Agendamento

A Hipótese do Agendamento ou Agenda- theory, no original, em inglês, foi formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970. Essa hipótese propõe a ideia de que os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos que são veiculados com maior destaque na cobertura jornalística (incluindo tanto meios impressos quanto eletrônicos). Assim, no Agenda-setting, as notícias veiculadas na imprensa, se não necessariamente determinam o que as pessoas pensam sobre determinado assunto, são bem-sucedidas em fazer com que o público pense e fale sobre um determinado assunto, e não sobre outros [1]. A teoria é uma metáfora utilizando a ideia simbólica de agenda. E se preocupa com a agenda dos meios de notícia e a agenda da sociedade, e como são colocadas as notícias em termos de idéias e opiniões que tentam persuadir o público[2]. Desde a primeira publicação, em 1972 , esta hipótese foi sendo continuamente testada em diversos experimentos e pesquisas. A profusão dessas pesquisas foi estimulada por diversos ramos teóricos que se propuseram a complementar ou a refutar as bases teóricas da hipótese do agendamento.

História

As ideias básicas da Hipotese do Agendamento podem ser atribuídas ao trabalho de Walter Lippmann, um proeminente jornalista estadunidense. Ainda em 1922, Lippmann propôs a tese de que as pessoas não respondiam diretamente aos fatos do mundo real, mas que viviam em um pseudo-ambiente composto pelas "imagens em nossas cabeças". A mídia teria papel importante no fornecimento e geração destas imagens e na configuração deste pseudo-ambiente.

A premissa básica da teoria em sua forma moderna, entretanto, foi formulada originalmente por Bernard Cohen, em 1963: "Na maior parte do tempo, [a imprensa] pode não ter êxito em dizer aos leitores como pensar, mas é espantosamente exitosa em dizer aos leitores sobre o que pensar."[3]

Ao estudarem a forma como os veículos de comunicação cobriam campanhas políticas e eleitorais, Shaw e McCombs constataram que o principal efeito da imprensa é pautar os assuntos da esfera pública, dizendo às pessoas não "como pensar", mas "em que pensar". Geralmente se refere ao agendamento como uma função da mídia e não como teoria.

Fases das pesquisas sobre agendamento

Depois da primeira publicação em 1972 sobre o agenda-setting, vários outros autores começaram a formular hipóteses sobre o mesmo assunto, trazendo diferentes abordagens a partir dos estudos de McCombs e Shaw. Essas pesquisas podem ser divididas em quatro fases:

  1. O foco das pesquisas era na premissa básica já mostrada por McCombs e Shaw, que era a relação entre a agenda da mídia e a agenda do público, especialmente o poder que a mídia tinha em organizar a agenda do público.
  2. A segunda fase se inicia a partir da segunda metade da década de 70. Traz como foco não o que é o agendamento, mas sim o porquê dele acontecer, e quais fatores poderiam aumentar ou diminuir a influência das agendas. As pesquisas dessa fase trouxeram outros tópicos importantes ao debate, como a relevância das informações, a incerteza e as diferenciações nas características de diferentes meios de comunicação.
  3. O foco da terceira fase era a análise de temas públicos, especialmente a cobertura da mídia de campanhas eleitorais. Isso se encaixa no chamado agendamento de atributos. Ele é voltado para a análise da transferência de características e elementos (como ideologias e personalidade) de uma agenda para outra.
  4. A partir da década 80 se iniciou a quarta fase. O foco passou a ser os fatores que modelam a agenda midiática, no caso, as fontes dessas agendas. Nessa fase de pesquisa, alguns pesquisadores chegaram a hipóteses que levavam em conta a influência de outras mídias enquanto agente externos influenciando o agendamento de um meio. [4][5][6]