Brasil na Primeira Guerra Mundial

O presidente da República Venceslau Brás declara guerra contra o Império Alemão e seus aliados. Ao seu lado, o ex-presidente da República e ministro interino das Relações Exteriores, Nilo Peçanha, e o presidente de Minas Gerais e futuro presidente da República, Delfim Moreira.

O Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) tinha uma posição neutra respaldada pela Convenção de Haia, buscando não restringir os seus produtos exportados na época, principalmente o café. A Alemanha era, na época, o principal parceiro comercial do Brasil, sendo seguida pela Inglaterra e pela França. O Brasil foi o único país latino-americano que participou da Primeira Guerra Mundial.

Fase inicial

Imagem de réplica, em português atual, do decreto Nº 3.361, de 26 de outubro de 1917, sancionado pelo presidente Venceslau Brás, em que o Congresso Nacional aprova a declaração de guerra contro o Império Alemão.

O Brasil declarou a sua neutralidade em 4 de agosto de 1914.[1] Desta forma, somente um navio brasileiro, o Rio Branco, foi afundado por um submarino alemão nos primeiros anos da guerra em 1916. Tal fato foi usado pela Inglaterra para despertar o sentimento antigermânico no Brasil. O governo brasileiro pediu explicações à delegação alemã. Uma investigação posterior averiguou que na verdade o Rio Branco fora vendido para a Noruega e arrendado por armadores ingleses. O navio viajava indevidamente com a bandeira brasileira por águas restritas. A maioria da tripulação era composta por noruegueses. Assim, apesar da comoção nacional que o fato gerou, não poderia ser considerado como um ataque ilegal dos alemães.[2]

No início da guerra, apesar de neutro, o Brasil enfrentava uma situação social e econômica complicada. A sua economia era basicamente fundamentada na exportação de apenas um produto agrícola, o café. Como este não era essencial, suas exportações (e as rendas alfandegárias, a principal fonte de recursos do governo) diminuíram com o conflito. Isto se acentuou mais com o bloqueio alemão e, depois, com a proibição à importação de café feita pela Inglaterra em 1917, que passou a considerar o espaço de carga nos navios necessário para produtos mais vitais, haja vista as grandes perdas causadas pelos afundamentos de navios mercantes pelos alemães.

As relações entre Brasil e o Império Alemão, outrora extremamente cordiais, foram abaladas pela decisão alemã de autorizar seus submarinos a afundar qualquer navio que entrasse nas zonas de bloqueio. No dia 5 de abril de 1917 o vapor brasileiro Paraná, um dos maiores navios da marinha mercante (4.466 toneladas), carregado de café, navegando de acordo com as exigências feitas a países neutros, foi atacado por um submarino alemão a milhas do cabo Barfleur, na França, e três brasileiros foram mortos.