Campeonato Catarinense de Futebol

Campeonato Catarinense
Campeonato Catarinense de Futebol‎
Santa Catarina
Dados gerais
OrganizaçãoFCF
Edições94 desde 1924 (95 anos)
Local de disputa Santa Catarina
Número de equipes10
SistemaPontos corridos e Mata-Mata
Divisões
Série ASérie BSérie C
Soccerball current event.svg Edição atual
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O Campeonato Catarinense de Futebol, também conhecido como Campeonato Catarinense, é a principal competição de futebol de Santa Catarina. É organizado pela Federação Catarinense de Futebol, responsável pelo futebol profissional no estado. O campeonato é disputado desde 1924 e é considerado um dos mais equilibrados do país.[1][2]

Teve como primeiro campeão o Avaí,[3] e seu atual campeão é o Figueirense, vencedor da edição de 2018.[4] O clube que detém o maior número de conquistas é o Figueirense com 18 títulos, seguido do Avaí com 16 títulos, Joinville com 12 títulos, Criciúma com 10 títulos e a Chapecoense com 6 títulos. Esses cinco clubes, são responsáveis por boa parte das conquistas do Campeonato Catarinense, a rivalidade entre eles está marcada na história desta competição.[5]

Outros 18 clubes já venceram a principal divisão do futebol catarinense, que contou com a participação de 125 clubes diferentes ao longo da sua história. A maioria destes clubes estão desativados nos dias atuais.[6] Desde 1972, o campeonato é dominado pelos cinco grandes – Avaí, Chapecoense, Criciúma, Figueirense e Joinville –, que ganharam todos os campeonatos desde então, exceto um (o de 1992, vencido pelo Brusque), e disputaram todas as finais entre si, exceto em dez ocasiões. Nos últimos 94 anos (desde 1924), a Série A não teve campeão definido em dois anos. Em 1933 o torneio não foi concluído e em 1946 o torneio não foi realizado.[7]

Atualmente, a Série A é disputado por 10 equipes e normalmente realizado entre os meses de janeiro e meados de maio. No Ranking Nacional das Federações, Santa Catarina aparece na 5ª colocação entre os 27 estados da federação. Tal colocação, possibilita que a Federação Catarinense de Futebol distribua quatro vagas para a Copa do Brasil e três vagas para a Série D do Brasileiro, geralmente, distribuídas aos melhores colocados do Campeonato Catarinense.[8]

História

A história do futebol de Santa Catarina traz consigo grandes momentos protagonizados por tradicionais clubes e clássicos municipais que foram surgindo nos maiores centros do estado. Estes jogos entre equipes da mesma cidade se tornaram grandes clássicos, que ganharam reconhecimento e fama ao longo dos tempos pelo ótimo nível das equipes.[9] No Norte, em Joinville, América vs. Caxias, no Vale do Itajaí em Blumenau, Olímpico vs. Palmeiras, em Itajaí, Almirante Barroso vs. Marcílio Dias, em Brusque, Paysandu vs. Carlos Renaux. Seguindo para o Sul, em Criciúma, com Próspera, Metropol e Comerciário. No litoral Sul, em Tubarão, Ferroviário vs. Hercílio Luz, no Planalto Serrano, nas cores do Internacional de Lages, no Oeste, em Chapecó, com a Chapecoense.[10]

Década de 1920: O início

Time do Caxias, campeão do Campeonato Catarinense de 1929.

Fundada em 12 de abril de 1924 com o nome de Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres, a história da regulamentação do futebol em Santa Catarina começou na Rua Esteves Júnior, no Centro da Capital, no Gymnasio Catharinense, atual Colégio Catarinense, berço da educação e da prática desportiva, onde se reuniram os representantes dos clubes Atlético Florianópolis, Figueirense, Internato, Trabalhista e Avaí, para registrar a ata de fundação da atual, Federação Catarinense de Futebol.

No princípio, a entidade organizava campeonatos das modalidades de atletismo, tiro ao alvo e também de futebol. O primeiro presidente da então Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres foi Luiz Alves de Souza (1924–1927). Mais tarde, já em 1927, a entidade teve seu nome modificado para Federação Catarinense de Desportos. Com a consolidação do futebol como o esporte das multidões e com evolução das demais modalidades de práticas esportivas e a consequente criação de entidades regulamentadoras específicas para cada uma, em 1951 a Federação Catarinense de Desportos tornou-se a Federação Catarinense de Futebol.[11]

Nesta década, foram disputados seis edições. O Avaí conquistou as edições de 1924, 1926, 1927 e 1928, o Externato em 1925 e o Caxias de Joinville em 1929, sendo este o primeiro campeão do interior.[12] Destaca-se também o Brasil Football Club, vice-campeão em 1927 e 1928.

No ano de 1927 os clubes do interior se interessaram em filiar-se a FCD, como o Brasil Football Club e o América de Joinville. O Avaí campeão da FCD teve que colocar o título em jogo contra o campeão do interior. O América de Joinville desistiu de filiar-se e o jogo programado para decisão do interior entre Brasil e América não aconteceu, assim, a FCD decidiu homologar o título de campeão do interior ao Brasil Football Club.

Década de 1930: Domínio da capital e o primeiro título de Itajaí

Time do Lauro Müller, campeão do Campeonato Catarinense de 1931.

Na década de 1930, começa a surgir os clubes clássicos em Santa Catarina, mas que hoje em dia grande parte estão desativados. Também foi uma década de domínio da Capital. Avaí, Figueirense e Atlético Catarinense conquistaram sete das dez edições. Desta vez, com destaque ao Figueirense que conquistou as edições de 1932, 1935, 1936, 1937 e 1939.

O primeiro título de Itajaí aconteceu na edição de 1931, que terminou apenas no dia 31 de janeiro de 1932.[13] A final seria contra o Atlético Catarinense, da Capital. Seria, porque o time de Florianópolis não apareceu. A equipe ficou irritada porque a partida decisiva foi adiada em uma semana. A diretoria do Atlético, que já não estava em sintonia com a Federação Catarinense de Desportos, resolveu não aparecer e o Lauro Müller venceu por WO. O Atlético acabou punido e o Caxias, de Joinville, foi considerado o vice-campeão.[14]

Em agosto de 1935, os clubes de Joinville formaram a Associação Catarinense de Desportos (ACD) e realizaram o seu próprio campeonato estadual com América, Caxias, Cruzeiro, Grêmio, Glória e São Luiz. Isso porque o interior não estava satisfeito com a Federação Catarinense de Desportos (FCD hoje FCF). As principais reclamações eram que as equipes da Capital eram beneficiadas nas competições estaduais. Disputando entre si os títulos ou sendo ajudadas pela arbitragem. A indignação já era grande antes de 1934, mas após o título homologado do Atlético Catarinense – em um campeonato sem os times de Joinville –, as equipes do interior se organizaram e criaram a ACD. Ambas as entidades tinham um objetivo idêntico: organizar o "verdadeiro" Campeonato Catarinense. A Federação Catarinense de Desportos tinha acabado de se recuperar financeiramente de uma grave crise que fez o estadual de 1933 ser cancelado e no ano que volta a ativa perdia os times do interior. A nova liga confirmou sua legitimidade junto a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e representou Santa Catarina no Campeonato Brasileiro de Seleções, o que não mudou a rotina de derrotas do estado. O primeiro campeão da ACD foi o Caxias, que no ano seguinte levou mais um caneco. No último ano da disputa do interior o título ficou com o Ypiranga, de São Francisco do Sul. Somente em 1937 a ACD se filiou a FCD, tendo seus campeonatos de 1935 e 1936 reconhecidos como citadinos e não estaduais. Em 13 de Janeiro de 1942, a ACD mudou o nome para Liga Joinvilense de Futebol (LJF).[15]

No dia 16 de abril de 1939, um time de Itajaí conquistava pela segunda vez o título do Campeonato Catarinense de Futebol (a edição era a do ano anterior). O CIP, sigla para Companhia Itajaiense de Phósforos Foot-ball Club. Depois de eliminar o Avaí na semifinal, o CIP enfrentou o Atlético São Francisco, de São Francisco do Sul, que bateu o Caxias, de Joinville. A vitória por 2 a 0 fez com que os itajaienses levassem o troféu. Segundo um jornal da época, os atletas foram elogiados “pela exuberância e energia com que souberam batalhar ante a agressividade brutal dos adversários”. Foi a primeira e última participação do CIP no estadual. O time encerrou as atividades em 1944.[16]

Década de 1940: O interior surge ao futebol catarinense

Time do Lauro Müller.

A partir de meados da década de 1940, o interior catarinense se tornou hegemônico, equipes de fora da capital se adequaram mais rapidamente à realidade do profissionalismo, caso clássico do Olímpico e do América de Joinville, ambos campeões catarinense. Desde então, começa surgir a força do interior catarinense. Contudo, entre as dez edições disputadas, cinco foram vencidas pelas equipes de Florianópolis. Assim como na década de 1920, destaca-se o Avaí com quatro conquistas.[17]

A decisão do estadual de 1942, teve como finalistas o América, de Joinville, e o Avaí. Porém, o jogo final nunca aconteceu e o Leão da Ilha ficou com a taça por conta de um decreto. Os jogadores do time joinvilense foram impedidos de jogar pelo batalhão do exército para a partida decisiva porque o América tinha no elenco atletas que faziam partida do 13º Batalhão de Caçadores. Assim, o time do Norte do estado tentou realizar a partida em outra data, ou mesmo em Joinville — onde os jogadores que serviam o exército poderiam jogar —, mas a FCF não cedeu e decretou o Avaí campeão.[18]

A edição de 1946, não foi disputada, pois a Federação Catarinense de Desportos foi suspensa pela Confederação Brasileira de Futebol, por recusar-se a jogar com sua seleção estadual em Curitiba, pelo Campeonato Brasileiro de Seleções. A Federação Catarinense ficou impedida de realizar competições oficiais pelo período de 1 ano. Antes de concluir a pena, houve o perdão da Confederação Brasileira, mas não havia tempo hábil para as disputas do campeonato estadual. A grande reclamação dos catarinenses foi que o árbitro anulou um gol legítimo de Saulzinho.[19]

Década de 1950: Domínio do interior

Na edição de 1950, o Carlos Renaux conquistou o seu primeiro Campeonato Catarinense. Com a final disputada em dois jogos contra o Figueirense, o Carlos Renaux ganhou as duas partidas por 1–0, a primeira no dia 27 de maio de 1951 no Estádio Cônsul Carlos Renaux, em Brusque. O juiz da partida foi Artur Paulo Lange de Santa Catarina. A segunda partida ocorreu no dia 3 de junho de 1951 no Estádio Adolfo Konder, em Florianópolis. O juiz da partida foi Manoel Machado, do Rio de Janeiro.

Em 1953, o Carlos Renaux caiu na fase qualificatória contra o União de Ibirama, e aplicou logo de cara duas goleadas históricas, 9–3 e 7–2. Nas quartas de final outra goleada histórica, 7–1 em cima do Cruzeiro. O placar foi tão elástico que a equipe do Cruzeiro decidiu não comparecer ao jogo de volta. Nas semifinais outra goleada, 6–2 sobre o Baependi, e com mais 2–0 no jogo de volta a equipe se classificou para a final. A final foi contra o América de Joinville, e após duas vitórias apertadas, 4–3 e 3–2, o Carlos Renaux conquistou o título de forma invicta pela segunda vez em sua história. Com isso se tornou bicampeão catarinense.

Em 1959, o Paula Ramos obteve a maior conquista da sua história, o campeonato estadual de futebol daquele mesmo ano. A campanha histórica do Paula Ramos naquele ano ficou marcada na memória de jogadores, dirigentes e torcedores. Foram 33 jogos, 20 vitórias, 4 derrotas, 9 empates, 74 gols marcados e 35 recebidos. O jogo da grande final, que aconteceu no estádio Adolfo Konder, em Florianópolis, conhecido como Campo da Liga, foi contra a equipe Carlos Renaux, de Brusque. No dia da grande conquista, o placar foi 2–0.[20]

Resumidamente, a década de 50 foi marcada pelo domínio do interior e o surgimento de equipes tradicionais no cenário estadual. Dentre todas as edições, apenas uma foi vencida pela capital, a de 1959 pelo Paula Ramos. Destaca-se a cidade de Joinville na qual conquistou cinco dos dez títulos. O Carlos Renaux sagrou-se campeão nas edições de 1950 e 1953, o América de Joinville em 1951 e 1952, o Caxias de Joinville em 1954 e 1955, o Operário em 1956 e o Hercílio Luz em 1957 e 1958.

Década de 1960: Criciúma desponta no cenário estadual

Esta década ficou marcada pela aparição de Criciúma no cenário futebolístico estadual, através do Metropol. O clube ganhou as edições de 1960, 1961, 1962 ,1967 e 1969. Além do Metropol, o Comerciário (atual Criciúma EC) ganhou a edição de 1968. Criciúma assim como Florianópolis e Joinville despontava como uma potência do futebol catarinense.

No dia 25 de abril de 1965, o Olímpico de Blumenau conquistava seu segundo título estadual. O sonho começava a se tornar mais uma vez realidade, aos 26 minutos da primeira etapa. A arbitragem marcou falta em Rodrigues pouco além da risca divisória, cometida pelo lateral De Paula. Paraguaio cobra a infração com endereço certo. O centroavante paranaense salta de costas para o gol, desviando do alcance do goleiro lageano, que teve que buscar a bola no fundo das redes. O Olímpico e sua torcida comemoravam o primeiro gol, o único da primeira etapa. O Inter de Lages correu logo atrás do prejuízo sofrido na primeira etapa empatando aos 10 minutos, através de Jóia, dando um grande susto na torcida local.

Não apenas a sorte, mas a predominância nas ações davam ao Olímpico uma maior tranquilidade, pois na maior parte do tempo estava no campo contrário, tentando ampliar o marcador. O técnico Adúcci Vidal processara uma alteração na equipe, tirando o ponteiro Lila, colocando Quatorze, deixando assim o ataque mais ofensivo, com a presença de dois centroavantes. A tentativa deu bom resultado, logo aos 13 minutos, 2–1, outra vez reanimava-se o torcedor blumenauense. O terceiro gol foi duvidoso para os jogadores do Inter. Lances que ensaiavam a violência começaram a suceder-se no final do jogo. O Inter ainda tentava o empate para levar a decisão a uma prorrogação.

Blumenau mais uma vez, comemorava em passeata, o título de campeão catarinense. Para chegar ao título o Olímpico realizou uma campanha de 47 jogos. Foram 30 vitórias, 10 empates e apenas 6 derrotas, em um ano, um mês e uma semana, com 63 gols marcados a favor e 32 contra, com 70 pontos a favor e apenas 12 contra.[21]

Além destas equipes, sagraram-se campeões nesta década o Inter de Lages em 1965, SER Perdigão em 1966 e o Marcílio Dias em 1963. Além do título de 1963, o Marcílio Dias também foi vice-campeão em 4 ocasiões: 1960, 1961, 1962 e 1967.

Década de 1970: O surgimento dos grandes clubes

A década de 1970 foi uma das mais importantes e decisivas para a história do futebol catarinense. Foi nessa década que grandes equipes da atualidade apareceram e tiveram seus primeiros títulos. Com o passar dos anos e a evolução para o profissionalismo, muitas equipes pioneiras no futebol catarinense ficaram para trás, mas também surgiram imensas alegrias com o aparecimento de clubes que representam uma realidade de conquistas para os torcedores catarinenses. Em 1976, após a fusão das duas equipes profissionais de Joinville, o Caxias e o América, clubes que juntos já somavam 18 finais de Campeonato Catarinense, nasceu o Joinville Esporte Clube, que no mesmo ano de nascimento já conquistou seu primeiro título estadual. Além da edição de 1976, o JEC conquistou os títulos de 1978 e 1979.

Em 1977, a Associação Chapecoense de Futebol surge para o estado sagrando-se campeã Catarinense do mesmo ano e sendo vice-campeã do ano seguinte.

Em 1978, ocorre um dos mais polêmicos títulos do estado. O Avaí ficou tão irritado com um pênalti marcado a favor do Joinville, que decidiu abandonar o Catarinense de 1978. O artigo 50 do regulamento do torneio, que tratava do assunto, não esclarecia o que aconteceria com os pontos das partidas que o Leão ainda iria disputar. O JEC terminou em primeiro, porém, a Chapecoense considerou os pontos ganhou do jogo que não teve contra o Avaí e também se proclamou campeã. O caso foi acabar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Depois de quatro meses de disputa o advogado Waldomiro Falcão conseguiu levar o título para o Joinville.[22] No mesmo ano, o Comerciário de Criciúma deixou de existir, sendo fundado posteriormente o Criciúma Esporte Clube. A ascensão destas três agremiações e o fortalecimento da dupla da capital são responsáveis pelo desempenho honroso do futebol catarinense no cenário nacional no século XXI.[23]

Década de 1980: Octacampeonato do Joinville

Nesta década, o Joinville se consolidou como um dos principais clubes do estado. Das dez edições, seis foram conquistados pelo recém fundado JEC. Foram 8 títulos seguidos (1978–1985), sendo a única equipe octacampeã de Santa Catarina. Além do Joinville, o Criciúma foi vencedor em 1986 e 1989, além de ter sido vice-campeão em 4 oportunidades. O Avaí ficou com a edição de 1988.[24]

No ano de 1980, o JEC começava uma façanha inédita, histórica no estado de Santa Catarina. Para isso acontecer, o Tricolor fez grandes contratações, investindo pesado com as chegadas de Jorge Luis Carneiro, Edu Antunes, Vagner Bacharel, Carlos Alberto entre outros ótimos jogadores que conquistaram o catarinense daquele ano.

No ano de 1985, o JEC atingiu o auge. Na terceira fase da competição, venceu o Marcílio Dias pelo placar de 4–0 e foi até a final completando 17 jogos invictos. A decisão ocorreu no Estádio Doutor Hercílio Luz, agora por uma punição que foi aplicada tardiamente. Com o fato de ter que jogar a final fora de casa, a torcida do Joinville fez história e invadiu a cidade de Itajaí. Jogando um futebol convincente, bateu o Avaí por dois tentos a zero, com João Carlos Maringá abrindo o placar aos 45 segundos de jogo, e Paulo Egidio marcando o segundo gol no apagar das luzes, aos 45 minutos do segundo tempo. O Joinville era Octacampeão Estadual, uma supremacia que poucos clubes conseguiram conquistar.[25]

Década de 1990: Polêmicas e rivalidades mais acirradas

O Criciúma marcou a sua retomado no cenário estadual conquistando as edições de 1990, 1991, 1993, 1995 e 1998 e sendo vice-campeão em 1994. No ano de 1996, houve uma das decisões mais polêmicas, por diversas vezes mudou-se a partida que iria apontar o campeão catarinense. Com direito a gol anulado nos últimos segundos, batalhas judiciais e diversas datas marcadas para a grande final, que só foi acontecer em dezembro.

A véspera da final, marcada para o dia 13 de julho, o Joinville ficou hospedado em um hotel que ficava bem no centro da cidade de Chapecó. Durante a noite, um grupo de torcedores da Chapecoense ficou soltando fogos perto do hotel. A polícia foi chamada, dava uma volta próximo do local e, quando ia embora, os fogos retornavam. Assim seguiu durante toda a madrugada. Na manhã seguinte, o então presidente do Joinville, Vilson Florêncio, decidiu deixar Chapecó e não ir a campo, pelas condições emocionais do time e por temer pela segurança física dos seus atletas. O árbitro Dalmo Bozzano, então, declarou a Chapecoense vencedora por W.O.

O Joinville recorreu da decisão do árbitro e pediu um novo jogo, em campo neutro. Depois de batalhas judiciais, uma nova decisão foi marcada para o dia 18 de dezembro. No entanto, o duelo ocorreu no Oeste do Estado. A Chape havia perdido o primeiro jogo por 2 a 0 e precisava vencer para levar a decisão para a prorrogação. Fez 1 a 0 no tempo normal, com Marquito, e chegou aos 2 a 0 na prorrogação, com Gilmar Fontana, e ficou com a taça.[26]

A partir daí, podemos ver a superioridade de 5 equipes: Figueirense, Avaí, Criciúma, Joinville e a Chapecoense. A Chapecoense foi vice-campeã em 1991 e 1995, e ganhou a edição de 1996. O Brusque foi o campeão em 1992. Destaca-se também o Tubarão FC, vice-campeão em duas oportunidades (1997 e 1998).

Década de 2000: O jejum de títulos no Norte do estado

Filipe Luís, foi bicampeão (2003 e 2004) do Campeonato Catarinense pelo Figueirense.

O Joinville chegou ao seu 12º título estadual ao vencer as edições de 2000 e 2001, após 13 anos de jejum. A primeira conquista foi em cima do Marcílio Dias, em um jogo eletrizante no Estádio Ernesto Schlemm Sobrinho. Fabinho carimbou o título aos 45 minutos do segundo tempo e fez a torcida soltar o grito que estava engatado na garganta. Em 2001, longe de casa, na cidade de Criciúma, o Tricolor levantou o bicampeonato, vencendo novamente por 2 a 0, como em 1987. Desta vez, Perdigão e Marlon anotaram os gols. O goleiro Marcão também foi o grande destaque desta da equipe.[27] Logo após estas conquistas o Joinville entrou em um novo jejum de títulos que dura até os dias atuais. O Tricolor da Manchester Catarinense já está a 18 anos sem conquistar o título estadual.

Em 2007, mesmo novamente desacreditada, a Chapecoense voltou a conquistar o Campeonato Catarinense. Com uma campanha irrepreensível, o time chegou a final contra o Criciúma, vencendo o jogo de ida por 1 a 0 e empatando em 2 a 2 na cidade de Criciúma, levando seu terceiro título estadual. O título da Chapecoense em 2007, foi o início da história do clube, tanto em âmbito estadual como nacional.[28]

O Figueirense chegou ao tricampeonato estadual consolidando seu favoritismo e provando sua hegemonia no futebol catarinense. A terceira conquista consecutiva veio depois de 67 anos, feito que o transformou, também, no clube mais vezes campeão de Santa Catarina, junto com o Avaí, com 13 títulos. A vitória por 3 a 1, na última rodada do quadrangular final, foi contra o Guarani de Palhoça. O jogo, no Scarpelli, teve a presença de 21.324 torcedores, recorde na competição. O time do treinador Dorival Júnior em 16 jogos, venceu 8, empatou 3, perdeu 5, fez 30 gols e sofreu 19.[29] O Avaí e o Criciúma conquistaram as edições de 2009 e 2005, respectivamente. Os Grandes destaques foram os vices campeonatos do Atlético Ibirama em 2004 e 2005 e do Caxias de Joinville em 2002, depois de anos de inatividade.

Década de 2010: A superioridade dos cinco grandes

Roberto Firmino, integrou parte do elenco do Figueirense no Campeonato Catarinense de 2010.

Em 2011, a Chapecoense foi campeã do returno e enfrentaria o Criciúma que havia assegurado vaga nas finais pelo título da primeira etapa do Estadual. Com melhor campanha, a Chape tinha a vantagem do empate no placar agregado e o segundo jogo em casa. E precisou dela. Na ida, em Criciúma, os donos da casa venceram com um gol de Talles Cunha, que seria dispensado do clube do sul ao final do campeonato. Em Chapecó, ao tentar cortar um cruzamento, o volante Carlinhos Santos mandou para o próprio patrimônio. Está foi a quarta conquista estadual da Chapecoense.[30]

Em 2012, depois de vencer o primeiro jogo da decisão por 3 a 0, na Ressacada, o Avaí venceu o Figueirense por 2 a 1, no Estádio Orlando Scarpelli, e se sagrou o campeão catarinense de 2012. Cléber Santana, de pênalti, e Laércio fizeram os gols da vitória da equipe comandada pelo técnico Hermerson Maria. Deretti descontou. O Figueira havia vencido o primeiro e o segundo turnos.[31]

Nas edições seguintes, o Criciúma sagrou-se campeão da edição de 2013.[32] O Figueirense foi bicampeão estadual nas edições de 2014[33] e 2015. O Campeonato Catarinense de 2015 foi decidido através do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, pois o Joinville que havia ganhado a competição, estava com um jogador em situação irregular. Portanto com a punição, o Figueirense levou a vantagem do empate e ficou com o título.[34]

Nas edições de 2016 e 2017, foi vez da Chapecoense conquistar o seu bicampeonato estadual. Em 7 de maio, se tornou pela primeira vez bicampeã do Campeonato Catarinense. Após conquistar o returno do Campeonato Catarinense de 2017, a Taça Sandro Pallaoro, ganhou a oportunidade de disputar a final contra o Avaí que foi campeão do turno. No jogo de ida, na Ressacada, a Chapecoense vence por 1–0. No jogo da volta, na Arena Condá, o Avaí devolve o placar. Como a Chapecoense tinha a melhor campanha na classificação geral, o empate dava o título a equipe de Chapecó.[35] No ano de 2018, o Figueirense voltou a conquistar o título, batendo a Chapecoense na Arena Condá por 2 a 0.

Nesta década, podemos notar a superioridade de três equipes: a Chapecoense que conquistou as edições de 2011, 2016 e 2017, o Figueirense com o bicampeonato de 2014–2015 e 2018, e o Avaí em 2010 e 2012. Além destas equipes, destaca-se o Criciúma campeão em 2013 e o Joinville que foi vice campeão em 4 oportunidades (2010, 2014, 2015 e 2016).[36]