Carl Sagan

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Carl Sagan
Sagan em 1980
Conhecido(a) porA Busca por Inteligência Extraterrestre (SETI)
Cosmos: Uma viagem pessoal
Cosmos (livro)
Voyager Golden Record
Placa Pioneer
Contato
Pálido ponto azul (livro)
Sociedade Planetária
Nascimento9 de novembro de 1934
Nova Iorque, Estados Unidos
Morte20 de dezembro de 1996 (62 anos)
Seattle, Washington, Estados Unidos
NacionalidadeEstadunidense
ProgenitoresMãe: Rachel Molly Gruber
Pai: Sam Sagan
CônjugeLynn Margulis
(1957–1965; divorciado; 2 filhos)
Linda Salzman
(1968–1981; divorciado; 1 filho)
Ann Druyan
(1981–1996; até a morte; 2 filhos)
Alma materUniversidade de Chicago (Ph.D)
PrêmiosPrêmio Klumpke-Roberts (1974), Medalha Rittenhouse (1980), Medalha Oersted (1990), Medalha NASA por Serviço Público de Destaque (duas vezes), Prémio Pulitzer de Não Ficção Geral (1978), Medalha Bem-Estar Público (1994), Prêmio Gerard P. Kuiper (1998)
Causa da mortePneumonia derivada da Mielodisplasia
Assinatura
Carl Sagan Signature.svg
Orientador(es)Gerard Kuiper[1]
Orientado(s)James Pollack,[2] Owen Toon
InstituiçõesUniversidade Cornell
Universidade Harvard
Observatório Astrofísico Smithsonian
Universidade da Califórnia em Berkeley
Campo(s)Astronomia, Cosmologia, Astrofísica, Astrobiologia, Ciência planetária

Carl Edward Sagan (Nova Iorque, 9 de novembro de 1934Seattle, 20 de dezembro de 1996) foi um cientista, astrônomo, astrofísico, , escritor e divulgador científico norte-americano.[3] Sagan é autor de mais de 600 publicações científicas,[4] e também autor de mais de 20 livros de ciência e ficção científica.

Foi durante a vida um grande defensor do ceticismo e do uso do método científico, promoveu a busca por inteligência extraterrestre através do projeto SETI e instituiu o envio de mensagens a bordo de sondas espaciais, destinados a informar possíveis civilizações extraterrestres sobre a existência humana. Mediante suas observações da atmosfera de Vênus, foi um dos primeiros cientistas a estudar o efeito estufa em escala planetária. Também fundou a organização não-governamental Sociedade Planetária e foi pioneiro no ramo da ciência exobiologia. Sagan passou grande parte da carreira como professor da Universidade Cornell, onde foi diretor do laboratório de estudos planetários. Em 1960 obteve o título de doutor pela Universidade de Chicago.

Sagan é conhecido por seus livros de divulgação científica e pela premiada série televisiva de 1980 Cosmos: Uma Viagem Pessoal, que ele mesmo narrou e co-escreveu.[5] O livro Cosmos foi publicado para complementar a série. Sagan escreveu o romance Contact, que serviu de base para um filme homônimo de 1997. Em 1978, ganhou o Prémio Pulitzer de Não Ficção Geral pelo seu livro The Dragons of Eden. Morreu aos 62 anos, de pneumonia, depois de uma batalha de dois anos com uma rara e grave doença na medula óssea (mielodisplasia).

Ao longo de sua vida, recebeu vários prêmios e condecorações pelo seu trabalho de divulgação científica. Sagan é considerado um dos divulgadores científicos mais carismáticos e influentes da história, graças a sua capacidade de transmitir as ideias científicas e os aspectos culturais ao público não especializado.

Infância e adolescência

Carl Sagan nasceu no Brooklyn, Nova Iorque,[6] em uma família de judeus ucranianos. Seu pai, Sam Sagan, era um operário da indústria têxtil nascido em Kamenets-Podolsk, Ucrânia.[7] Sua mãe, Rachel Molly Gruber, era uma dona de casa de Nova Iorque. Carl Sagan recebeu este nome em homenagem a mãe biológica de sua mãe, avó de Sagan, Chaiya Clara, que nas próprias palavras de Sagan, descreve: "A mãe que ela nunca conheceu". Sagan concluiu o ensino secundário na escola Rahway High School, em Rahway, Nova Jérsei, em 1951.[8]

Sagan tinha uma irmã, Carol, e ele e sua família viviam em um modesto apartamento em Bensonhurst, um bairro do Brooklyn. De acordo com Sagan, eles eram judeus reformistas, o mais liberal dos três grupos do Judaísmo. Ambos, Carl e sua irmã Carol, concordavam que seu pai não era especialmente religioso, porém sua mãe "definitivamente acreditava em Deus, e participava ativamente no templo... e se servia apenas de carne Cashrut".[8] Durante o auge da Grande Depressão, seu pai teve que aceitar um trabalho como porteiro de cinema.

Segundo o biógrafo Keay Davidson, a personalidade de Sagan foi o resultado de suas estreitas relações com ambos os pais, que eram às vezes opostos um do outro. Sua mãe tinha sido uma mulher que conheceu a "extrema pobreza enquanto criança", e tinha crescido quase sem-teto em meio a cidade de Nova Iorque durante a Grande Guerra e a década de 20.[8] Ela tinha suas próprias ambições intelectuais quando era jovem, mas estes sonhos foram bloqueados por restrições sociais, principalmente por causa de sua pobreza, e por ela ter se tornado mãe e esposa, além de sua etnia judaica. Davidson observa que ela, portanto, "adorava seu único filho, Carl. Ele iria realizar seus sonhos não realizados".[8]

Entretanto, o seu "sentimento de admiração" veio de seu pai, que quieto e sorrateiramente escapou do Czar. Em seu tempo livre, este dava maçãs aos pobres, ou ajudava a suavizar as tensões entre patrões e operários na tumultuada indústria têxtil de Nova Iorque.[8] Ainda que intimidado pelo brilhantismo de Carl, por suas infantis perguntas sobre estrelas e dinossauros, Sam ajudou a transformar a curiosidade de seu filho em parte de sua educação.[8] Em seus últimos anos como cientista e escritor, Sagan frequentemente desenhava sobre suas memórias de infância para ilustrar questões científicas, como fez em seu livro Sombras dos Antepassados Esquecidos,[8] Sagan descreve a influência dos seus pais em seu pensamento:

Meus pais não eram cientistas. Eles não sabiam quase nada sobre ciência. Mas ao me introduzirem simultaneamente ao ceticismo e ao saber, ensinaram-me os dois modos de pensamento coexistentes e essenciais para o método científico.[9]

Feira Mundial de 1939

Em seu livro O Mundo Assombrado Pelos Demônios, Sagan lembra que uma de suas melhores experiências foi quando, em sua infância, seus pais o levaram para a 1939 World's Fair (Feira Mundial de 1939), em Nova Iorque. As exposições desta feira tornaram-se um marco em sua vida.

Ele recordou mais tarde sobre ter visto lá uma exposição chamada "America of Tomorrow" (América do Amanhã): O mapa continha belas estradas e alguns poucos carros da General Motors, todas as pessoas caminhando, e ao fundo vários arranha-céus, edifícios lindos, segundo ele, aquele momento estava ótimo! Em outras exposições, lembrou-se de ter visto uma lanterna brilhar em uma célula fotoelétrica. Ele também testemunhou a tecnologia do futuro da mídia que iria substituir o rádio: A televisão! Sagan escreveu:

Claramente, o homem realizou maravilhas de um modo que eu nunca tinha imaginado. Como poderia um tom tornar-se uma imagem e luz tornar-se um ruído?[8]

Ele também conta que viu um dos eventos mais divulgados da feira, o enterro de uma cápsula do tempo em Flushing Meadows, que continha algumas lembranças da década de 1930 para serem recuperadas por descendentes dos humanos em um futuro milênio. "As cápsulas do tempo sempre excitaram Carl" escreve o biógrafo Keay Davidson. Quando adulto, Sagan e seus colegas criaram algumas cápsulas do tempo similares, mas estas foram enviadas para o espaço. Estas cápsulas citadas são a placa Pioneer e o Voyager Golden Record, que foram produto da experiência de Sagan na exposição.[8]

Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Guerra Mundial, sua família estava preocupada com o destino de seus parentes europeus. Na época, Sagan, entretanto, geralmente desconhecia os detalhes da guerra que estava em curso. Ele escreve: "Claro, tínhamos parentes que foram capturados pelo Holocausto. Hitler de fato não era uma pessoa bem-vinda em nossa casa... Mas por outro lado, eu era bastante isolado dos horrores da guerra". Sua irmã, Carol, disse que sua mãe "acima de tudo queria proteger Carl..." A vida dela estava extraordinariamente difícil lidando com a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto.[8]

No livro de Sagan, The Demon-Haunted World (O Mundo Assombrado pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro BRA ou Um mundo infestado de demónios POR), de 1996, é incluso suas memórias deste período em conflito, período quando sua família lidava com as realidades da guerra na Europa, mas também tentava impedí-lo simultaneamente de perturbar seu espírito otimista.[9]

Curiosidade pela natureza

Assim que começou o ensino fundamental, Carl Sagan começou a manifestar uma forte curiosidade pela natureza. Sagan recorda-se de suas primeiras viagens para a biblioteca pública, sozinho, com a idade de cinco anos, quando sua mãe arranjou-lhe um cartão da biblioteca. Ele queria aprender o que eram as estrelas, já que nenhum de seus amigos ou até mesmo seus pais não sabiam lhe dar uma resposta clara:

"Fui para o bibliotecário e pedi um livro sobre as estrelas... E a resposta foi impressionante. A resposta era que o Sol também era uma estrela, só que muito próxima. Logo, as estrelas eram outros sóis, mas estavam tão distantes que eram apenas pequenos pontos de luz para nós... A escala do universo de repente se abriu para mim. Era um tipo de experiência religiosa. Houve uma magnificência para ela, uma grandeza, uma escala que nunca me deixou. Nunca me deixará..."[8]

Quando Sagan tinha seis ou sete anos de idade, ele e um amigo viajaram para o Museu Americano de História Natural, na cidade de Nova Iorque. Enquanto estavam por lá, eles foram ao Planetário Hayden e andaram na exposição sobre objetos do espaço, como os meteoritos, e também foram às exposições de dinossauros e outros animais em seus ambientes naturais. Sagan escreveu sobre estas exposições:

"Eu era fascinado por representações realistas de animais e seus habitats em todo o mundo. Pinguins no gelo antártico mal iluminado; uma família de gorilas, com o macho tamborilando no peito; um urso-cinzento americano de pé em suas patas traseiras, com seus dez ou doze pés de altura, fitando-me direto no olho."[8]

Seus pais colaboraram em nutrir seu crescente interesse pela ciência, comprando-lhe jogos de química e livros enquanto criança.[10] Seu interesse pelo espaço, no entanto, foi seu foco principal, especialmente após ler algumas histórias de ficção científica como as do escritor Edgar Rice Burroughs, que agitou sua imaginação com a temática de vida em outros planetas, como Marte. De acordo com o biógrafo Ray Spangenburg, nestes primeiros anos, Sagan tentou compreender os mistérios dos planetas, isto tornou-se uma "força motriz em sua vida, uma faísca contínua para seu intelecto e uma busca pelo saber que jamais seria esquecida."[9]