Ararinha-azul

Como ler uma infocaixa de taxonomiaArarinha-azul
Cyanopsitta spixii - Museum fur Naturkunde, Berlin - DSC00194.JPG
Estado de conservação
Espécie em perigo crítico
Em perigo crítico (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Aves
Ordem:Psittaciformes
Família:Psittacidae
Género:Cyanopsitta
Bonaparte, 1854
Espécie:C. spixii
Nome binomial
Cyanopsitta spixii
(Wagler, 1832)

A ararinha-azul (nome científico: Cyanopsitta spixii, do grego: kuanos, "azul-piscina; ciano" + do latim: psitta, "papagaio"; e spixii, em homenagem a Johann Baptist von Spix)[2] é uma espécie de ave da família Psittacidae endêmica do Brasil. É a única espécie descrita para o gênero Cyanopsitta. Outros vernáculos associados a esta espécie são arara-azul-de-spix e arara-celeste. Habitava matas de galeria dominadas por caraibeiras associadas a riachos sazonais no extremo norte do estado da Bahia, ao sul do rio São Francisco. Todos os registros históricos para a espécie estão localizados nos municípios de Juazeiro e Curaçá na Bahia. Há relatos não confirmados da presença da ave nos estados de Pernambuco e Piauí.

C. spixii mede cerca de 57 centímetros de comprimento e possui uma plumagem azul, variando de tons pálidos a vividos ao longo do corpo. Pouco se conhece sobre sua ecologia e comportamento na natureza. Sua dieta consistia principalmente de sementes de pinhão-bravo e faveleira. A nidificação era feita em caraibeiras, em ocos naturais ou feitos por pica-paus. O período de reprodução estava associado a época das chuvas.

Em decorrência do corte indiscriminado de árvores da caatinga e do tráfico ilegal, a população se reduziu até restar um único indivíduo, que desapareceu em 2000-2001. Está seriamente ameaçada de extinção, existindo somente 158[3] indivíduos em cativeiro (em junho de 2018), tendo sido declarada extinta na natureza pelo governo brasileiro. Entretanto, embora reconheça que possivelmente a ararinha-azul possa estar "extinta na natureza", a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) ainda a classifica como "em perigo crítico".[1] Em junho de 2016 foi registrado um indivíduo em matas ciliares de Curaçá, possivelmente libertado do cativeiro por algum morador local.[4]

Nomenclatura e taxonomia

Relações filogenéticas do gênero Cyanopsitta


Cyanopsitta




Orthopsittaca




Primolius



Ara





Cladograma inferido das sequências de DNA mitocondrial e nuclear proveniente de Tavares et al., 2006.

A primeira descrição da espécie foi feita por Johann Baptist von Spix em 1824 com o nome de Arara hyacinthinus.[5] No entanto, o epíteto específico estava pré-ocupado pelo Psittacus hyacinthinus descrito por John Latham em 1790.[6] Johann Georg Wagler, que foi assistente de von Spix na publicação do livro de 1824, substituiu o nome científico da espécie para Sittace spixii em 1832.[7] Em 1854, Charles Lucien Bonaparte descreveu um novo gênero para a espécie, o Cyanopsitta, recombinando o nome científico para Cyanopsitta spixii.[8]

Ocasionalmente, a espécie foi inserida no gênero Ara.[9][10] Helmut Sick (1997) não considerava a Cyanopsitta spixii como uma arara, por suspeitar que a espécie possuía um maior relacionamento com as jandaias.[11] Análises moleculares demonstraram que o gênero Cyanopsitta está mais relacionado com os gêneros Primolius, Ara e Orthopsittaca do que com o Anodorhynchus e Aratinga.[12][13][14]