Campanha civilista

Campanha civilista foi uma campanha eleitoral à presidência brasileira, que ocorreu em 1910, durante a República Velha. Foi o nome dado à campanha de Rui Barbosa à presidência, tendo Albuquerque Lins, presidente do estado de São Paulo, como candidato a vice-presidente. O nome de civilista deu-se por defender a candidatura de um civil, em oposição à candidatura de um militar, o Marechal Hermes da Fonseca, candidato apoiado pelo então presidente da república, Nilo Peçanha.

"O intelectual Rui Barbosa percorreu o Brasil, realizando discursos e comícios, em busca de apoio popular, fato até então inédito na vida republicana brasileira, fazendo desta a primeira campanha presidencial moderna realizada no país". Mesmo assim Hermes da Fonseca foi eleito presidente.↵A eleição, que se realizou em 1 de março de 1910, marcou a ruptura da política dos estados e da política do café com leite, ficando São Paulo e Minas Gerais em campos opostos. Este movimento defendia princípios democráticos.

Contexto

Em 15 de novembro de 1889, foi instalada a Primeira República, também conhecida como República Velha, em detrimento da monarquia. No fim da República da Espada (1889 - 1894), foi estabelecida a política do “café-com-leite”, cuja presidência da República deveria se alternar entre políticos de Minas Gerais e São Paulo.[1]

Em 1908, já na República Oligárquica, o então presidente Afonso Pena demonstrava sua tendência em apoiar a candidatura de João Pinheiro, governador de Minas Gerais. No entanto, o governador faleceu, o que fez com que o presidente manifestasse apoio ao ministro da Fazenda Davi Campista.[2]

Os rumos da disputa eleitoral mudaram quando o Afonso Pena faleceu e seu vice-presidente, Nilo Peçanha, assumiu o cargo. Peçanha declarou apoio ao militar Hermes da Fonseca, tendo respaldo do Rio Grande do Sul. Apesar de não ter ascendência oligárquica, Hermes da Fonseca já se aproximava dos membros do Partido Republicano Mineiro.[2]

Em 1910, Minas Gerais e São Paulo entraram em conflito na escolha do sucessor ao cargo presidencial. Temendo a ideia de um militar no poder, os paulistas foram contra a nomeação de Hermes da Fonseca e logo procuraram outro nome para fazer oposição ao militar.[2]

Os oligarcas paulistas escolheram o jornalista, advogado e senador baiano Rui Barbosa. Considerado o grande herói intelectual do Brasil, Rui era polivalente e poliglota e era um dos políticos mais mencionado pelos jornais para o cargo da presidência, além de ter imensa popularidade. A escolha de Rui Barbosa como candidato se deu devido a intenção de conseguir o apoio das oligarquias nordestinas e focar as eleições nos centros urbanos para extinguir o voto do cabresto.[3]

De um lado, haviam apoiadores de Hermes da Fonseca bem como grupos dominantes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e todos os outros estados (exceto São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro) e militares; do outro, apoiadores de Rui Barbosa bem como os partidos governistas de São Paulo e Bahia, chamados de civilistas. Nunca havia se estabelecido uma dinâmica eleitoral com uma força política tão grande na história da República.[3]