Alberto Magno

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Santo Alberto Magno, O.P.
Santo Alberto na Predigerkirche em Rottweil, na Alemanha
Bispo de Ratisbona; Doutor da Igreja (Doctor Universalis)
Nascimentoc. 1193 em Lauingen, Ducado da Baviera
Morte15 de novembro de 1280 (87 anos) em Colônia, Sacro Império
Veneração porIgreja Católica
Beatificação1622, Roma, Estados Papais por Papa Gregório XV
Canonização1931, Roma, Itália por Papa Pio XI
Principal temploIgreja de Santo André, Colônia
Festa litúrgica15 de novembro
PadroeiroTécnicos médicos; ciências naturais; filósofos; cientistas; estudantes; Dia Mundial da Juventude
Gloriole.svg Portal dos Santos

Alberto Magno, O.P. (em latim: Albertus Magnus), conhecido também como Alberto, o Grande, e Alberto de Colônia, é um filósofo, escritor, astrólogo e teólogo católico venerado como santo. Era um frade dominicano alemão e bispo. Ainda em vida era conhecido como doctor universalis e doctor expertus e, já idoso, ganhou o epíteto "Magnus" ("o Grande").[1] Estudiosos como James A. Weisheipl e Joachim R. Söder defendem que Alberto foi o maior filósofo e teólogo alemão da Idade Média[2]

A Igreja Católica proclamou-o Doutor da Igreja em 1931.

Biografia

É provável que Alberto tenha nascido em 1196 dadas as confiáveis evidências de que ele teria mais de oitenta anos quando morreu em 1280; mais de uma fonte afirma que ele tinha 87, o que explica por que 1193 geralmente aparece como data de seu nascimento.[3] É também provável que ele tenha nascido em Lauingen, no Ducado da Baviera, Suábia, pois ele chamava a si próprio "Alberto de Lauingen" (o epíteto pode ser ainda um nome de família).[3]

Alberto estudou principalmente na Universidade de Pádua, onde conheceu as obras de Aristóteles. Um relato posterior de Rudolph de Novamagia conta que Alberto teria tido uma visão da Virgem Maria, que o convenceu aceitar o hábito de sacerdote. Em 1223 (ou 1229),[4] entrou para a Ordem dos Pregadores contra a vontade da sua família e estudou teologia na Universidade de Bolonha. Selecionado para preencher uma cadeira de professor em Colônia, onde havia um mosteiro dominicano, Alberto ensinou durante muitos anos na região, principalmente Regensburgo, Friburgo, Estrasburgo e Hildesheim. Durante seu primeiro mandato em Colônia, escreveu sua Summa de Bono depois de discutir com Filipe, o Chanceler, sobre as propriedades transcendentais do ser.[5]

Ele foi o primeiro a comentar sobre praticamente todas as obras de Aristóteles, tornando-as acessíveis para o debate acadêmico mais amplo. O estudo de Aristóteles levou-o a conhecer e comentar também sobre os ensinamentos dos muçulmanos, principalmente Avicena e Averróis, o que o colocou no centro do debate acadêmico.

Em 1245, Alberto tornou-se mestre em teologia pelas mãos de Guerico de Saint-Quentin, o primeiro dominicano alemão a conquistar o posto. Depois disso, conseguiu lecionar teologia na Universidade de Paris como titular da cadeira de teologia no Colégio de São Tiago.[5][6] Neste período, Tomás de Aquino tornou-se um de seus estudantes e manteve-se sempre firme às suas doutrinas e às influências que recebeu de outros antigos filósofos. Mesmo sendo um frade, Alberto compreendia muitos aspectos do mundo natural, como a metafísica, a física e a matemática.[7]

Em 1254, Alberto tornou-se também superior provincial de sua ordem,[8] um trabalho difícil que ele realizou com grande cuidado e eficiência. Durante seu mandato, ele defendeu publicamente os dominicanos contra os ataques do corpo docente secular e regular da Universidade de Paris, escreveu um comentário sobre São João Evangelista e respondeu ao que ele percebia como "erros" do filósofo islâmico Averróis. Cinco anos depois, Alberto participou de um capítulo geral da Ordem dos Pregadores em Valenciennes juntamente com Aquino, os mestres Bonushomo Britto,[9] Florentius (provavelmente Florêncio de Hidinio, chamado também de "Florêncio Gaulês")[10] e Pedro que criou um ratio studiorum (um programa de estudos) para a ordem[11] que trazia a filosofia como uma inovação para os que não foram suficientemente treinados na teologia. A partir daí iniciou-se a tradição da filosofia escolástica dominicana na prática, como, por exemplo, a criação do studium provinciale no convento de Santa Sabina em Roma em 1265, o embrião da futura Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum).[12]

Em 1260, Alexandre IV nomeou-o bispo de Ratisbona, um cargo que ele manteve por apenas três anos. Neste período, Alberto melhorou sua reputação de humildade ao recusar andar montado a cavalo como ditava a legislação dominicana e, ao invés disso, andava sempre a pé por sua diocese. Este hábito valeu-lhe o apelido carinhoso de "botas, o bispo" de seus paroquianos. Depois de renunciar ao cargo, passou o resto de sua vida em uma aposentadoria parcial morando em diversas casas monásticas de sua ordem e pregando por todo o sul da moderna Alemanha. Em 1270, pregou a Oitava Cruzada na Áustria. Depois disso, ficou famoso por seu papel de mediador entre os diversos partidos que lutavam na região. Em Colônia, Alberto é conhecido não apenas como o fundador da universidade mais antiga da Alemanha, mas também pelo "Grande Veredito" ("Der Große Schied") de 1258, que encerrou o conflito entre a população da cidade e o seu arcebispo.

Entre as últimas obras de Alberto a luta para defender a ortodoxia de seu antigo pupilo Tomás de Aquino, cuja morte em 1274 aborreceu-o sobremaneira, apesar de o relato de que ele teria ido pessoalmente a Paris para defender as suas doutrinas não poder ser confirmado.

Depois de uma súbita deterioração de sua saúde em 1278, Alberto Magno faleceu em 15 de novembro de 1280 no convento dominicano em Colônia.

Sarcófago com os restos Alberto Magno na Igreja de Santo André, em Colônia.

Alberto foi mencionado muitas vezes por Dante Alighieri, que fez da doutrina albertina sobre o livre arbítrio a base de seu sistema ético. Em sua "Divina Comédia", Dante coloca Alberto e Aquino entre os grandes amantes da sabedoria (spiriti sapienti) no Paraíso do sol. Alberto também foi mencionado, ao lado de Agrippa e Paracelso, no clássico "Frankenstein", de Mary Shelley. Na obra, suas obras influenciaram o jovem Victor Frankenstein.

Em 1622, o papa Gregório XV declarou-o beato. Em 16 de dezembro de 1931, foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja por Pio XI. Dez anos depois, foi proclamado santo padroeiro dos cientistas. Sua festa é celebrada em 15 de novembro e, segundo Joan Carroll Cruz, Alberto foi agraciado com um corpo incorrupto.[13]

Em 1954, no aniversário de sua morte, suas relíquias foram trasladadas para um sarcófago na cripta da Igreja Dominicana de Santo André.[14]