Batalha de Alcácer-Quibir

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Batalha de Alcácer-Quibir
Império Português
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Data4 de agosto de 1578 (441 anos)
LocalAlcácer-Quibir, act. Marrocos
Desfecho
  • Vitória decisiva marroquina
  • Crise de sucessão portuguesa de 1580
  • Ascensão da dinastia Saadiana
Beligerantes
Flag of Portugal (1578).svg Reino de Portugal
Flag of the Papal States (1808-1870).svg Estados Papais
Espanha Reino de Espanha (voluntários)
Banner of the Holy Roman Emperor with haloes (1400-1806).svg Sacro Império Romano-Germânico (mercenários)
Flag of Morocco 1258 1659.svg Saadianos (aliados)
Flag of Morocco 1258 1659.svg Saadianos
Fictitious Ottoman flag 2.svg Império Otomano
Comandantes
Flag of Portugal (1578).svg Sebastião de Portugal

Flag of Morocco 1258 1659.svg Mulay Mohammed

Flag of England.svg Thomas Stukley
Flag of Morocco 1258 1659.svg Mulei Maluco
Flag of Morocco 1258 1659.svg Amade Almançor Saadi
Forças
Total de homens:

-23 640

  • 12 000 portugueses
  • 600 italianos
  • 2 000 espanhóis
  • 3 000 alemães e belgas
  • 6 000 mouros

Peças de artilharia:

  • 40 canhões
Total de homens:

-60 000

Peças de artilharia:

  • 34 canhões
Baixas
Perdas:
  • 9000 mortos
  • 16 000 capturados
Perdas:
  • 3000 mortos

A Batalha de Alcácer-Quibir também grafado Alcácer-Quivir, al Quasr al-kibr, Alcazarquivir ou Alcassar, significando "grande fortaleza" (em árabe: معركة القصر الكبير), conhecida em Marrocos como Batalha dos Três Reis (em árabe: معركة الملوك الثلاث) ou Batalha de Oued al-Makhazin (em árabe: معركة وادي المخازن), foi uma batalha travada no norte de Marrocos perto da cidade de Alcácer-Quibir, entre Tânger e Fez, em 4 de agosto de 1578.[1] Os portugueses, liderados pelo rei D. Sebastião, aliados ao exército do sultão Mulei Maomé (Abu Abdalá Maomé Saadi II, da dinastia Saadiana), combateram um grande exército saadiano liderado pelo sultão Mulei Moluco (Abu Maruane Abdal Malique I Saadi, tio de Mulei Mohammed) que gozava do apoio otomano.

No seu fervor religioso, o rei D. Sebastião planeara uma cruzada após Mulei Mohammed solicitar a sua ajuda para recuperar o trono que seu tio, Mulei Moluco, havia tomado. A batalha resultou na derrota portuguesa, com o desaparecimento em combate do rei D. Sebastião e o aprisionamento ou morte da nata da nobreza portuguesa.[2] Além do rei português, morreram na batalha os dois sultões rivais, dando origem ao nome "Batalha dos Três Reis", como ficou conhecida entre os marroquinos.

A derrota na batalha de Alcácer-Quibir levou à crise dinástica de 1580 e ao nascimento do mito do Sebastianismo. O reino de Portugal ficou severamente empobrecido pelos resgates pagos para reaver os cativos.

A batalha ditou o início do fim da Dinastia de Avis e do período de expansão iniciado com a vitória na Batalha de Aljubarrota. A crise dinástica resultou, dois anos mais tarde, na perda da independência de Portugal por 60 anos, com a união ibérica sob a dinastia Filipina.

Antecedentes

O rei D. Sebastião, cognominado "o desejado", era filho do Infante Dom João (filho de João III de Portugal) e Joana de Áustria, filha do Imperador Carlos V. Seu pai morrera antes que ele houvesse nascido, e D. Sebastião herdou o trono aos três anos, após a morte do seu avô em 1557. Foi educado por jesuítas, pelo seu guardião e tutor Aleixo de Meneses e por sua avó, Catarina de Áustria, esposa de D. João III e irmã de Carlos V. Assumiu o governo em 1568, aos 14 anos.

Certas teorias afirmam que a influência católica combinada ao seu idealismo juvenil culminaram em fanatismo religioso, embora ele nunca tenha aderido à Santa Liga. As Cortes haviam solicitado várias vezes a D. Sebastião para fazer cessar o avanço da presença militar otomana, que seria uma ameaça para a segurança das costas portuguesas e do comércio com a Guiné, Brasil e Ilhas Atlânticas. Mas só quando Mulei Mohammed se deslocou a Portugal pedindo o seu auxílio para recuperar o trono, tomado pelo seu tio em 1576, é que D. Sebastião se decidiu a montar um esforço militar.

D. Sebastião ter-se-á sentido motivado a reviver as glórias do passado intervindo no Norte de África, influenciado por acontecimentos como a defesa do Mazagão durante o cerco mouro em 1562. Assim, em 1568, o reino começou a preparar a intervenção em Marrocos. Esta política foi vista como um imperativo nacional, pois pretendia beneficiar do comércio de ouro, gado, trigo, açúcar o que além de oferecer oportunidades à burguesia mercantil, era também um campo de atividade para a nobreza, sendo apoiada por ambas.

Até então a ação militar portuguesa em África tinha-se limitado a pequenas expedições e invasões; Portugal havia construído o seu vasto império marítimo do Brasil até às Índias Orientais por uma combinação de comércio, exploração marítima e domínio tecnológico, com conversão cristã das populações sendo um objectivo, mas não o único. D. Sebastião propôs alterar totalmente essa estratégia.

Em 1574 D. Sebastião liderara uma bem sucedida incursão em Tânger, o que incentivou um plano mais vasto. Deu assim o seu apoio a Mulei Mohammed, que estava envolvido numa guerra civil para recuperar o trono Saadiano a seu tio, o sultão Abd al-Malik - aliado dos cada vez mais poderosos otomanos. Apesar das admoestações de sua mãe e do seu tio Filipe II de Espanha (que se tornara muito cauteloso após a Batalha de Djerba), D. Sebastião estava determinado a travar uma campanha militar. D. Sebastião decidiu apoiar Mulei Mohammed que, como compensação, ofereceu Arzila aos portugueses enquanto procurava apoio de outros reis.[1] Filipe II retirou-se da disputa.