Anarcocomunismo

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Anarco-comunismo[1] (também chamado comunismo anarquista, comunismo libertário),[2][3][4][5][6][7] é uma corrente do anarquismo que advoga pela abolição do Estado, do capitalismo, da propriedade privada (retendo assim a propriedade particular),[8] e advoga a propriedade comum dos meios de produção,[9][10] democracia direta, e uma rede horizontal de associações voluntárias e conselhos operários com a produção e consumo baseadas na máxima: "de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades".[11][12]

Algumas formas de anarco-comunismo, tais como o anarquismo insurrecionário são fortemente influenciadas pelo individualismo radical, acreditando que o anarco-comunismo é o melhor sistema para a satisfação da liberdade individual.[13][14][15][16] Alguns anarco-comunistas enxergam o anarco-comunismo como uma forma de reconciliar a oposição entre o indivíduo e a sociedade.[17][18][19][20][21] Enquanto alguns anarco-comunistas (e anarquistas coletivistas também) rejeitam o "individualismo" e "coletivismo" como conceitos ilusórios,[22] argumentando que um indivíduo sacrificar-se pela sociedade pelo "bem maior" ou ser dominado pela "comunidade" ou "sociedade" não ser possível porque a sociedade é composta por indivíduos e não por uma unidade coesa separada do indivíduo, de tal forma que o controle coletivo sobre o indivíduo é tirânico e anti-anarquista;[23] Outros, como Lucien van der Walt e Michael Schmidt, argumentam que "Anarquistas não [...] identificam a liberdade como o direito para que todos façam exatamente o que bem desejarem, mas como uma ordem social onde o esforço coletivo e as responsabilidades - isto é, as obrigações - podem prover uma base material e um nexus social onde a liberdade individual consegue existir." Eles argumentam que "a liberdade genuína e a individualidade só podem existir em uma sociedade livre" e que em contraste ao "individualismo misântropo e burguês", o anarquismo é baseado em "uma profunda paixão pela liberdade, entendida como um produto social; um profundo respeito por direitos humanos, uma profunda celebração da humanidade e seu potencial; e um comprometimento com uma forma de sociedade onde a 'verdadeira individualidade' estivesse irrevogavelmente ligada à 'mais alta sociabilidade comunista'".[21][24]

O anarco-comunismo surgiu de dentro das correntes socialistas radicais depois da Revolução Francesa,[25][26] mas foi formulado pela primeira vez como tal na seção italiana da Primeira Internacional.[27] O trabalho teórico de Peter Kropotkin tomou importância mais tarde ao expandir e desenvolver seções pró-organizacionais e insurrecionárias anti-organizacionais.[28]

Até hoje, os melhores exemplos de sociedades anarco-comunistas (isto é, estabelecidas em volta das ideias tais como existem hoje e atingindo atenção mundial e conhecimento no registro histórico), são os territórios anarquistas durante a Revolução Espanhola[29] e o Território Livre durante a Revolução Russa. Através dos esforços e da influência dos anarquistas espanhois durante a Revolução Espanhola na Guerra Civil Espanhola, a partir de 1936 o anarco-comunismo existiu na maior parte de Aragon, partes do Levante e Andalusia, assim como no forte da Catalunha Revolucionária antes da derrota para as forças combinadas do regime que venceu a guerra, Hitler, Mussolini, a repressão do Partido Comunista da Espanha (apoiado pela URSS) assim como os bloqueios econômicos e de armamentos dos países capitalistas e da própria Segunda República Espanhola.[30] Durante a Revolução Russa, anarquistas como Nestor Makhno trabalharam para criar e defender - com o Exército Insurgente Makhnovista - o anarco-comunismo no Território Livre da Ucrânia de 1919 até ser conquistado pelos bolcheviques em 1921.

Origem do nome

A denominação foi criada após a cisão da primeira Associação Internacional de Trabalhadores (AIT) entre socialistas autoritários, tendência encabeçada por Karl Marx, e socialistas libertários, cujo maior expoente era Bakunin. No entanto, ambas as denominações foram inventadas pelo grupo de Bakunin, sem que os marxistas jamais aceitassem o rótulo de "autoritários".

O comunismo libertário foi inicialmente formulado pela seção italiana da Associação Internacional dos Trabalhadores, por Carlo Cafiero, Errico Malatesta, Andrea Costa e outros ex-republicanos Mazzinistas. Em respeito a Mikhail Bakunin, eles não revelaram explicitamente sua discordância com o anarquismo mutualista de Pierre-Joseph Proudhon até a morte de Bakunin. Enquanto Proudhon era a favor da propriedade individual sobre o produto do próprio trabalho, salários e um mercado de trocas, os comunistas libertários se opuseram à propriedade individual do produto do trabalho e se colocaram a favor da abolição dos salários e do valor de troca. Cafiero explica em Anarchie et Communisme que a propriedade privada derivada do trabalho leva à acumulação desigual do capital, e portanto a condições sociais distintas, o que seria indesejável. Joseph Déjacque criticou Proudhon diretamente, afirmando que "não é ao produto do seu trabalho que a/o trabalhador(a) tem direito, mas à satisfação de suas necessidades, sejam de que natureza forem." Em 1876, na Conferência da Federação Italiana da AIT em Florença (que na verdade foi realizada numa floresta fora da cidade, por causa da repressão policial), eles declararam os princípios do comunismo libertário, começando com:

Piotr Kropotkin, durante esta época, mudou o foco da propaganda anarquista, que até então era primordialmente a crítica ao sistema capitalista, e passou a escrever sobre a possível sociedade futura em mais detalhe do que o anteriormente feito por Proudhon e Bakunin. Ele adotou então o termo "comunismo libertário" para referir-se a essa sociedade, onde a propriedade privada estaria abolida, e o Estado seria substituído por associações livres de trabalhadores.