Bélgica romana

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A região da Bélgica antes da conquista de Júlio César

Bélgica era o antigo nome de uma região do Império Romano onde, posteriormente, uma província romana foi organizada com o nome de Gália Bélgica. A região está localizado no território da moderna Bélgica, norte da França, Luxemburgo, a porção dos Países Baixos abaixo do Reno e a Renânia. Quando a província foi criada, abrangia as terras ocupadas pelas tribos belgas aliadas que lutaram contra Júlio César mais as terras dos tréveros, mediomátricos e leucos, que eram vizinhos para o sudeste. Segundo César, o limite sul da Bélgica, formada pelo rio Marna e Sena, era a fronteira cultural entre os belgas e os gauleses celtas[1].

A província foi ampliada e reduzida com o passar dos anos. É possível que ela tenha se estendido até o Reno, que é como Plínio, o Velho, a descreve, mas esta região foi colonizada por veteranos romanos e por tribos germânicas recém-chegadas vindas do leste do Reno, que rapidamente desenvolveram sua própria administração. Muito depois, o território foi reduzido quando imperador Diocleciano juntou a Cidade dos Tungros (Civitas Tungrorum) na Germânia Inferior, fundindo as províncias da Renânia. Ele também dividiu o que sobrou da Gália Bélgica em Bélgica Prima - a porção oriental dos tréveros, mediomátricos e leucos que cerca Luxemburgo e as Ardenas - e a Bélgica Secunda - na região entre o rio Mosa e o Canal da Mancha. A capital da Bélgica Prima, Augusta dos Tréveros (Tréveris), tornou-se depois uma importante capital romana[2].

Conquista romana

Provincia Gallia Belgica
Província da Gália Bélgica
Província do(a) Império Romano

22 a.C.295
 

Location of Gália Bélgica
Gália Bélgica em 120
Capital: Durocortoro
Período : Antiguidade Clássica
 -  Região conquistada por Júlio César e anexada à Gália Comata 57 a.C.
 -  Gália Comata foi subdividida por Augusto 22 a.C.
 -  Reformulação do território por Domiciano 90 d.C.
 -  Repartida por Diocleciano 295 d.C.

Em 57 a.C., Júlio César iniciou a conquista da Gália setentrional e já sabia que a região ao norte do Sena e do Marna era habitada por um povo (ou uma aliança de povos) conhecido como belgas (em latim: belgae), um nome que depois serviu de base para criação da província romana da Bélgica. César relatou que os belgas eram distintos dos gauleses celtas que viviam mais ao sul pela "língua, costumes e leis" (lingua, institutis, legibus), mas não entrou em detalhes, exceto num ponto em que ele menciona que soube pelos seus contatos que os belgas tinham parentes a leste do Reno, um território que ele chamou de "Germânia". Algumas destas tribos mais próximas do Reno ele chamou de Germanos cisrenanos (Germani cisrhenani). Por outro lado, Estrabão afirmou que as diferenças entre celtas e belgas - na língua, instituições e política - eram bem pequenas[3]. Historiadores modernos interpretam as evidências de César e arqueológicas como uma indicação de que o fulcro da antiga aliança dos belgas era a região norte da França, onde estavam as tribos dos suessiões, viromandos, ambianos e talvez algumas outras vizinhas próximas. Estas eram as líderes da primeira aliança militar que ele César teve que enfrentar e eram também as mais avançadas economicamente (e, portanto, menos "germânicas", nas palavras de César) que a maioria dos aliados mais para o norte como os Germanos cisrenanos[4].

Porém, todas as tribos belgas se aliaram contra os romanos por causa da decisão imperial de invernar legiões em seu território. Segundo o relato de César, no princípio do conflito, os belgas conseguiram juntar uma força de 288 000, liderados pelo rei suessião Galba[5]. Por conta do tamanho da coalizão e da reputação de bravura dos adversários, César evitou a todo custo dar combate ao exército belgas reunido. Ao invés disso, ele fez uso da cavalaria para enfrentar unidades menores e apenas quando ele conseguia isolar uma das tribos é que ele ele recorria ao combate tradicional. Pouco a pouco, todas caíram desta forma e César ofereceu termos generosos aos derrotados, inclusive proteção romana para as tribos que se renderam contra seus vizinhos[6]. A maior parte das tribos concordou com essas condições, mas, ainda assim, uma série de revoltas se seguiram à conquista de 57 a.C. A maior delas, liderada pelos belóvacos em 52 a.C., depois da derrota de Vercingetórix. Durante esta revolta, eram os belgas que evitavam o conflito direto e passaram a atacar as legiões romanas, lideradas pessoalmente por César, com forças rápidas de cavalaria e arqueiros. A revolta finalmente foi esmagada depois que uma emboscada dos belóvacos contra os romanos fracassou e os rebeldes foram massacrados.