salas de cinema.

No entanto, a notável evolução dessas empresas deve ser encarada como as adaptações necessárias para o progresso tecnológico da indústria cinematográfica ocidental cujos filmes importadoram. Um exemplo é a criação do Marmara Dubbing Studio no início dos anos 1930, quando a era do silêncio chegou ao fim no ocidente, e os filmes com som tornaram-se o novo padrão, o que levou as empresas dependentes da importação a ter de se ajustar às novas exigências tecnológicas.

Os grandes distribuidores em Istambul, liderada por İpek Film e Kemal Film, gradualmente expandiram seu sistema de distribuição no resto do país durante a década de 1930, levando ao chamado "sistema regional" (Bölge İşletmeleri), que consistiu em sete áreas de distribuição, com as suas sedes estando situadas nas mais importantes cidades dessas regiões: İstambul (região de Mármara), İzmir ( região de Egeu), Ancara (região da Anatólia Central), Samsun (região do Mar Negro), Adana ( Região da Anatólia Mediterrânea), Erzurum (região da Anatólia Oriental) e Diarbaquir (região do Sudeste da Anatólia).[4]

O sistema regional tornou-se muito mais importante após a década de 1950, quando aumentou dramaticamente a produção cinematográfica local, e os filmes locais superaram os filmes importados tanto em bilhetes quanto em vendas. Este sistema tornou-se o fundamento financeiro da Yeşilçam (muitas vezes referido como "Hollywood turca"), que foi o coração da produção cinematográfica entre os anos 1955-1975. Após 1965, um chamado "sistema combinado" (kombine sistem), liderado por um acordo entre alguns líderes regionais, assumiu o controle sobre quase tudo em matéria de produção.[4] O protagonista do acordo foi o produtor Türker İnanoğlu, que ainda está ativo no ramo dos meios de comunicação, atualmente por trás da Ulusal Film, a maior empresa produtora de televisão da Turquia.

O primeiro filme exibido na Turquia foi no Palácio Yildiz, em Istambul, em 1896. Mostras públicas organizadas por Sigmund Weinberg na Beyoglu e distritos Sehzadebasi seguiram-se em 1897. Weinberg já era uma figura proeminente nesse momento, especialmente conhecido por ser um representante de empresas estrangeiras, como a Pathé, pela qual ele vendeu gramofones antes de ir parar no ramo dos filme. Em algumas fontes há registros também de em que ele é mencionado como um fotógrafo, novamente sendo isso resultado do fato de representar empresas estrangeiras como a Kodak-Goldmann. O primeiro filme turco, um documentário produzido por Fuat Uzkinay em 1914, retrata a destruição do monumento russo em Ayastefanos por parte do público. Os primeiros filmes temáticos turcos foram: "The Marriage of Himmet Aga" (1916–1918), iniciado por Weinberg e completado por Uzkinay, "The Paw" (1917) e " The Spy" (1917), ambos por Sedat Simavi. Apadrinhadas pelo exército a Central Cinema Directorate, uma sociedade de defesa nacional semi-militar, e a Sociedade dos Veteranos Inválidados eram organizações de produtores desse período.

Em 1922 um grande filme documentário, " Independence, the İzmir Victory, foi feito sobre a primeira guerra da Independencia. No mesmo ano, o primeiro estúdio de filmes privado, Kemal Filmes, começou a operar. De 1923 a 1939, Muhsin Ertugrul era o único diretor de filmes no país. Ele dirigiu 29 filmes durante esse período, genericamente incorporando adaptações de peças, operetas, ficções e filmes estrangeiros. A influencia do teatro da época de Uzkinay, Simavi, Ahmet Fehim e Karagozoglu é muito forte no trabalho de Muhsin Ertugrul.

Os anos entre 1939 e 1950, foram um período de transição para o filme/cinema Turco, durante os quais este foi grandemente influenciado pelo teatro assim como pela Segunda Guerra Mundial. Enquanto havia apenas duas companhias de filme em 1939, o número cresceu para quatro entre 1946 e 1950. Depois de 1949, o cinema turco pode desenvolver-se como uma arte separada, com um calibre profissional de maior talento.

A Era Yeşilçam

'Yesilçam' ("Verde Pinho") é uma metonímia para a indústria cinematográfica turca, semelhante ao Hollywood nos Estados Unidos e Pinewood no Reino Unido. Yeşilçam é assim nomeado devido à rua Yeşilçam na Beyoglu distrito de Istambul, onde muitos atores, diretores, membros da tripulação e estúdios viviam.

Yeşilçam experimentou o seu apogeu durante os anos 1950-1970, quando ele produziu anualmente entre 250-350 filmes. Após a década de 1970, Yeşilçam sofreu devido à propagação da televisão, na Turquia. No entanto, Yeşilçam tem observado um ressurgimento desde 2002, tendo produzido filmes aclamados pela crítica como Uzak( Grand Prix (Cannes Film Festival), 2003), Babam ve Oğlum e Propaganda.

Atores turcos mais comumente associados à Yeşilçam são:

Entre 1950 e 1966, mais de cinquenta diretores de cinema produziam filmes de arte na Turquia. Ömer Lütfi Akad influenciou fortemente o período, mas Osman Fahir Seden, Atif Yılmaz e Memduh Ün fizeram a maior parte dos filmes. O filmeSusuz Yaz (Dry Summer), feito por Metin Erksan, venceu o Golden Bear Award, o Festival de Cinema de Berlim em 1964.

O número do público de cinema e o número de filmes feitos mostram um aumento constante, principalmente depois de 1958. Na década de 1960, os cursos de cinema foram incluídos nos programas de teatro dos departamentos de Língua, História e Geografia das faculdades de Universidade de Ancara e Universidade de Istambul, e na Escola Maior de Imprensa e Publícações da Universidade de Ancara. Um ramo cinema foi também estabelecido no Departamento de História da Arte da Academia Estadual de Belas Artes.

A União dos Produtores de Cinema turco, e do Arquivo Estadual de Filmes também foram estabelecidas nos anos 1960.Arquivo Estadual de Filmes tornou-se o Arquivo de Filmes Turcos, em 1969. Durante o mesmo período, o Instituto Cinema-TV foi fundado e anexado à Academia Estadual de Belas Artes. O Arquivo de Filmes Turcos também tornou-se parte dessa organização. Em 1962, o Instituto Cinema-TV tornou-se um departamento da Mimar Sinan University. Entre os bem conhecidos diretores do período 1960-1970 estão Metin Erksan, Atif Yilmaz, Memduh Ün, Halit Refiğ, Duygu Sağıroğlu, Remzi Aydın Jöntürk e Nevzat Pesen. Em 1970, os números de salas de cinema e público de cinema aumentou espectacularmente. Em 2.424 cinemas, os filmes foram vistos por um número recorde de 247 milhões de telespectadores. Em 1970, cerca de 220 filmes foram feitos e este número chegou a 300 em 1972. Cinema turco deu à luz o seu lendário estrelas no presente período, sendo exemplos notáveis Kemal Sunal, Kadir İnanır, Türkan Şoray e Sener Sen. Após esse período no entanto, o cinema começou a perder as suas audiências, devido às transmissões televisivas a nível nacional. Depois de 1970, uma nova geração de jovens realizadores surgiram, mas eles tinham que fazer face a uma procura crescente de filmes em vídeo depois de 1980.

Declínio da Yeşilçam e a Era Pós-Yeşilçam

O aumento dos custos de produção e dificuldades enfrentadas na importação de matérias-primas levaram a uma diminuição no número de filmes feitos nos anos 1970, mas melhorou a qualidade dos filmes. No entanto, a queda de popularidade do cinema continua. No início dos anos noventa, houve apenas dois ou três filmes lançados por ano. Durante este período, a maior parte das estrelas dos anos setenta, ou tinham deslocado-se para TV, ou estavam tentando reconstruir a glória da antiga Yeşilçam. Alguns dos exemplos notáveis desta época são Eşkıya (O Bandido) eZüğürt Aga(Inglês:The Agha), ambos estrelando Şener Şen. Ambos os filmes foram comercialmente e criticamente aclamados.

No entanto, a volta da Yesilçam não ocorreu até o lançamento de Vizontele. O filme foi dirigido, escrito, e estrelado por Yılmaz Erdoğan, que já era aclamado por seu sit-com já existente há muito tempo: Bir Demet Tiyatro, e sua dedicação ao teatro. Estrelaram no filme um cast de atores que lhe acompanhavam, sendo os mais notavéis: Demet Akbağ, Altan Erkekli, e Cem Yılmaz. Este enorme sucesso comercial do filme (assistido por 2,5 milhões de espectadores, que deu ao filme o título de 'filme mais visto' na sua época) trouxe a atenção para a indústria. Alguns anos mais tarde, Cem Yılmaz lançou o seu próprio filme, G.O.R.A., que ele próprio escreveu e estrelou. Esse e a sequência de Vizontele, Vizontele Tuuba quebraram os recordes de Vizontele, conseguindo 3.5 e 3 milhões de espectadores, respectivamente.

Desde então, foram produzidos filmes com maiores orçamentos, sendo exemplos notáveis Kurtlar Vadisi: Irak (Vale dos Lobos: Iraque),continuando a história da polêmica série Kurtlar Vadisi, (alcançou 4 milhões de telespectadores e ainda detém o recorde), Babam ve Oğlum (Meu pai e meu filho), segundo filme do Cem Yılmaz: Hokkabaz(Inglês:Mago).

Tem-se verificado um aumento nos filmes experimentais a partir do ano 2000. Notavelmente o filme Türev de 2005 foi filmado sem um script e conta até com cameras escondidas dos atores. Em Anlat Istanbul (Contos de Istambul), temos uma peça dividida em cinco "mini filmes" que também obteve uma forte recepção.

Os números de produção também subiram na segunda metade dos anos 2000, com 40 filmes em 2007, e 4 grandes títulos a serem considerados hits em 2007, ao passo que a indústria cinematográfica se tornou rentável novamente com a melhoria da qualidade técnica correspondendo com o aumento crescente de custos de produção de filmes comerciais.[5]