Antigo Egito
English: Ancient Egypt

Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Egito (desambiguação).
Antigo Egito
Blank.png
3 100 a.C.30 a.C. 
Blank.png
Egypt NK edit-pt.svg
O Antigo Egito em sua extensão máxima durante o período conhecido como Império Novo, por volta de 1 450 a.C.[1]


ابو الهول المصري.jpg
Esfinge com as pirâmides de Quéfren (esquerda) e Quéops na Necrópole de Gizé (ou Guiza), o complexo de monumentos mais emblemático do Antigo Egito.

Região
Capitais
Países atuais

Línguas oficiaisEgípcio
ReligiãoPoliteísmo egípcio

Forma de governoMonarquia absoluta
Faraó
• ca. 3 100 a.C.  Narmer
• 51–30 a.C.  Cleópatra

Período históricoIdade do Bronze
Idade do Ferro
• 3 100 a.C.  União do Alto e Baixo Egito
• 3 100–2 686 a.C.  Época Tinita
• 2 686–2 160 a.C.  Império Antigo
• 2 160–2 055 a.C.  1º Período Intermediário
• 2 055–1 650 a.C.  Império Médio
• 1 650–1 550 a.C.  2º Período Intermediário
• 1 550–1 069 a.C.  Império Novo
• 1 069–664 a.C.  3º Período Intermediário
• 664–332 a.C.  Época Baixa
• 332–30 a.C.  Reino Ptolemaico
• 30 a.C.  Conquista romana

O Antigo Egito foi uma civilização do Antigo Oriente Próximo do Norte de África, concentrada ao longo ao curso inferior do rio Nilo, no que é hoje o país moderno do Egito. Era parte de um complexo de civilizações, as civilizações do Vale do Nilo, do qual também faziam parte as regiões ao sul do Egito, atualmente no Sudão, Eritreia, Etiópia e Somália. Tinha como fronteiras o Mar Mediterrâneo, a norte, o Deserto da Líbia, a oeste, o Deserto Oriental Africano a leste e a primeira catarata do Nilo a sul. Foi umas das primeiras grandes civilizações da Antiguidade e manteve durante sua existência uma continuidade nas suas formas políticas, artísticas, literárias e religiosas, explicável em parte devido aos condicionalismos geográficos, embora as influências culturais e contactos com o estrangeiro tenham sido também uma realidade.

A civilização egípcia se aglutinou em torno de 3 100 a.C. com a unificação política do Alto e Baixo Egito, sob o primeiro faraó (Narmer), e se desenvolveu nos três milênios seguintes.[2] Desenvolveu-se historicamente em três grandes reinos marcados pela estabilidade política, prosperidade económica e florescimento artístico, separados por períodos de relativa instabilidade conhecidos como Períodos Intermediários. Atingiu seu auge no Império Novo (ca. 1550–1069 a.C.), uma era cosmopolita na qual, graças às campanhas militares do faraó Tutemés III, o Egito dominou uma área que se estendia desde a Núbia, entre a quarta e quinta cataratas do Nilo, até o rio Eufrates, tendo entrado num lento declínio depois disso. O Egito foi dominado por uma sucessão de potências estrangeiras neste período final. O governo dos faraós terminou oficialmente em 30 a.C., quando o Egito caiu sob o domínio do Império Romano e se tornou uma província, após a derrota da faraó Cleópatra (r. 51–30 a.C.) na Batalha de Alexandria.

O sucesso egípcio deve-se em parte à sua capacidade de se adaptar às condições do vale do Nilo. A inundação previsível e a irrigação controlada do vale fértil produziam colheitas excedentárias, o que alimentou o desenvolvimento social e cultural. Com recursos excedentários, o governo patrocinou a exploração mineral do vale e regiões do deserto ao redor, o desenvolvimento de um sistema de escrita, a organização de construções coletivas e projetos de agricultura, comércio com vizinhos e guerras para derrotar inimigos estrangeiros e afirmar o domínio egípcio. Motivar e organizar estas atividades foi uma tarefa burocrática dos escribas de elite, dos líderes religiosos, e dos administradores sob o controle de um faraó que garantiu a cooperação e a unidade do povo egípcio, no âmbito de um elaborado sistema de crenças religiosas.[3][4]

As muitas realizações dos antigos egípcios incluem o desenvolvimento de técnicas de extração mineira, topografia e construção que permitiram a edificação de monumentais pirâmides, templos e obeliscos; um sistema de matemática, um sistema prático e eficaz de medicina, sistemas de irrigação e técnicas de produção agrícola, os primeiros navios conhecidos, faiança e tecnologia com vidro, novas formas de literatura e o mais antigo tratado de paz conhecido, o chamado Tratado de Cadexe. O Egito deixou um legado duradouro. Sua arte e arquitetura foram muito copiadas e suas antiguidades levadas a várias partes do globo. Suas ruínas monumentais inspiraram a imaginação de viajantes e escritores por séculos e o fascínio por antiguidades e escavações no início do Idade Contemporânea esteve na origem da investigação científica desta civilização e levou à maior valorização do seu legado cultural.

Etimologia

Os egípcios usaram vários nomes para se referirem à sua terra. O mais comum era Quemete (Kṃt), "Terra Negra" ou "Terra Fértil", que se aplicava especificamente ao território nas margens do Nilo e que aludia à terra negra trazida pelo rio todo ano.[5] Dexerete (dšṛt), "Terra Vermelha", referia-se aos desertos que circundavam o Nilo, onde os egípcios só iam para enterrar os seus mortos ou para explorarem pedras e metais preciosos.[6][7] Também chamavam-o Taui ( "as Duas Terras", ou seja, Alto e Baixo Egito),[8] Tameri ("Terra Amada")[9] ou Ta Netjeru ("Terra dos Deuses").[10] Na Bíblia, é designado Misraim (em hebraico: מִצְרַיִם; transl.: Mizraim, literalmente "os dois estreitos (Alto e Baixo Egito)").[11][12] A atual palavra Egito deriva do grego Aigyptos (pronunciado Aiguptos), que se acredita derivar por sua vez do egípcio Het-Ka-Ptah, "a mansão da alma de Ptá".[13]

Os habitantes atuais do Egito dão o nome Misr ao país, uma palavra que em árabe pode também significar "país", "fortaleza" ou "acastelado". Segundo a tradição, Misr é o nome usado no Alcorão para designar o Egito, e o termo pode evocar as defesas naturais de que o país sempre dispôs. Outra teoria é que Misr deriva da antiga palavra Mizraim, que por sua vez deriva de md-r ou mdr, usada pelos locais para designar o seu país.[14]