Cidade do México

Cidade do México

Ciudad de México

  Cidade do México México  
Do topo à esquerda: El Ángel de la Independencia, Catedral Metropolitana, zona financeira do Paseo de la Reforma, Torre Latinoamericana, Palácio Nacional, zona financeira de Polanco, Castelo de Chapultepec, Monumento a la Revolución, o Palacio de Bellas Artes e panorâmica da cidade.
Do topo à esquerda: El Ángel de la Independencia, Catedral Metropolitana, zona financeira do Paseo de la Reforma, Torre Latinoamericana, Palácio Nacional, zona financeira de Polanco, Castelo de Chapultepec, Monumento a la Revolución, o Palacio de Bellas Artes e panorâmica da cidade.
Bandeira de Cidade do México
Bandeira
Brasão de armas de Cidade do México
Brasão de armas
Cidade do México está localizado em: México
Cidade do México
Localização de Cidade do México no México
Coordenadas19° 36' N 98° 57' O
País México
Estado do MéxicoMéxico
  • 13 de março de 1325 Tenochtitlán
  • 13 de agosto de 1521 Cidade do México
  • 18 de novembro de 1824 Distrito Federal
  • 29 de janeiro de 2016 Cidade do México
Fundação
Administração
 - PrefeitoMiguel Ángel Mancera
Área
 - Total1 479 (CDMX)/4 986 (Metrópole) km²
Altitude2 235 m
População
 - Total8 864 370
    • Densidade 5,896 hab./km²
Gentílicocapitalino/a
Fuso horário-6
Sítiocdmx.gob.mx

Cidade do México (em espanhol: Ciudad de México, pronunciado: sjuˈðað de ˈmexiko ( ouvir)), anteriormente Distrito Federal (até 29 de janeiro de 2016), é a capital do México e sede dos poderes federais dos Estados Unidos Mexicanos,[1] constituindo uma de suas 32 entidades federativas, bem como figurando como a maior e mais importante entidade urbana do país.

A Cidade do México, com 8 864 370 habitantes (2012)[2], é a cidade mais populosa do México e da América do Norte. Ocupa uma décima parte do Vale do México no centro-sul do país, em um território que se formou da bacia hidrográfica do lago de Texcoco. Em seu crescimento demográfico nos últimos dois séculos, a Cidade do México foi incorporando vários povoados vizinhos. A sua referida região metropolitana, nomeada oficialmente como "Zona Metropolitana do Vale do México", que reúne mais de 40 municípios além da capital e abriga mais de 20 milhões de habitantes[3] (dados de 2010), ou cerca de 1/5 da população mexicana, o que faz dela, independente de como se define, a maior aglomeração urbana do continente americano, e a terceira mais populosa do mundo[4], ficando atrás somente das regiões metropolitanas de Tóquio, no Japão, e de Seul, na Coreia do Sul.

A cidade que hoje corresponde à capital mexicana foi fundada por volta do século XIV e era a capital do Império Asteca, quando se chamava Tenochtitlán, que acabou por ser completamente destruída pelos colonos espanhóis em 1524, tendo sido reconstruída nas décadas seguintes seguindo os padrões de colonização de exploração implementados pelo Império Espanhol. Ainda no século XVI, a cidade, já quase totalmente reconstruída, recebeu o nome que a acompanha até os dias atuais, Ciudad de México[5]. Durante os dois séculos seguintes, a cidade se estabeleceu como um importante núcleo político-administrativo do Império espanhol, servindo como principal centro financeiro e urbano das colônias da Espanha na América já no século XVIII, figurando como a maior cidade da colônia mexicana (atual república mexicana) desde então. Depois de concretizada a independência mexicana em relação à Espanha por volta de 1822, a cidade foi adotada como capital da República Mexicana, tendo sido formado o distrito federal em 1824.

A cidade é o principal e mais desenvolvido centro urbano, econômico, cultural e político do país, além de ser uma das maiores metrópoles do mundo — tendo sido considerada por organizações internacionais uma "cidade global alfa".[6] Apenas a Cidade do México responde por 21% do PIB total do país e sua área metropolitana, por mais de 34%.[7] A área metropolitana da Cidade do México ocupa o 8º lugar das cidades mais ricas do mundo ao possuir um PIB de 390[8] bilhões de dólares que deve se duplicar até 2020, colocando-a em sétimo lugar e em 6º lugar no continente.[9]

História

Ver artigo principal: História da Cidade do México

Período asteca

Tenochtitlan no Lago de Texcoco, a capital dos astecas e uma das maiores cidades do mundo na época
Ver artigos principais: Tenochtitlan, Astecas e Lago de Texcoco

A cidade de México-Tenochtitlan foi fundada pelo povo asteca em 1325. A antiga capital asteca, agora chamada simplesmente de Tenochtitlan, foi construída em uma ilha no centro do Lago de Texcoco, no do Vale do México, região que partilhava com uma cidade-Estado menor chamada de Tlatelolco.[10] Segundo a lenda, o principal deus responsável pelos mexicas, Huitzilopochtli, indicou o local onde eles deveriam construir a sua casa. O deus apresentou uma águia empoleirada em um cacto nopal com uma serpente em seu bico como um símbolo de onde a civilização asteca deveria construir a sua cidade.[11]

Entre 1325 e 1521, Tenochtitlan cresceu em tamanho e força, acabou dominando as outras cidades-Estados em torno do lago Texcoco e no Vale do México. Quando os espanhóis chegaram, o Império Asteca tinha conquistado grande parte da Mesoamérica, desde o Golfo do México até o Oceano Pacífico.[11]

Conquista espanhola

Em 1521, soldados espanhóis liderados por Hernán Cortés invadiram o Império Asteca e ocuparam e saquearam sua capital, Tenochtitlán

Após o desembarque em Veracruz, o explorador espanhol Hernán Cortés avançou sobre Tenochtitlan com a ajuda de outros povos nativos,[12] chegando à capital asteca em 8 de novembro de 1519.[13] Cortés e seus homens marcharam ao longo da calçada que conduzia à cidade de Iztapalapa e o governante da cidade, Moctezuma II, cumprimentou os espanhóis; eles trocaram presentes, mas a camaradagem não durou muito tempo.[14] Cortés colocou Moctezuma sob prisão domiciliar, na esperança de governar através da autoridade dele.[15]

As tensões aumentaram, até que na noite de 30 de junho de 1520 - durante uma luta conhecida como "La Noche Triste" - os astecas levantaram-se contra a invasão espanhola e conseguiram capturar e expulsar os europeus e seus aliados tlaxcaltecas.[16] Cortés reagrupou-se suas forças em Tlaxcala. Os astecas pensaram que os espanhóis tinham ido embora permanentemente e elegeram um novo rei, Cuitláhuac, mas ele morreu logo; o próximo rei foi Cuauhtémoc.[17]

Cortés começou um Cerco de Tenochtitlan em maio de 1521. Durante três meses, a cidade sofreu com a falta de comida e água, bem como a propagação da varíola trazida pelos europeus.[12] Cortés e seus aliados desembarcaram suas forças na parte sul da ilha e lentamente abriram caminho através da cidade.[18] Cuauhtémoc rendeu-se em agosto de 1521.[12] Os espanhóis praticamente arrasaram a cidade de Tenochtitlán durante o cerco final da conquista.[13]

Cortés primeiro se estabeleceu-se em Coyoacán, mas decidiu reconstruir a cidade asteca para apagar todos os vestígios da velha ordem.[13] Ele não estabeleceu um território sob a sua próprio domínio pessoal, mas permaneceu leal à coroa espanhola. O primeiro vice-rei espanhol chegou na Cidade do México quatorze anos mais tarde. Nessa época, a cidade tinha se tornado novamente uma importante cidade-Estado, tendo um poder que se estendia muito além de suas fronteiras.[19]

Embora os espanhóis tenham preservado o formato básico das ruas de Tenochtitlán, eles construíram igrejas católicas sobre os antigos templos astecas e reivindicaram os palácios imperiais para si.[19] Tenochtitlán foi rebatizada de "México" porque era uma palavra mais fácil de pronunciar em espanhol.[13]

Período colonial

Vista da Cidade do México em 1600
A Catedral Metropolitana foi construída pelos espanhóis sobre as ruínas do Templo Mayor

A cidade foi a capital do Império Asteca e na era colonial, Cidade do México tornou-se a capital do Vice-Reino da Nova Espanha. O vice-rei vivia no palácio vice-real na praça Zócalo. A Catedral Metropolitana da Cidade do México, a sede do arcebispado da Nova Espanha, foi construída em outro parte do Zócalo, sobre as ruínas do antigo Templo Mayor.

As cidades espanholas coloniais eram construídas em um padrão de quadras, ao menos se nenhum obstáculo geográfico impedia. Na Cidade do México, o Zócalo (a praça principal) era o lugar central a partir do qual os quarteirões da cidade foram construídos. Os espanhóis viviam na área mais próxima à praça principal no que era conhecido como traza, em ruas tranquilas e bem ordenadas. As residências dos povos nativos foram colocadas fora dessa zona exclusiva e as casas eram remotamente localizadas.[20]

O Império Espanhol procurou manter os índios separados dos espanhóis, mas como o Zócalo era um centro comercial importante para os índios, eles eram uma presença constante na área central da cidade, o que fazia com que a rigorosa segregação étnica não fosse cumprida.[21] O Zócalo também era o palco de grandes celebrações, bem como de execuções. A praça também foi o local de duas grandes rebeliões no século XVII, uma em 1624 e outra em 1692.[22]

A cidade cresceu, assim como a sua população, o que deixou cada vez menos espaço para as águas do lago. Como a profundidade da água do lago oscilava, a Cidade do México estava sujeita a inundações periódicas. Um grande projeto de infraestrutura fez com que milhares de índios fossem postos em regime de trabalho forçado para evitar novas inundações. As enchentes não só eram um inconveniente, mas também um perigo para a saúde, uma vez que durante os períodos de cheias os dejetos humanos poluíam as ruas da cidade. Com a drenagem da área, a população de mosquitos caiu, assim como a frequência de doenças. No entanto, a drenagem dos pântanos também mudou o habitat para peixes e aves e as áreas de acesso para os cultivos de índios perto da capital.[23]

No século XVI, houve uma proliferação de igrejas, muitas das quais ainda podem ser vistas no centro histórico da capital mexicana.[19] Economicamente, a Cidade do México prosperou como resultado do comércio. Ao contrário do Brasil ou do Peru, o México tinha contato fácil com os oceanos Atlântico e Pacífico. Embora a coroa espanhola tenha tentado regulamentar completamente todo o comércio na cidade, a empreitada teve sucesso apenas parcial.[24]

O conceito de nobreza floresceu em Nova Espanha de uma forma não vista em outras partes da América. Os espanhóis encontraram uma sociedade na qual o conceito de nobreza parecido com o europeu, o que fez com que os conquistadores respeitassem e ampliassem a ordem de nobreza indígena. Nos séculos que se seguiram, um título nobre no México não significava grande poder político.[25] O conceito de nobreza no México não era político, mas sim social e conservador, com base no merecimento da família. A maioria dessas famílias provaram o seu valor, fazendo fortunas na Nova Espanha fora da própria cidade e, em seguida, investindo suas receitas na capital, com a construção de novas igrejas, instituições de caridade e casas apalaçadas extravagantes. A mania de construir a residência mais opulenta possível atingiu seu auge na última metade do século XVIII. Muitos destes palácios ainda pode ser encontrado, o que fez com que Alexander von Humboldt desse a alcunha de "cidade de palácios" à capital mexicana.[13][19][25]

Independência e Guerra Mexicano-Americana

A ocupação espanhola durou três séculos, até que Miguel Hidalgo, um padre da povoação de Dolores, proclamou o famoso "grito de Dolores", iniciando a Guerra da Independência do México, que foi conquistada três anos depois. Após a proclamação da independência, em 27 de setembro de 1821, os conflitos que se travaram até final do século XIX dificultaram o desenvolvimento da cidade. Nos princípios do referido século, a cidade expandiu-se e nasceram as primeiras "colônias" residenciais, mas após a revolução o seu crescimento populacional aumentou.[26]

A Batalha da Cidade do México, parte da Guerra Mexicano-Americana, refere-se à série de enfrentamentos ocorridos entre 8 e 15 de setembro de 1847, na vizinhança da cidade. Incluem-se as principais ações nas batalhas de Molino del Rey e Chapultepec, culminando com a queda da Cidade do México. O Exército dos Estados Unidos, sob o comando de Winfield Scott, teve um grande sucesso que terminou com a guerra. A invasão estadunidense do Distrito Federal mexicano foi rejeitada pela primeira vez durante a Batalha de Churubusco, em 8 de agosto, quando o batalhão de São Patrício, que era composto principalmente de irlandeses católicos e imigrantes alemães, mas também por canadenses, ingleses, franceses, italianos, poloneses, escoceses, espanhóis, suíços e mexicanos, lutou pela causa mexicana ao repelir os ataques estadunidense. Depois de derrotar o Batalhão de São Patrício, a Guerra Mexicano-Americana chegou ao fim depois dos Estados Unidos implantar unidades de combate no México, o que resultou na captura da Cidade do México e de Veracruz por 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Divisões do Exército dos EUA.[27] A invasão culminou com a tomada de Castelo de Chapultepec, na própria cidade.[28]

Durante esta batalha, em 13 de setembro, a 4ª Divisão, sob o comando de John A. Quitman, liderou o ataque contra Chapultepec e tomou o castelo. Os futuros generais confederados George E. Pickett e James Longstreet participaram do ataque. Servir na defesa mexicana foram os cadetes mais tarde imortalizada como Los Niños Héroes (os "Meninos Heróis"). As forças mexicanas foram para trás de Chapultepec e retiraram-se de dentro da cidade. Os ataques aos portões de Belén e San Cosme vieram depois. O Tratado de Guadalupe Hidalgo foi assinado no que é hoje o extremo norte da cidade.[29]

Revolução Mexicana e período contemporâneo

Francisco Villa e Emiliano Zapata entram na Cidade do México (1914)

Conflitos como a Guerra Mexicano-Americana, a Intervenção Francesa e a Guerra da Reforma deixaram a cidade relativamente intocada, especialmente durante o governo do presidente Porfirio Díaz. Durante este período, a capital mexicana desenvolveu uma moderna infraestrutura, como estradas, escolas, além de sistemas de comunicação e transporte. No entanto, o regime concentrou recursos na cidade, enquanto o resto do país definhava na pobreza.

O rápido desenvolvimento levou à Revolução Mexicana.[30] O episódio mais significativo deste período para a cidade foi a La decena trágica ("Os Dez Dias Trágicos"), em 1913, um golpe de Estado contra o presidente Francisco I. Madero e seu vice, José María Pino Suárez. Victoriano Huerta, general chefe do Exército Federal, viu uma chance de tomar o poder, forçando Madero e Pino Suárez a assinar renúncias. Os dois foram assassinados mais tarde, enquanto eram levados para a prisão.[31]

As forças zapatistas, que estavam baseadas no estado vizinho de Morelos, tinham pontos fortes no extremo sul do Distrito Federal, que incluía Xochimilco, Tlalpan, Tláhuac e Milpa Alta para lutar contra os regimes de Victoriano Huerta e Venustiano Carranza. Após o assassinato de Carranza e um curto mandato de Adolfo de la Huerta, Álvaro Obregón tomou o poder. Depois disposto a ser reeleito, ele foi morto por José de León Toral, um católico devoto, em um restaurante perto do parque La Bombilla, em San Ángel, em 1928. Plutarco Elías Calles substituíu Obregón e culminou na Revolução Mexicana.

A partir do início do século XX, desenvolveram-se novos planos urbanísticos e a cidade cresceu ainda mais. Em 19 de setembro de 1985, no entanto, a cidade foi arrasada por um forte terremoto de magnitude 8,1[32] na escala de Richter. Embora este sismo não tenha sido tão mortal ou destrutivo quanto muitos eventos semelhantes em outras partes da Ásia e da América Latina,[33] ele provou ser um desastre político para o governo unipartidário que comandava o México há anos. O governo foi paralisado por sua própria burocracia e corrupção, forçando os cidadãos comuns a criar e dirigir seus próprios esforços de resgate para reconstruir grande parte das construções destruídas.[34]