Benito Mussolini

Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde setembro de 2016).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, o que compromete a verificabilidade (desde maio de 2012). Por favor, insira mais referências no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Mussolini, veja Mussolini (desambiguação).
Benito Mussolini
OSMMGCTE
Il Duce, Benito Mussolini
40º primeiro-ministro da Itália
Período31 de outubro de 1922
a 25 de julho de 1943
Antecessor(a)Luigi Facta
Sucessor(a)Pietro Badoglio
Primeiro Marechal do Império
Período30 de março de 1938
a 25 de julho de 1943
Il Duce da República Social da Itália
Período23 de setembro de 1943
a 25 de abril de 1945
Dados pessoais
Nome completoBenito Amilcare Andrea Mussolini
Nascimento29 de julho de 1883
Predappio, Forli, Itália
Morte28 de abril de 1945 (61 anos)
Mezzegra, Itália
NacionalidadeItaliana
ProgenitoresMãe: Rosa Maltoni (18581905)
Pai: Alessandro Mussolini (18541910)
Casamento dos progenitores25 de janeiro de 1882
Primeira-damaRachele Mussolini
EsposaRachele Mussolini
PartidoPartido Socialista Italiano (1901 – 1914)
Partido Nacional Fascista (1921 – 1943)
Partido Republicano Fascista (1943 – 1945)
ReligiãoNenhuma (Ateu)
ProfissãoPolítico, jornalista
AssinaturaAssinatura de Benito Mussolini
Serviço militar
LealdadeReino de Itália
Serviço/ramoExército italiano
Anos de serviço19141918
19221945
GraduaçãoPrimeiro Marechal do Império
CondecoraçõesOSMM, GCTE

Benito Amilcare Andrea Mussolini (Predappio, 29 de julho de 1883Mezzegra, 28 de abril de 1945) foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é creditado como sendo uma das figuras-chave na criação do fascismo.

Tornou-se o primeiro-ministro da Itália em 1922 e começou a usar o título Il Duce desde 1925. Após 1936, seu título oficial era "Sua Excelência Benito Mussolini, Chefe de Governo, Duce do Fascismo e Fundador do Império".[1] Mussolini também criou e sustentou a patente militar suprema de Primeiro Marechal do Império, junto com o rei Vítor Emanuel III da Itália, quem deu-lhe o título, tendo controle supremo sobre as forças armadas da Itália. Mussolini permaneceu no poder até ser substituído em 1943; por um curto período, até a sua morte, ele foi o líder da República Social Italiana.

Mussolini foi um dos fundadores do fascismo, que incluía elementos de nacionalismo, corporativismo, sindicalismo nacional, expansionismo, progresso social e anticomunismo, combinado com a censura de subversivos e propaganda do Estado. Nos anos seguintes à criação da ideologia fascista, Mussolini conquistou a admiração de uma grande variedade de figuras políticas.[2]

Entre suas realizações nacionais de 1924 a 1939 destacam-se os seus programas de obras públicas como a drenagem das áreas pantanosas da região do Agro Pontino[3] e o melhoramento das oportunidades de trabalho e transporte público. Mussolini também resolveu a Questão Romana ao concluir o Tratado de Latrão entre o Reino de Itália e a Santa Sé. Ele também é creditado por garantir o sucesso econômico nas colônias italianas e dependências comerciais.[4] Embora inicialmente tenha favorecido o lado da França contra a Alemanha no início da década de 1930, Mussolini tornou-se uma das figuras principais das potências do Eixo e, em 10 de junho de 1940, inseriu a Itália na Segunda Guerra Mundial ao lado dos alemães. Três anos depois, foi deposto pelo Grande Conselho do Fascismo, motivado pela invasão aliada. Logo depois de preso, Mussolini foi resgatado da prisão no Gran Sasso por forças especiais alemãs.

Após seu resgate, Mussolini chefiou a República Social Italiana nas partes da Itália que não haviam sido ocupadas por forças aliadas. Ao final de abril de 1945, com a derrota total aparente, tentou fugir para a Suíça, porém, foi rapidamente capturado e sumariamente executado próximo ao lago de Como por guerrilheiros italianos. Seu corpo foi então trazido para Milão onde foi pendurado de cabeça para baixo em uma estação petrolífera para exibição pública e a confirmação de sua morte.

Origens

Mussolini viveu os seus primeiros anos de vida numa pequena vila na província, numa família humilde. Seu pai, Alessandro Mussolini, era um ferreiro e um fervoroso socialista, e sua mãe, Rosa Maltoni, uma humilde professora primária, era a principal provedora da família. Foi-lhe dado o nome de Benito em honra do revolucionário mexicano Benito Juárez. Tal como o seu pai, Benito tornou-se um socialista. As primeiras opiniões políticas foram fortemente influenciados por seu pai, um revolucionário socialista que idolatrava figuras de nacionalistas italianos com tendências humanistas do século XIX, como Carlo Pisacane, Giuseppe Mazzini e Giuseppe Garibaldi.[5] e de anarquistas como Carlo Cafiero e Mikhail Bakunin.[6] Em 1902, no aniversário da morte de Garibaldi, Benito Mussolini fez um discurso público em louvor do republicano nacionalista.[6]

Foi influenciado por aquilo que leu de Friedrich Nietzsche. Outra doutrina muito corrente da época e que o influenciou foi a do "sindicalismo revolucionário", sustentada pelo escritor francês Georges Sorel (1847 - 1922).

Mussolini era rebelde e foi logo expulso após uma série de incidentes relacionados com o comportamento, inclusive atirando pedras contra a congregação, e por participar de uma luta em que feriu um seu colega de classe sênior com uma faca.[7] Apesar disso continuou os estudos e teve mesmo boas notas, conseguindo qualificar-se como professor da escola primária em 1901.

Sua Excelência Benito Mussolini, Chefe de Governo, Duce do Fascismo, e Fundador do Império. Mussolini, em cartaz de propaganda

Em 1902, emigrou para a Suíça para fugir ao serviço militar, mas, incapaz de encontrar um emprego permanente, tendo sido até mesmo preso por vagabundagem, ele foi expulso. Foi deportado para a Itália, onde foi forçado a cumprir o serviço militar. Depois de novos problemas com a polícia, ele conseguiu um emprego num jornal na cidade de Trento (à época sob domínio austro-húngaro) em 1908. Foi nesta altura que escreveu um romance, chamado A amante do cardeal.

Em 1909, Mussolini conheceu Ida Dalser em Trento ou em Milão (não há informação correta sobre o local). Os dois começaram um relacionamento e, posteriormente ela empenhou suas jóias e vendeu seu salão de beleza para ajudar Mussolini, que era então um jornalista de esquerda, estabelecer seu próprio jornal. Há relatos que eles teriam se casado em 1914, fato jamais comprovado, e em 1915 nasceu seu primeiro filho, Benito Albino Mussolini. A insistência de Ida em ver seu casamento e seu filho reconhecidos por Mussolini fez com que eles fossem mandados para o hospício, onde viriam a morrer.[8]

Mussolini tinha um irmão, Arnaldo, que se tornou um conhecido teórico do fascismo.

Uniu-se informalmente com Rachele Guidi e em 1910 nasceu a primeira filha, Edda. Contraiu matrimônio civil somente cinco anos mais tarde. Em 1916, nasce Vittorio, Bruno em 1918, Romano em 1927 e Anna Maria em 1929.

Infância

Local de nascimento de Mussolini, em Dovia de Predappio, Forlì em Emília-Romanha, Itália. Hoje em dia, a casa é utilizada como um museu.

Mussolini nasceu em Dovia di Predappio, uma pequena cidade na província de Forlì em Emilia-Romagna em 1883. Na era fascista, Predappio viria a ser chamada de "município do Duce", e Forlì de "cidade do Duce". Alguns peregrinos ainda vão até Predappio e Forlì para ver o local de nascimento de Mussolini. Seu pai, Alessandro Mussolini, era um ferreiro e ativista anarquista[9], enquanto sua mãe Rosa Mussolini (nascida Maltoni) era uma professora de escola e uma devota católica.[10] Devido à orientação política de seu pai, Mussolini foi nomeado Benito em homenagem ao presidente reformista mexicano Benito Juárez, enquanto seus sobrenomes Andrea e Amilcare vieram dos socialistas italianos Andrea Costa e Amilcare Cipriani.[11] Benito era o mais velho de seus dois irmãos, seguido por Arnaldo e depois, Edvige.

Quando criança, Mussolini teria passado um tempo ajudando seu pai na ferraria.[7]Foi lá que ele foi exposto às crenças políticas de seu pai. Alessandro era um socialista e republicano, mas também sustentava algumas visões nacionalistas, especialmente no que diz respeito aos italianos que viviam sob o governo do Império Austro-Húngaro[7], o que não era consistente com o socialismo internacionalista da época. O conflito entre seus pais sobre religião fez com que, diferente da maioria dos italianos, Mussolini não fosse batizado no nascimento. No entanto, em compromisso com sua mãe, ele foi enviado para uma escola interna regida por monges salesianos. Mussolini era rebelde e foi rapidamente expulso após uma série de incidentes relacionados ao seu comportamento, incluindo atirar pedras na congregação após uma missa, e por participar de uma luta em que feriu seu colega de classe sênior com uma faca.[7] Após ingressar em uma nova escola, alcançou boas notas, e se qualificou como um professor de escola primária em 1901.[10][11]

Emigração para a Suíça

Fotografias da prisão de Mussolini pela polícia suíça, no Cantão de Berna, 19 de junho de 1903.

Em 1902, Mussolini emigrou para a Suíça, com o objetivo de evitar o serviço militar.[9] Ele trabalhou brevemente em Genebra como um pedreiro, no entanto, foi incapaz de encontrar um emprego profissional permanente no país. Na Suíça, adquiriu um conhecimento prático de francês e alemão.

Durante este tempo, estudou as ideias do filósofo Friedrich Nietzsche, o sociólogo Vilfredo Pareto, e o sindicalista Georges Sorel. Mussolini, mais tarde, viria a creditar o marxista Charles Péguy e o sindicalista Hubert Lagardelle como algumas de suas influências.[12] A ênfase de Sorel sobre a necessidade de derrubar a democracia liberal e o capitalismo pelo uso da violência, ação direta, greve geral, e o uso do neo-maquiavelismo apelando à emoção impressionou Mussolini profundamente.[9] Ainda na Suíça, também conheceu alguns políticos russos vivendo no exílio, incluindo os marxistas Angelica Balabanoff e Vladimir Lenin.[13] Durante este período, uniu-se ao movimento socialista marxista.

Mussolini tornou-se ativo no movimento socialista italiano na Suíça, trabalhando para o jornal L'Avvenire del Lavoratore, organizando encontros, discursando para trabalhadores e servindo como secretário da união dos trabalhadores italianos em Lausanne.[14] Em 1903, foi preso pela polícia bernense pela sua defesa de uma greve geral violenta; passou duas semanas preso, foi deportado à Itália, liberto lá, e retornou à Suíça. Em 1904, após ter sido encarceirado novamente em Lausanne, por falsificação de documentos, retornou à Itália, tirando proveito de uma anistia por deserção a qual ele havia sido condenado in absentia.[14]

Posteriormente, voluntariou-se ao serviço militar no Exército Italiano. Após servir por dois anos nas forças armadas (de janeiro de 1905 até setembro de 1906), voltou a lecionar.[15]

Jornalista político e socialista

Em fevereiro de 1908, Mussolini deixou a Itália mais uma vez, desta vez para assumir o cargo de secretário do partido trabalhista da cidade de Trento, que na época estava sob o controle do Império Austro-Húngaro, mas onde o idioma predominante era o italiano. Também trabalhou para o partido socialista local, e editou seu jornal L'Avvenire del Lavoratore (O Futuro do Trabalhador, em tradução livre). Ao retornar à Itália, passou um breve período na cidade italiana de Milão e, então, em 1910, retornou à sua cidade natal, onde editava o jornal semanal Lotta di classe (A Luta de Classes, em tradução livre).

Durante este período, publicou Il Trentino veduto da un Socialista (O Trentino visto por um Socialista, em tradução livre) no periódico radical La Voce.[16] Também escreveu vários ensaios sobre a literatura alemã, algumas histórias, e um romance: L'amante del Cardinale: Claudia Particella, romanzo storico (A Amante do Cardeal, tradução livre). Este romance foi co-escrito com Santi Corvaja, e publicado como um livro de série no jornal de Trento Il Popolo. Ele foi lançado de 20 de janeiro a 11 de maio de 1910.[17] O romance foi amargamente anticlerical, e anos depois, foi retirado de circulação, somente após Mussolini dar trégua ao Vaticano.[9]

Até os dias atuais, Mussolini é considerado um dos socialistas mais proeminentes da Itália. Em setembro de 1911, participou de uma manifestação, liderada pelos socialistas, contra a Guerra Ítalo-Turca na Líbia. Ele amargamente denunciou a estratégia, que classificou como "guerra imperialista", da Itália de capturar a capital da Líbia, Tripoli, uma ação que lhe valeu um período de cinco meses na prisão.[18] Após sua libertação, ajudou a expulsar do partido socialista dois 'revisionistas' que apoiaram a guerra, Ivanoe Bonomi, e Leonida Bissolati. Como resultado, foi promovido à editoria do jornal do Partido Socialista Avanti!. Sob sua liderança, a circulação do jornal passou rapidamente de 20 000 para 100 000.[19]

Em 1913, publicou Giovanni Hus, il veridico (Jan Hus, verdadeiro profeta, em tradução livre), uma biografia política e histórica sobre a vida e missão do reformista eclesiástico tcheco Jan Hus, e seus seguidores militantes, os hussitas. Durante este período socialista de sua vida, Mussolini, algumas vezes, utilizou o pseudônimo Vero Eretico (Herege Sincero).

Durante esta época, tornou-se importante o suficiente para a polícia italiana preparar um relatório; os seguintes excertos são de um relatório policial preparado pelo inspetor geral de Segurança Pública em Milão, G. Gasti.

Ruptura com os socialistas

O inspetor geral escreveu:

Em seu resumo, o inspetor também observa:

Serviço na Primeira Guerra Mundial

Mussolini em seus trajes militares, quando, em 1917, serviu em nome da Itália, na Primeira Guerra Mundial.

Mussolini tornou-se aliado do político irredentista e jornalista Cesare Battisti, e assim como ele, entrou no exército e serviu na guerra. "Ele foi enviado à zona de operações onde foi seriamente ferido pela explosão de uma granada."[19]

O inspetor continua:

A experiência militar de Mussolini é narrada em sua obra Diario Di Guerra[19]. No total, narrou cerca de nove meses na ativa. Durante este período, ele contraiu febre paratifoide.[21] Suas façanhas militares terminaram em 1917, quando foi ferido acidentalmente pela explosão de um morteiro em seu alojamento. Ele foi levado ao hospital com pelo menos 40 pedaços de metal no corpo.[21] Recebeu alta em agosto de 1917 e retomou ao seu cargo de editor-chefe do seu jornal, Il Popolo d'Italia. Escreveu artigos positivos sobre as Legiões Checoslovacas na Itália.

Em 25 de dezembro de 1915, em Treviglio, casou-se com sua compatriota Rachele Guidi, dando-lhe uma filha, Edda, em Forli, 1910. Em 1915, teve um filho com Ida Dalser, uma mulher nascida em Sopramonte, uma vila próxima a Trento.[10][11][22] Ele reconheceu legalmente seu filho em 11 de janeiro de 1916.