Afeganistão

د افغانستان اسلامي جمهوری (pastó)
(Da Afġānistān Islāmī Jomhoriyat)
جمهوری اسلامی افغانستان (persa)
(Jamhoriye-e Eslāmī-ye Afġānistān)

República Islâmica do Afeganistão
Bandeira do Afeganistão
Brasão de armas do Afeganistão
BandeiraBrasão de armas
Lema: لا إله إلا الله، محمد رسول الله
(Lā ʾilāha ʾillā llāh, Muhammadun rasūlu llāh)

Não há outro deus além de Alá; Maomé é o mensageiro de Deus. (Chahada)
Hino nacional: Milli Surood
Gentílico: afegão, afegã, afegane e afegânico

Localização  Afeganistão

Localização do Afeganistão.
CapitalCabul
Cidade mais populosaCabul
Língua oficialpachto e dari[1]
GovernoRepública islâmica
 - PresidenteAshraf Ghani
 - Primeiro-ministroAbdullah Abdullah
 - Presidente do Supremo TribunalAbdul Salam Azimi
Independênciado Reino Unido 
 - Declarada8 de agosto de 1919 
 - Reconhecida19 de agosto de 1919 
Área 
 - Total652 090 km² (41.º)
 - Água (%)n/d
 FronteiraIrão (O)
Turquemenistão (NO)
Uzbequistão (N)
Tajiquistão (N)
China (NE)
Paquistão (SE)
População 
 - Estimativa para 201331 108 077[2] hab. (37.º)
 - Censo 197913 051 358 hab. 
 - Densidade43,5 hab./km² (150.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 61,689 bilhões*[3] 
 - Per capitaUS$ 1 972[3] 
PIB (nominal)Estimativa de 2014
 - TotalUS$ 21,706 bilhões*[3] 
 - Per capitaUS$ 693[3] 
IDH (2015)0,479 (169.º) – baixo[4]
MoedaAfegane (AFA)
Fuso horário(UTC+4:30)
ClimaDesértico
Org. internacionaisONU
Cód. ISOAFG
Cód. Internet.af
Cód. telef.+93
Website governamentalwww.president.gov.af

Mapa  Afeganistão

O Afeganistão (em persa e pachto:افغانستان, Afġānistān), oficialmente República Islâmica do Afeganistão é um Estado soberano sem litoral, localizado no centro da Ásia, estando na encruzilhada entre o Sul da Ásia, a Ásia Central e a Ásia Ocidental. Povoado por cerca de 34 milhões de habitantes, tem uma área de 647 500 km², sendo o 40.º país mais populoso do mundo e o 40.º maior do mundo em área. Faz fronteira com o Paquistão ao sul e ao leste, com o Irã ao oeste, com o Turcomenistão, Uzbequistão e Tajiquistão ao norte e com China no nordeste. O território do Afeganistão foi um ponto essencial para a rota da seda e para a migração humana. Arqueólogos encontraram evidências de presença humana remontantes ao Paleolítico Médio (c.50 000 a.C.).[5] A civilização urbana pode ter começado entre 3 000 e 2 000 a.C.[6]

O país fica em uma localização geoestratégica importante que liga o Oriente Médio com a Ásia Central e o subcontinente indiano,[7] tendo sido a casa de vários povos através dos tempos.[8] A terra tem testemunhado muitas campanhas militares desde a Antiguidade, as mais notáveis feitas por Alexandre o Grande, Chandragupta Máuria, Gêngis Cã, pela União Soviética e, mais recentemente, pelos Estados Unidos e pela OTAN.[5][6] Também foi local de origem de várias dinastias locais como os Greco-bactrianos, Cuchanas, Safáridas, Gaznévidas, Gúridas, Timúridas, Mogóis e muitos outros que criaram seus próprios impérios.[9]

A história política moderna do Afeganistão começa em 1709 com a ascensão dos Pachtuns (ou Pastós), quando a dinastia Hotaki foi criada em Candaar seguida por Ahmad Shah Durrani subindo ao poder em 1747.[10][11][12] A capital do Afeganistão foi transferida em 1776 de Candaar para Cabul e parte do Império Afegão foi cedida aos impérios vizinhos em 1893. No final do século XIX, o Afeganistão tornou-se um Estado tampão no grande jogo entre os impérios britânico e russo.[13] Essa circunstância histórica, combinada com o terreno montanhoso do país, impediu o domínio de potências imperialistas sobre o país, mas também resultou em pouco desenvolvimento econômico.[14] Depois da Terceira Guerra Anglo-Afegã e a assinatura do Tratado de Rawalpindi em 1919, o país recuperou o controle de sua política externa com os britânicos.[carece de fontes?]

Após a revolução marxista de 1978 e a invasão soviética em 1979, teve início uma guerra entre as forças governamentais apoiadas por tropas soviéticas e os rebeldes mujahidin, apoiados pelos Estados Unidos, Paquistão, Arábia Saudita e outros países muçulmanos[15]. Nesse conflito, mais de um milhão de afegãos perderam a vida, muitos deles vítimas de minas terrestres[16][17]. Após a vitória dos rebeldes, em 1992, teve início uma guerra civil, entre diversos grupos rebeldes, que foi vencida pelos talibãs. Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, teve início um novo conflito, decorrente da intervenção de forças norte-americanas no país.[18] Em dezembro de 2001 o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou a criação da Força Internacional de Assistência para Segurança para ajudar a manter a segurança no Afeganistão e ajudar a administração do presidente Hamid Karzai.[19]

As décadas de guerra fizeram do Afeganistão o país mais perigoso do mundo,[20] incluindo o título de maior produtor de refugiados e requerentes de asilo. Enquanto a comunidade internacional está reconstruindo o Afeganistão dilacerado pela guerra, grupos terroristas como a rede Haqqani e Hezbi Islami[21] estão ativamente envolvidos na insurgência talibã por todo o país, que inclui centenas de assassinatos e ataques suicidas.[22] De acordo com a Organização das Nações Unidas, os insurgentes foram responsáveis por 75% das mortes de civis em 2010 e 80% em 2011.[23][24]

Etimologia

O nome Afeganistão (em persa: افغانستان, [avɣɒnestɒn])[25] significa "Terra dos Afegãos",[26] que se origina a partir do etnônimo " Afegão". Historicamente, o nome "Afegão" designa as pessoas pachtuns, o maior grupo étnico do Afeganistão.[27] Este nome é mencionado na forma de Abgan no 3º século dC pelos Sassanianos[28] e como Avagana (afghana) no 6º século dC pelo astrônomo indiano Varahimira.[27] Um povo chamado de Afegãos é mencionado várias vezes no 10º século no livro de geografia Hudud al-'alam, principalmente quando faz-se referência a uma vila: "Saul, uma agradável vila nas montanhas. Onde vivem os Afegãos."[29]

Al-Biruni faz referência no século XI a várias tribos nas montanhas da fronteira ocidental do Rio Indo, conhecidas como Montanhas Sulaiman.[30] Ibn Battuta, um famoso estudioso marroquino que visitou a região em 1333, escreve: "Nós viajamos para Cabul, antigamente uma grande cidade, o lugar agora é habitado por uma tribo de persas chamados afegãos. Eles vivem nas montanhas e desfiladeiros e possuem considerável força, e são muitas vezes salteadores. Sua principal montanha é chamada de Kuh Sulaiman."[31]

O nome "Afghaunistan" é escrito nesta litografia de 1847 por James Rattray

Um importante estudioso persa do século XVI explica extensamente sobre os afegãos. Por exemplo, ele escreve:

Os homens de Cabul e Khilji voltaram para casa; e quando eles foram questionados sobre os Muçulmanos do Kohistão (as montanhas) e como estavam as coisas por lá, eles disseram, "Não chame de Kohistão, mas Afeganistão, pois não há nada lá além dos afegãos e os distúrbios." Assim, é evidente que, o povo do país chamam a sua casa no seu próprio idioma como Afeganistão, e se nomeavam Afegãos.[32]
Firishta 1560-1620 d.C.

É amplamente aceito que os termos "Pachtum" e Afegão são sinônimos. Nos escritos do século XVII o poeta Pachto Khushal Khan Khattak é mencionado:

Puxe sua espada e mate qualquer um, que diz que Pachtum e Afegão não são um! Os Árabes sabem e assim fazem os Romanos: Afegãos são Pachtuns, Pachtuns são Afegãos![33]


A última parte do nome, -istão é um sufixo persa para "lugar", proeminente em muitas línguas da região. O nome "Afeganistão" é descrito no século XVI pelo imperador mogol Babur em suas memórias e também pelo estudioso persa Firishta e os descendentes de Babur, referindo-se a tradicional étnica afegã (pachtum) territórios entre as montanhas de Indocuche e o Rio Indo.[34] No início do século XIX, Políticos afegãos decidiram por adotar o nome Afeganistão para todo o Império Afegão após sua tradução para o inglês já havia aparecido em diversos tratados com o Império Qajar e a Índia Britânica.[35] Em 1857, na análise de John William Kaye The Afghan Warm Friedrich Engels descreve o "Afeganistão" como:

[...]um extensivo país da Ásia[...] entre a Pérsia e as Índias, e na outra direção entre Indocuche e o Oceano Índico. Ele anteriormente incluía as províncias persas de Coração e Kohistão juntamente com Herat, Baluchistão, Caxemira, Sind e uma considerável parte da região de Punjabe[...] suas principais cidades são Cabul, a capital, Gázni, Peshawar e Candaar.[36]


O Reino do Afeganistão foi, por vezes referido como Reino de Kabul, como mencionado pelo estadista e historiador britânico Mountstuart Elphinstone.[37] O Afeganistão foi oficialmente reconhecido como um estado soberano pela comunidade internacional após a assinatura do Tratado de Rawalpindi em 1919.[38][39]